Debate sobre governança encerra ArenaNET Mundial

Na última mesa do ArenaNET Mundial, sobre governança na internet, debatedores destacam a importância de lutar contra  a vigilância e enaltecem o sucesso do encontro  Por Ivan Longo ...

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Na última mesa do ArenaNET Mundial, sobre governança na internet, debatedores destacam a importância de lutar contra  a vigilância e enaltecem o sucesso do encontro 

Por Ivan Longo 

Última mesa do ArenaNET Mundial, com a participação de Virgilio Almeida, diretamente do NETMundial. (Foto: Hans Georg)
Última mesa do ArenaNET Mundial, com a participação de Virgilio Almeida, diretamente do NETMundial. (Foto: Hans Georg)

O debate “Governança na Internet”, talvez por ter sido o que encerrou as atividades do ArenaNET Mundial, foi mais pautado pelo resgate de todo o processo de elaboração do Marco Civil da Internet e dos encontros para discutir o futuro da rede do que pelas discussões sobre governança em si. Os participantes da mesa celebraram os resultados do evento que se encerrou nesta quinta-feira (24) no Centro Cultural São Paulo. Para eles, o ArenaNET Mundial popularizou a agenda da liberdade na rede e marca um momento histórico de mudanças na internet e na sociedade que, para Julian Assange, são a mesma coisa.

Marcelo Branco, ciberativista e um dos nomes que viabilizou a realização do ArenaNET Mundial, colocou as revelações feitas por Snowden sobre as espionagens feitas pela NSA e o discurso da presidenta Dilma na ONU, no ano passado, sobre a necessidade de uma legislação da internet, como fatores fundamentais para que este tipo de debate se instaurasse no país. “Esse processo, de discutir governança na internet, era difícil de avançar. Só avançou após a prova de espionagem no Brasil. O escândalo da espionagem do governo estadunidense mudou esse cenário”, afirmou.

Branco aproveitou a ocasião para contabilizar o acesso ao streaming que transmitiu na íntegra todas as atividades do encontro nos últimos três dias e o resultado foi muito comemorado. Ao todo, foram mais de 2 milhões de acessos.

A participação internacional da mesa ficou por conta de Prabir Purkayasthap, presidente do Centro de Tecnologia e Desenvolvimento da Índia. Pabir seguiu Marcelo Branco e teceu elogios à presidenta em relação ao seu discurso na ONU. “A fala de Dilma tem realmente trazido ao povo o que é e quais são as ameaças da internet. Se a internet é algo transformador, é também um espaço dentro do qual uma grande batalha está sendo travada. O discurso brilhante dela colocou o tom para boa parte da discussão que vem se seguindo”, disse. O indiano chamou a atenção também para a necessidade de uma governança na rede para que ela seja livre e democrática. “Venho da Índia, que foi colônia britânica por que o Reino Unido dominava os mares. Hoje temos quem domine a internet e por isso estão colonizando-a. Lutar contra a vigilância é lutar por liberdade e contra um novo tipo de colonialismo. Temos que entender que a internet é o futuro. Temos que criar caminhos para determinar quem vai controlar: nós ou as corporações”, indagou.

Além deles, participaram do debate também Rafael Pops, que milita pela internet livre, e Claudia Melo, diretora de Tecnologia da ThoughtWorks Brasil, que destacou a sofisticação do texto do Marco Civil da Internet e a importância em não deixar a agenda se esgotar. “Temos a legislação mais progressista do mundo na área de internet. Temos que valorizar o trabalho de pessoas que se dedicaram integralmente à causa. Espero que essa reunião não acabe aqui, mas que seja o primeiro passo de uma politização”.

Ao mesmo tempo em que encerrava-se o Arena NETMundial, encerrava-se também o NETMundial, que reuniu líderes de todo o mundo para discutir a questão da governança na internet. Por meio de um link ao vivo, Virgilio Almeida, coordenador da conferência, entrou no debate no Centro Cultural São Paulo para dar o seu parecer em relação ao encontro. O saldo, segundo ele, foi extremamente positivo; “Este processo de chegarmos a um documento que agrade a mais de 90 países, representantes da sociedade civil, empresas, academia, não foi uma tarefa fácil. Mas tivemos um longo processo para sua aprovação. O mais interessante é que foi feito tudo em salas abertas a todos os participantes. Foi um processo muito claro, inovador. Tivemos participação de hubs internacionais. Era emocionante ver na Índia, por exemplo, várias pessoas atrás do microfone para falar. Foi um processo que inovou, convergiu”, avaliou.

“O documento não é perfeito, não agrada a todos, mas representa um avanço na governança global da internet. Se não agradou a todos, agradou a 99%, é um documento que indica um novo caminho. E a ArenaNET Mundial foi muito importante. Queria agradecer por esse trabalho por que popularizou a questão da governança da internet. O Brasil como um todo avançou e a comunidade global também”, disse Almeida.

O documento final, sobre governança e futuro da internet, pode ser conferido aqui.



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