Eduardo Campos coloca Aécio à direita do debate eleitoral

Em entrevista ao programa Canal Livre, pré-candidato à presidência da República pelo PSB defendeu o programa Mais Médicos e declarou ser contrário à redução da maioridade penal

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Em entrevista ao programa Canal Livre, pré-candidato à presidência da República pelo PSB defendeu o programa Mais Médicos e declarou ser contrário à redução da maioridade penal

Por Marcelo Hailer

Foi ao ar ontem (4), mais uma edição do programa Canal Livre (Band), que entrevistou o pré-candidato à presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos. Durante a entrevista, o presidenciável explicou os motivos que o levaram a deixar a base do governo federal, declarou ser contra a redução da maioridade penal e defendeu o programa Mais Médicos.

Na primeira parte da entrevista Eduardo Campos diz ter deixado o governo pelo entendimento de que o Brasil vive um novo momento político, sendo necessário “superar o governo de coalizão” que, de acordo com o presidenciável, tem feito o país perder “substância” e também trazido a inflação de volta. Por fim, o candidato socialista afirmou que é preciso apresentar um novo modelo, “mas que preserve as conquistas” e que possibilite que o “Brasil vá mais longe”.

Questionado a respeito de seu modelo econômico, que atingiria o ápice em 2018, Campos foi questionado se até lá um “sofrimento ao povo” teria que ser imposto com medidas de austeridade. O pré-candidato nega e diz que o sofrimento vá acontecer se ficar “do jeito de que está. O Brasil está tendo o menor crescimento da história republicana”. Entre as primeiras mudanças, caso fosse eleito, o presidenciável disse que diminuiria o número de ministérios e usaria “da criatividade para dar transparência aos números do país”.

Posteriormente, Campos foi questionado e comparado ao pré-candidato tucano Aécio Neves (PSDB), pois ambos estariam apostando no “emocional” ao trabalhar com a ideia de que a “simples chegada de alguém novo produzirá uma consequência quase mediúnica, milagrosa na vida da população”, de acordo com o jornalista Ricardo Boechat. “A mudança política faz parte, mas não resolve por si só (…) é trocar e dar um rumo estratégico de longo prazo”, tergiversou o .

Confrontado com medidas tomadas pela presidenta Dilma Rousseff como, por exemplo, a atualização da tabela de Imposto de Renda (IR), atualização do valor do Bolsa Família e valorização do salário mínimo, Campos resgatou o primeiro mandato do ex-presidente Lula (2002-2010), lembrando de medidas micropolíticas que colocaram o país nos eixos econômicos. A respeito da lei do salário mínimo, cuja validade termina no ano que vem, Campos foi genérico e não deixou claro se vai dar continuidade à política de valorização do salário mínimo.

Se no campo da economia tanto Eduardo Campos quanto Aécio Neves não respondem objetivamente o que vão fazer, o candidato do PSB deu mostras de que é no discurso social que vai buscar o distanciamento do candidato tucano. E isso ficou evidente em dois momentos do programa: primeiro, quando o ex-governador de Pernambuco declarou ser “categoricamente” contra a redução da maioridade penal e que tal medida, como está sendo colocada, é “mentirosa”, citaando como exemplo o programa de seu governo em Pernambuco, “Pacto Pela Vida”. “A população acha que com a reduzir a maioridade penal vai melhorar e eu tenho a obrigação de dizer que está se vendendo algo que não vai entregar, pois, resolvesse não tinha criminoso com mais de 18 anos”, disse Campos ao se colocar contrário a redução da maioridade penal.

No último bloco da entrevista, o programa Mais Médicos entrou na pauta acompanhado de adjetivos como “ditadura cubana”, Campos é questionado se vai manter o programa. “Você sabe por que nós tivemos que importar médicos? Nós fechamos, durante duas décadas, as vagas de medicinas nas universidades (…) Nós temos que formar médicos no interior do Brasil (…) Eu não vou mandar tirar os médicos da comunidades que estão lá hoje, nós vamos mandar fazer uma avaliação do serviço que estão prestando, vamos fazer uma auditoria no serviço, agora, você não pode chegar naquela realidade onde tinha zero médico e tirar uma pessoa só por preconceito ideológico”, disse.

Assim, Eduardo Campos tentou se colocar à esquerda de Aécio Neves, sinalizando que não vai comprar muitos pontos da agenda da direita, como o da redução da maioridade penal e contrária ao programa Mais Médicos, como o PSDB, por exemplo. Em outros momentos, o pessebista reiterou que vai manter e fortalecer o Bolsa Família, mas a estratégia é também a de colar a sua imagem à do ex-presidente Lula, apontando a presidenta como uma gestora ineficiente que não teve êxito em dar continuidade no ciclo iniciado pela gestão do ex-presidente.

É fato que muita água ainda vai rolar até o início de fato da campanha e outras questões de cunho social vão entrar na pauta como criminalização da homofobia, casamento igualitário, aborto e regulamentação da maconha. Sobre o aborto, pode-se ter a certeza que a opinião será a mesma entre os principais candidatos: não alterar a atual legislação. A respeito das questões LGBT, tanto o governo de Campos como a gestão de Rousseff possuem algumas experiências, parcas; e, por fim, a regulamentação da maconha, que se tornou, hoje, um dos principais temas e que deve estar também no debate eleitoral.

O sinal positivo da entrevista de Eduardo Campos ao Canal Livre é que, aparentemente, a sua campanha não vai enveredar pelo caminho da baixaria, como ocorreu nos dois últimos embates nacionais entre PT e PSDB. E isto é bom, pois o debate pode rumar para um outro nível e neutralizar a agenda e candidatos fundamentalistas, que se fez tão presente em 2010 e 2012.



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5 comments

  1. Jesulino Alves de souza Responder

    Todos falam que a economia precisa mudar para o pais crescer, mas as maioria deles não diz como vai fazer isso. Eles escorregam nas perguntas.
    O Aécio diz ao se identificar com a direita e os ricos, deixa a entender que pretende não valorizar o salário mínimo para atacar a inflação e o deficit da previdência. Resolver o país punindo os pobres para agradar os ricos é muito fácil. Porque não começa sobretaxando os supérfluos que os ricos usam e aumentando o imposto de renda dos executivos e playbois? Há provas científicas que a valorização do salário mínimo junto com o bolsa Família praticamente erradicou a fome e a miséria no Nordeste. Parece que Aécio, como seu padrinho Fernando Henrique, querem em nome do neo-liberalismo e da elite, podem sacrificar uma região que começou a resgatar sua dignidade, a partir do Governo Lula.

    1. Rodrigo Responder

      cade essas tais provas científicas… poste o link, por favor.

    2. Silvio Responder

      Uma pessoa que continua recebendo bolsa familia é porque continua vivendo em um estado de miséria, temos a sexta maior economia do mundo e o salario minimo é uma miséria, em um pais tão rico que o povo é tão pobre a primeira coisa que tem que ser dada ao povo é conhecimento e sabedoria para rejeitarem esses fascismo transvestido socialismo, porque democracia é da igualdade, liberdade e dignidade ao povo, e não escravizá-los com um programa que de tão miserável terá de ser vitalicio, e um salario que de tao minimo faz com que o trabalhador se venda por qualquer programa ou ajuda desses “governos”.

  2. Jesulino Responder

    Todos falam que a economia precisa mudar para o pais crescer, mas as maioria deles não diz como vai fazer isso. Eles escorregam nas perguntas.
    O Aécio ao se identificar com a direita e os ricos, deixa a entender que pretende não valorizar o salário mínimo para atacar a inflação e o déficit da previdência. Resolver o país punindo os pobres para agradar os ricos é muito fácil. Porque não começa sobretaxando os supérfluos que os ricos usam e aumentando o imposto de renda dos executivos e playbois? Há provas científicas que a valorização do salário mínimo junto com o bolsa Família praticamente erradicou a fome e a miséria no Nordeste. Parece que Aécio, como seu padrinho Fernando Henrique, querem em nome do neo-liberalismo e da elite, podem sacrificar uma região que começou a resgatar sua dignidade, a partir do Governo Lula.


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