“O poder é homem, branco e heterossexual”, diz secretária dos Direitos Humanos

Ideli Salvatti considera que é preciso transformar a força da Parada LGBT em ressonância política e fazer a disputa dentro do Congresso Nacional que, de acordo com ela, é machista e masculino

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Ideli Salvatti considera que é preciso transformar a força da Parada LGBT em ressonância política e fazer a disputa dentro do Congresso Nacional que, de acordo com ela, é machista e masculino

Por Redação

No último domingo (4), como parte da programação da Parada LGBT de São Paulo, aconteceu a coletiva de imprensa que contou com a presença do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT); do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada LGBT de SP (APOLGBT), e da ministra dos Direitos Humanos Ideli Salvatti, que realizou um dos discursos mais contundentes na ocasião e que pouca repercussão teve na imprensa.

Salvatti iniciou a sua fala levantando a necessidade de se criminalizar a homolesbotransfobia. “É difícil falar disso, e mais difícil é combater. Por que?”, questionou a ministra. Posteriormente, Salvatti comentou a respeito da disputa de poder em torno da agenda LGBT. “Quero aqui deixar muito claro que a compreensão que nós temos, enquanto governo da presidenta Dilma Rousseff e enquanto secretaria de Direitos Humanos é de que essas lutas e essa disputa, tanto na sociedade, no Congresso Nacional, no poder Judiciário, pelo direito de cada um ser o que é, para cada um poder exercer aquilo que acredita e que é da sua naturalidade e essência, é uma briga de poder. Isto é uma briga de poder”, comentou.

Para a ministra, se trata, no fundo, de uma luta contra o patriarcado. “É de poder, para ser exercido em nome e a favor de todos ou em nome e a favor de poucos. E ela tem muitas facetas. Muitas. O machismo é uma delas. O racismo é uma delas. O patrimonialismo é uma delas. A violência contra trans e lesbo é também uma delas. O poder, infelizmente, é homem, branco, rico e hétero. O poder é isto, no nosso país (mas a presidenta da república é Dilma Rousseff), e é por isso que a gente tem que cotidianamente trabalhar, disputar e avançar”, disse Ideli Salvatti.

A representante dos Direitos Humanos da presidência da República, afirmou que o governo luta contra as opressões às minorias e que é por esse motivo que se faz presente na Parada LGBT. “É por isso que existe o trabalho que a Secretaria de Direitos Humanos faz, com o Disque 100. Estamos hoje com a campanha “não guarde no armário“. Denuncie, disque 100, para a gente poder ter a dimensão exata do que acontece na nossa sociedade, de onde estão os focos, como a gente trabalha”, convocou a ministra.

Idlei Salvatti também tocou no assunto que sempre gera polêmica, a necessidade de fazer com que a Parada LGBT de São Paulo tenha ressonância política. “Nós temos, juntos, um grande desafio. Vocês colocam 2 milhões, 3 milhões de pessoas na rua. Nós precisamos transformar isso em votos no Congresso Nacional, para a gente poder aprovar. Porque a disputa do poder, essa imagem de poder de homem, branco, rico, hétero, está instalada lá. Nós temos que disputar lá”, criticou a ministra.

Ainda em sua explanação, Salvatti, que já foi deputada e senadora, comentou das dificuldades de se combater as forças conservadoras no Congresso e aprovar projetos de lei que visem ajudar os setores historicamente humilhados. “Quero dizer isso com muita tranquilidade, porque fui parlamentar. Fui deputada estadual, senadora e sei o quanto é difícil aprovar qualquer lei para combater essa visão de poder para poucos. Não pense, hoje a gente tem uma Lei Maria da Penha, mas foi um sufoco aprovar. Nós temos legislação contra o racismo, foi um sufoco. Estamos com a PEC contra o trabalho escravo tramitando há anos, e não conseguimos aprovar ainda”, relatou a ex-parlamentar.

Para Salvatti, as diferentes formas de opressões são “tudo face da mesma moeda”. “É por isso que temos uma parada, um processo eleitoral pela frente, onde temos indiscutivelmente que pautar essa discussão, mas não uma discussão setorializada. Ah, este segmento da sociedade sofre violência e discriminação… Não. Todos aqueles que não são sequer parecidos com a imagem do poder são discriminados e, portanto, temos que trabalhar em conjunto, na mesma visão, de defender um país governado para todos em nome de todos, e acabar com aquele sentimento que infelizmente ainda está na sociedade”, analisou.



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23 comments

  1. Guto Responder

    Ela já sabia isso quando ajudou a enterrar o PLC122?

  2. Geraldo Siqueira Responder

    ▶︎▶︎▶︎▶︎▶︎▶︎▶︎▶︎ Frase: “O poder é homem, branco e heterossexual”. Pense! Leia e releia esta frase. Cuidado para não deixar-se driblar seu próprio senso crítico. Agora responda à pergunta: Esta frase, em si, não é preconceituosa?

    1. Curupira Responder

      Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaao! Preconceito seria se eu corrigisse sua frase para:”cuidado para não deixar driblar seu próprio senso crítico, ou de outra forma, cuidado para não se deixar driblar o próprio senso crítico”! Chupaaaaa!

    2. Diogo Responder

      Total. Poder é de quem tem cérebro e aproveita uma oportunidade. Tem culpa se homens são mais racionais que mulheres, e que brancos possuem melhor qualidade de ensino.

    3. sebastiao soares Responder

      Não. Ela está dizendo “o poder”. O poder é o mais forte, e a justiça é a conveniencia do mais forte.

  3. Reaper Responder

    Esta mulher não tem vergonha na cara em falar uma merda dessas, pois alguém que faz parte dos “direitos humanos” nãos deveria possuir este tipo de preconceito. Mas foi bom que ela mostrou suas intenções, então vocês homens, brancos, heterossexuais, abram seus olhos, pois uma cassada a vocês(nós) esta para começar.

  4. André Responder

    Essa mulher regurgitando novamente

  5. Milton Berbet Responder

    Engracado. Todos estao morrendo no transito.sendo mortos por mrnores infratores. Violencia para todo lado e ela quer cimbater um direito usando a discriminscao, a qual ela alega existir. O Pt se preocupa com o direito de minorias prejudicando a maioria.

    1. Leonardo Responder

      Então o que você está afirmando é que a MAIORIA da população brasileira, está sendo prejudicada quando se busca uma igualdade de direitos civis? Me desculpe meu caro, mas isso me parece mais com preconceito disfarçado de indignação política.
      O que vai mudar sua vida quando os homossexuais tiverem direitos iguais aos heterossexuais?

  6. Márcio Almeida Responder

    Porque ela não renuncia e dá seu ministério para o Jean Willis, então?

    Outra; quero ver quando negros homossexuais reclamarem que somente brancos homossexuais tem lugar no poder.

    Aí, as lésbicas vão reclamar, também. Depois, os transexuais e os bissexuais.

    Quero ver como vão resolver o impasse.

    Por enquanto dá para rir.

    1. Bruno Responder

      Eu tmb ri do seu comentário…

  7. Daiane Balbino Responder

    Na falta de projetos para educação e saúde eles jogam gays e mulheres na mesma panela e criam o inimigo “homem” para ganhar votos através desse blá blá blá. Essa desonestidade intelectual só acontece porque não falta idiota pra cair nessa ladainha, são os mesmos que levantam bandeiras LGBTXYZ em eventos patrocinados com dinheiro público enquanto milhares de crianças morrem nas portas dos hospitais.

    1. Thaís Moraes Responder

      “[…]criam o inimigo homem?” Criam? Tu tens certeza disso? Então me diz quantas mulheres estão ocupando cargos de poder. Tu fazer ironia com os movimentos mais do que legítimos dos LGTBs porque certamente não fazes parte de nenhum desses grupos e não sofre a opressão que eles sofrem por sua orientação sexual. Educação tá faltando sim, e isso envolve educação que diminua a visão que as pessoas têm sobre uma sociedade com uma distribuição absurda de poder achando-a normal.

      1. Marcus Valerio XR Responder

        E já viu quantas mulheres concorrem aos cargos políticos? Muito menos que homens, e ainda tem direito a cotas. A culpa por elas não quererem seguir carreira política é de quem? E porque as mulheres, mesmo sendo maioria do eleitorado, não elegem só mulheres?

        Uma completa farsante essa ministra, criando inimigos e problemas imaginários em prol de agendas parasitas financiadas pelo estrangeiro que, onde quer que tenham sido executadas, levam seu hospedeiro a extinção populacional.

  8. Iria Maria Brugnago Responder

    O poder no Brasil, e braco, veio do nordeste, obedesse as ordens dos brancos da Europa e Russia. O verdadeiro poder, nao passa de teoria, nossa Constituicao/88. Esse poder deveria ordenar o povo desta terra, se o poder branco, nordestino, respeitasse o povo ao qual confiou uma gestao, honrando os direitos e deveres dessa nacao. Cala a boca, nao fala besteiras, respeita a constituicao, que voltarenos a nos respeitar, como faziamos na decada de 70 e 80. Antes de falar “M”, pois estas no poder, para de falar e trabalho, respeitando o direito que ja possuimos.

  9. Tha Responder

    Cuidado! Você aí que é branco, rico, heterossexual e conservador (fascista?) vai sofrer as dores das minorias. Vou logo avisando, não está fácil viu. Mas cês não tem culpa não..

  10. Geodir Figueiredo Responder

    Gente, cada vez fico mais espantado com essa turma do PT. Acho que estão fumando muito cigarrinho do diabo, não é possível que uma Ministra fale tanta abrobrinha como essa que foi publicada.

  11. Thaís Moraes Responder

    Vocês que estão criticando no mínimo não leram a reportagem ou são analfabetos funcionais. A ministra não falou de como a sociedade DEVERIA SER e sim de como ela É. E, sim, o poder está, em sua expressiva (e absurda) parte nas mãos do homem branco e hétero. Ela contesta isso dizendo que não deveria estar e sobre a dificuldade que é de quebrar esta barreira para que todos e todas tenham acesso ao poder. Se alguém não concorda sobre essa absurda e desigual divisão do poder, sugiro que abram os olhos!

  12. Luis Responder

    Pois é ‘secretária”; quem diz o q quer merece resposta tipo Diogo… com este “cérebro” como mesmo vossa excelência chegou ao poder??Já sei, QI (Quem Indica), pois “sabedoria” no seu caso – ZERO…

  13. Fernando Responder

    Hoje em dia ser homem, branco e hetero é considerado crime.. Não cito todos os negros nem todos os gays pq a maioria deles tem carater de sobra

  14. nn Responder

    É espantoso a ignorância dos comentários!! A história do racismo, patriacarlismo, machismo, desigualdade e pobreza são enterradas por uma classe média branca, endividada e que olha sempre pro proprio umbigo depois de comer um número um no shopping center.

  15. Charlton H. Hauer Responder

    Era exatamente o que os nazistas diziam dos judeus já décadas antes do holocausto. Os nazistas diziam que o poder era dos judeus, que eles roubaram os empregos e o dinheiro dos alemães, etc. O holocausto não chegou de imediato. Foi o resultado de décadas de demonização dos judeus. E É O MESMO QUE ESSA MONSTRA ESCROTA CHAMADA IDELI SALVATTI QUER FAZER COM OS HOMENS COM SUA IDEOLOGIA DA VITIMIZAÇÃO. E ainda tem gente que apóia monstras como essa!

  16. Robson Silva Responder

    O que é que essa robot, amoral, fria e calculista, uma mera pau mandado da homofóbica Dilma Rousseff, está fazendo aí na pasta de Direitos Humanos? Quem é essa senhora pra vir falar em comunidade LGBT, alguém que, por ordem expressa de sua senhora intolerante; enterrou definitivamente a PL 122, com a sua articulação sórdida dentro do congresso nacional. É por essas e outras que o PT se desmoraliza cada dia mais como instituição sem ética nem vergonha na cara, e se afunda no mar de lama da corrupção. E para nossa maior decepção, vemos aqui cinicamente aparecerem os papagaios de pirata muitíssimo bem pagos, ocupantes dos milhares de cargos comissionados sem concurso público, que vem nesse espaço só pra defender com unhas, dentes e desculpas, sujas e esfarrapadas, se rebaixando pela via da bajulação subserviente e humilhante, e assim buscam garantir o seu ganha pão imoral com a manutenção do governo petista, mantenedor das suas mamatas dentro da coisa pública.


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