Progressismo e conservadorismo se enfrentam nas eleições do Egito

As eleições presidenciais serão entre Hamdeen Sabahi, mais próximo do setor esquerdista, e Abdel Fattah El-Sisi, ex-chefe das Forças Armadas que apoiou o golpe de 2013 Por Nicolas Chernavsky, em culturapolitica.info...

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As eleições presidenciais serão entre Hamdeen Sabahi, mais próximo do setor esquerdista, e Abdel Fattah El-Sisi, ex-chefe das Forças Armadas que apoiou o golpe de 2013

Por Nicolas Chernavsky, em culturapolitica.info

O processo de democratização do Egito, que ganhou um grande impulso no início de 2011 com a derrubada do ditador Hosni Mubarak, terá mais um capítulo com a próxima eleição presidencial, que ocorrerá em 26 e 27 de maio deste ano. Haverá apenas dois candidatos: Hamdeen Sabahi, da Corrente Popular Egípcia, grupo político mais próximo dos setores liberais, seculares e esquerdistas, que está construindo uma coalizão relativamente progressista, e Abdel Fattah El-Sisi, de perfil mais conservador e que era chefe das Forças Armadas quando estas derrubaram o ex-presidente democraticamente eleito Mohamed Morsi.

Quanto às chances reais dos dois candidatos, é preciso observar que no primeiro turno das eleições presidenciais de 2012, Sabahi conquistou cerca de 21% dos votos, porcentagem muito próxima dos dois candidatos que foram ao segundo turno, Ahmed Shafik, com cerca de 24%, e Mohamed Morsi, com cerca de 25%. Assim, levando-se em conta que em 2012 havia 13 candidatos, a viabilidade eleitoral de Sabahi parece evidente. Quanto a El-Sisi, por sua ligação com a derrubada de Morsi em julho de 2013, conta principalmente com o apoio dos setores mais contrários ao governo de Morsi e mais próximos ao governo de Mubarak.

Atualmente, o grupo político do ex-presidente Morsi, a Irmandade Muçulmana, é considerado pelo Estado do Egito uma entidade ilegal. Como este grupo político tem o apoio de uma considerável porção da sociedade do país, sendo um indício disso o fato de Morsi ter sido eleito presidente há menos de 2 anos, a consequente proibição da participação da Irmandade Muçulmana nessas eleições presidenciais afeta fortemente a adequação deste pleito aos padrões democráticos mínimos. Apesar disso, se Sabahi tiver uma relativa liberdade para fazer campanha, é possível que o povo egípcio tenha real possibilidade de escolha.

O Egito tem cerca de 86 milhões de habitantes, aproximadamente 1 milhão de km² e está localizado no norte da África. A efetiva democratização do Egito seria um impulso muito relevante para a democratização do mundo árabe e para a melhora, pelo menos no médio prazo, do padrão de vida da população do país. Além disso, um Egito democrático facilitaria significativamente a resolução do conflito entre Israel e Palestina. Após essas eleições presidenciais no Egito, estão previstas eleições parlamentares para meados de 2014.

 



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