Um mês após depoimento, coronel Paulo Malhães é encontrado morto

Comissão Nacional da Verdade pede que a Polícia Federal investigue o caso

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Comissão Nacional da Verdade pede que a Polícia Federal investigue o caso

Por Redação

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Em depoimento, Malhães detalhou as mutilações de corpos (Divulgação/CNV)

Na sexta-feira (25), o coronel Paulo Malhães foi encontrado morto em sua casa em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. De acordo com a polícia, três homens invadiram a casa, amarraram a mulher do coronel e o caseiro, e procuraram armas. Indícios apontam que o militar foi morto por sufocamento.

Malhães foi morto apenas um mês após prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV). Segundo a Carta Capital, o coronel temia os riscos de revelar atrocidades cometidas durante a ditadura militar. Suas revelações foram chocantes, porque Paulo Malhães conseguiu contar detalhes de torturas e mutilações de corpos com frieza.

As atividades narradas envolviam práticas como arrancar arcadas dentárias e pontas dos dedos para dificultar a identificação de corpos. Esse tipo de tortura e mutilação era realizado na Casa da Morte, em Petrópolis. Em seu depoimento, Malhães também deu sua versão sobre o desaparecimento dos restos mortais do deputado federal Rubens Paiva.

O coordenador da CNV, Pedro Dallari, solicitou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal (PF) acompanhe as investigações sobre a morte do coronel reformado do Exército. O caso está sendo apurado pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).



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1 comment

  1. Samuel Bueno Responder

    Assim como outros que fizeram parte do aparato repressivo durante o regime militar, o coronel Paulo Malhães tinha a mente bastante semelhante à de um SS nazista – ou até pior, porque aparentemente ele não tinha a menor noção de que era culpado por violações dos Direitos Humanos e, ao contrário de muitos criminosos de guerra alemães, por exemplo, não procurou disfarçar seu papel de torturador e assassino de pessoas desarmadas que manteve em cárcere privado, ao arrepio até mesmo da draconiana legislação vigente à época no Brasil. Ele foi um ‘serial killer’, um matador em série, e, apesar de não ter remorsos por seus crimes, ao que tudo indica não era exatamente um psicopata, pois estes em geral não se condoem de ninguém e, ao que Malhães revelou durante sua entrevista à Comissão da Verdade, ele tinha lampejos de misericórdia e chegou a ter piedade da família do deputado Rubens Paiva, trucidado barbaramente pelos bisonhos agentes da Gestapo tupiniquim. Por outro lado, tinha a coragem de suas convicções e teria dito muito mais se os entrevistadores houvessem sido menos atropelados em suas indagações (medo de que acabasse por divulgar o nome de algum dos ¨infiltrados¨ que hoje ainda pontificam na política nacional ?) . O coronel foi mais um facínora a serviço de uma ditadura insana, como
    tantas outras, de direita e esquerda. A existência de oficiais militares e soldados do tipo de Malhães, que atuaram com o pleno conhecimento de seus superiores e sob a responsabilidade de autoridades políticas que
    dirigiam o país, manchou indelevelmente a honra das forças armadas brasileiras, o que é de lamentar, pois a essa instituição é de fundamental importância para garantir a soberania do país. Esclareço que, com tal constatação, não quero aliviar o papel nefasto dos
    aventureiros que optaram pela realização de ações armadas e perpetraram análogos desatinos em nome de um discurso ideológico primário, amplamente condenado à época até pelos verdadeiros comunistas. Apenas reparo que, com uma infraestrutura de poder muito superior a de seus adversários, os organismos de repressão não se furtaram de enlamear a história do Brasil com seu comportamento delituoso (para não dizer pior…), que só foi possível mediante tácita permissão outorgada pela ditadura para o funcionamento clandestino de aberrações como a ¨casa da morte¨de Petrópolis, onde se praticaram infames atrocidades como as que descreveu Malhães.


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