O Feminismo explorado pela mídia na figura das artistas famosas

Por Jarid Arraes, Nem todas as artistas famosas sabem o que é Feminismo, se interessam por movimentos sociais ou estão preparadas para responderem perguntas sobre questões de gênero. Por isso mesmo é que...

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Por Jarid Arraes,

Nem todas as artistas famosas sabem o que é Feminismo, se interessam por movimentos sociais ou estão preparadas para responderem perguntas sobre questões de gênero. Por isso mesmo é que a mídia provavelmente vai escolher explorar essas opiniões, sejam elas equivocadas ou não, simplesmente porque as últimas estrelas da cultura pop geram muito retorno em audiência. Se estiverem relacionadas com alguma polêmica, então, perfeito.

Basta que uma figura feminina conquiste algum espaço de destaque e comece a ser encarada como ícone por milhares de garotas e mulheres para que as perguntas comecem a chegar: “você é feminista?” ou “se considera feminista?” são indagações bastante frequentes.

Algumas dessas artistas se saem bem. Ás vezes desconversam ou falam algo bastante genérico sobre a mulher ter conquistado seu espaço, até que raramente aparecem as que não temem o rótulo. Ellen Page e Valesca Popozuda estão no time das que falam sem medo; independente de suas colocações, linhas teóricas, atuações políticas ou contextos sociais, a palavra “feminismo” não soa como um sentença pejorativa, pelo contrário. Lamentavelmente, o mesmo não pode ser dito de todas, como pode ser visto no último caso de Shailene Woodley que recentemente negou envolvimento com o Feminismo.

Mas a questão nem sempre segue em linha reta: logo no início da explosão midiática da Lady Gaga, a mesma declarou que não era feminista, pois “gostava de homens”. Algum tempo depois, quando lançou seu álbum intitulado “Born This Way”, a cantora compôs uma música abertamente feminista, inclusive fazendo uso do termo, onde declara que “mulheres fortes não precisam de permissão” e estimula as “loiras feministas de salto alto” a lutarem por seus direitos. Já a britânica Lily Allen voltou aos holofotes com uma música que falava sobre objetificação sexual e “glass ceiling” (um termo referente aos limites impostos às mulheres, especialmente no mercado de trabalho, mas que acabam não encontrando muita visibilidade), porém escorregou em vários outros episódios, contradizendo o que cantou e usando termos sexistas para xingar outras mulheres.

Algo parecido aconteceu com Beyoncé, que incluiu em uma de suas faixas uma fala bastante inspiradora feita pela feminista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Apesar disso, no mesmo álbum lançou uma música com seu marido Jay Z, que utiliza a violência sofrida por Tina Turner de forma sexualizada, gerando indignação e muitos questionamentos. Na letra de “Drunk In Love”, Jaz Z diz ser Ike Turner no momento em que obriga Anna Mae – nome de registro de Tina – a comer um pedaço de bolo e logo depois a espanca. A cena em questão faz parte do filme que conta a vida de Tina Turner e pode ser assistida no youtube.

Para várias pessoas o feminismo de certas celebridades pode ser algo inquestionável e dependente unicamente da autoidentificação. No entanto, esse posicionamento não é compartilhado por todos os que se envolvem com a militância de gênero. Há realmente muito além do dizer-se feminista, pois as demandas políticas do movimento social envolvem questões complexas, que exigem certa disposição para leitura, pesquisa e pensamento crítico constante, como a legalização do aborto, a regulamentação da prostituição e até mesmo as nuances raciais que envolvem todas as mulheres. São vivências e contextos que ultrapassam o uso de um termo, embora a identificação também seja algo importante.

Por fim, é curioso como a imagem dessas mulheres é exaustivamente explorada sem que necessariamente um debate concreto seja feito a respeito dos direitos femininos. Todas essas atrizes e cantoras são importantes exemplos para garotas, servem como representação e inspiração, e sem dúvida alguma formam muitas opiniões. Elas fazem mais que moda, por isso são abordadas com temas controversos sempre que possível. Resta buscar entender quem sai lucrando quando a mais nova sensação juvenil relaciona feminismo com “ódio aos homens” e outros tipos de equívocos. Certamente não é a causa, que sofre com estigmas desde seu surgimento.



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2 comments

  1. Sancho Responder

    Meus zoio doi qdo leio movimento social,tinha que chamar movimento acadêmico classe media, não importa a origem que venha a pessoa,pq qdo ele chega a esse conhecimento ele ja se deslocou a muito tempo da onde veio, isso pode parecer besteira,mais se vc e morador de quebrada,ribeirinho,vila de pescador o que for,vai ver que a posição das mulheres de la diferem muito desses dai.

  2. Sancho Responder

    Falarei para os os comentadores a pois sei que Jarid Arraes não desce do pedestal, não passa na cabeça do povo que la pode ter um movimento “feminista” diverso daqui, que talvez esteja mais associado a um comportamento sexual tb?pelo menos o grupo em voga no momento?por isso a resposta de que”eu gosto e de homem” com certeza os movimentos terão diferentes bandeiras em cada pais. a homogeneidade so existe na hora de desclassificar o outro não “nois” de apolitico( independente de suas colocações, linhas teóricas, atuações políticas ou contextos sociais…)bay


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