Petroleiros: “Resolvemos sair em defesa da Petrobras”

Para João Antônio Moraes, coordenador-geral da FUP, "usar um agente econômico importante como é a Petrobras, responsável hoje por 11% do PIB, para fazer a disputa política, é temerário para o país"

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Para João Antônio Moraes, coordenador-geral da FUP, “usar um agente econômico importante como é a Petrobras, responsável hoje por 11% do PIB, para fazer a disputa política, é temerário para o país”

Por Lucas Reginato

A ministra do STF Rosa Weber decidiu nesta semana que a CPI proposta no Senado deverá ser exclusivamente sobre a Petrobras. A comissão ainda não está instalada, mas a Federação Unificada dos Petroleiros (FUP) há alguns dias já se mobiliza em defesa da empresa. Um ato foi realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta quarta (23) e uma agenda de mobilizações em diferentes estados foi estabelecida.

“Nós entendemos que, na atual conjuntura do país, com ataques por parte da direita e da mídia conservadora em cima da Petrobras, a CPI não tem um caráter de eventualmente corrigir os problemas que possam existir, mas sim de atacar a empresa como um todo e buscar fazer disso um palco para a disputa presidencial”, afirma João Antônio Moraes, coordenador-geral da FUP. “Isso que nós estamos dizendo se comprova até por declarações do candidato Serra há quatro anos, e que se repetiu agora com o Aécio, que disse pessoalmente que, se eleito, pretende retomar os modelos de concessão no pré-sal.”

Moraes destaca dois pontos do que acredita ser hoje a disputa em curso. “Um viés é o econômico, de retomar o projeto de privatizações, mudar a lei da partilha, voltando para a lei de concessão. O outro é a disputa presidencial”, diz. “As duas coisas são muito ruins para o país. Usar um agente econômico importante como é a Petrobras, responsável hoje por 11% do PIB, para fazer a disputa política, é temerário para o país. Por conta disso resolvemos sair em defesa da empresa.”

“Nosso posicionamento é contra a CPI e a favor de investigação pelos órgãos competentes – a Polícia Federal, a Controladoria Geral da República, o próprio Tribunal de Contas, que é um órgão do Legislativo que pode fazer, e faz”, acrescenta Moraes, que elenca ainda os motivos que levam a entidade a se mobilizar para defender a petrolífera. “Os números que a empresa tem são altamente favoráveis se você comparar o que era a Petrobras em 2002 e o que é hoje. Há trinta anos que não se fazia uma refinaria, hoje são duas em construção e mais três em projeto. A Petrobras em 2002 encomendava os navios e plataformas de fora do país, não gerando emprego e renda aqui. Hoje, são 80 mil trabalhadores nos estaleiros, eram 2 mil em 2002. Eles fazem muito ataque na questão de Pasadena, que hoje é uma das refinarias mais lucrativas da Petrobras, taxada como um mau negócio.”

As próximas manifestações públicas da entidade devem acontecer na segunda, 28, em Recife e Salvador. “A tendência é que os sindicatos e os movimentos sociais também se mobilizem”, lembra Moraes, que em Brasília, nesta semana, contou com apoio de entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e a UNE (União Nacional dos Estudantes).

No Rio de Janeiro, os manifestantes se reunirão em frente ao Edifício Sede da Petrobrás (Edise) no dia 15 de maio, e o Edifício Sede da Petrobrás (Edisp) em São Paulo será o ponto de encontro no dia 21 de maio.



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4 comments

  1. Maria Lucia Responder

    Porque esta notícia não aparece em ligar nenhum, só aqui?

    1. ana larissa Responder

      não querer a CPI é estar a favor da Petrobrás?? Podem acabar com ela? Fazer despencar suas ações? Aparelha-lá com incompetentes? Não entendi!!! A Controladoria constata que 90% dos contratos no Brasil têm irregularidades e, até agora, apesar dessa constatação estatística por parte do órgão ainda não vi nada mudar… Ora, caiam na real!!!

      1. João Lucas Responder

        Ana Larissa
        Por favor, me mostre as fontes destes seus dados, se existirem é claro…

  2. ADEMAR DE FREITAS Responder

    Cadê você, Ana Larissa Coxinha Botelho Pintor?


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