Jogos universitários no RJ terminam com ato machista

Para irritar a universidade adversária, alunos utilizam boneca inflável; para feministas atitude é vergonhosa e diminui imagem da mulher a objeto sexual

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Para irritar a universidade adversária, alunos utilizam boneca inflável; para feministas atitude é vergonhosa e diminui imagem da mulher a objeto sexual

Por Redação

O JUCS (Jogos Universitários de Comunicação) do Rio de Janeiro terminou no domingo (4), mas deixou uma má recordação. Universitários da FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso) levaram uma boneca inflável ao ginásio com a inscrição “PUC”, para irritar os adversários, provocando repúdio dos movimentos de mulheres. O Coletivo de Mulheres PUC-Rio, o Núcleo Feminista da Facha Pagu e o Coletivo Feminista Yabá, da PUC-SP, se manifestaram contra o ato.

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A legenda era: “já tem puta pra caralho e vieram duas da PUC” (Reprodução/Facebook)

Imagem da boneca, divulgada pelo Facebook, trazia a legenda: “Já tem puta pra caralho e vieram duas da PUC”. Em nota de repúdio, os coletivos afirmam que “a competição existente nos jogos não justifica esse ato, já que só reafirma o machismo dentro do ambiente universitário e desqualifica a sua própria vitória por não saber ganhar e manter o nível alto”.

“Vale lembrar que sexo deve ser encarado com mais naturalidade, não é algo humilhante e ter liberdade sexual não é uma ofensa”, pronunciaram os grupos feministas. Outro ponto de indignação foi a objetificação sexual: “Aliar a mulher a algo depreciativo como uma boneca inflável, a qual nos diminui a simples objeto sexual para satisfazer o prazer alheio, é uma atitude que esperamos que não se repita”.

Os coletivos reconhecem que atitudes discriminatórias em jogos universitários já têm história. Porém, frisam que isso não é motivo para aceitarem esse tipo de comportamento, já que é “algo realmente vergonhoso para pessoas que deveriam possuir conhecimento intelectual e capacidade de criar algo melhor”.

Em outra publicação feita após a repercussão do caso, as feministas mostram que nada disso é apenas uma brincadeira. “Dizem que é apenas uma brincadeira, mas a mesma brincadeira é usada para deslegitimar as lutas dos movimentos negros e LGBT, quando nos trotes chamam o calouro de ‘viadinho’ ou pintam o mesmo de preto e o acorrentam”.

Mesmo sendo maioria dentro das universidades, as feministas têm pouca empatia em sua luta. Os coletivos apontam que a culpa disso é a falta de espaços para discutir a posição das mulheres na sociedade. “Pensar sobre a realidade dos grupos oprimidos da sociedade é urgente, só assim teremos uma mudança real e atos assim não mais se repetirão”, propõem.



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5 comments

  1. Nota Oficial da Delegação FACHA Responder

    No dia 06 de maio de 2014, após a 3ª edição dos Jogos Universitários de Comunicação Social (JUCS) e 4ª edição dos Jogos Integrados de Engenharia (INTERENG), a fanpage do “Coletivo de Mulheres PUC-RIO” no facebook publicou uma nota acusando a delegação das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) de denegrir a imagem das estudantes da Pontifícia Universidade Católica (PUC), através de uma boneca inflável com a sigla da universidade e uma caneca da FACHA como adorno. A mesma nota diz que a delegação da FACHA comemorou o título com gritos de guerra que maculam a imagem da mulher. Todavia, o objeto não pertencia a nenhum integrante da delegação da FACHA como afirmado na nota. O mesmo foi depositado na arquibancada do ginásio Santos Anjos após uma partida do INTERENG.

    Após a divulgação da nota de repúdio por parte da fanpage, a jornalista Marina Cohen, do portal do jornal O Globo, publicou no veículo uma matéria com falhas graves de apuração onde coloca em dúvida a idoneidade moral dos integrantes da delegação da FACHA presentes no JUCS, com o título “Jogos de Comunicação terminam com manifestação machista”, atrelando a imagem de uma única instituição a uma prática comum a todas elas, onde nossos integrantes são alvos desse tipo de comportamento a todo o tempo.

    O corpo discente da FACHA reafirma o repúdio a qualquer tipo de manifestação de cunho machista ou de ataque a qualquer minoria. Por conta das circunstâncias, fica inviável saber quem produziu ou divulgou a imagem em questão.

    No entanto, como em qualquer praça esportiva com a existência de rivalidade entre as instituições envolvidas, as ofensas entre torcidas sempre estiveram presentes nas mais diversas formas. Diferentemente de eventos esportivos tradicionais, porém, o JUCS já está na sua terceira edição e nunca foi registrado sequer um conflito que tenha se elevado à violência. Todas as Associações Atléticas de Comunicação do Rio de Janeiro repudiam quaisquer manifestações de violência entre as delegações e atuam imediata e duramente para coibi-las, juntamente com a organização do evento feita pela JC2 Esportes. Inclusive, fora das praças esportivas o clima de integração entre as delegações é notório e sempre difundido pelos participantes e organizadores.

    Ao procurar o material e cânticos das torcidas em quaisquer jogos universitários, constata-se que as faculdades, sem exceção, possuem frases e objetos que visam desestabilizar das mais diversas formas a outra equipe, sua instituição e torcida. Dessa forma, nós reafirmamos nossa intenção de apoiar nossa faculdade da mesma maneira que nossos oponentes o fazem e nos integrarmos com eles sempre que estivermos fora das arquibancadas.

    Respaldados pelas leis vigentes, nós vamos ao veículo em questão buscar nosso direito de resposta para esclarecermos os fatos e defendermos nossos alunos e o nome da nossa instituição junto ao público.

    Estaremos maiores e em busca do bicampeonato em 2015

    Atenciosamente,
    Delegação da FACHA no JUCS 2014

    1. Isadora Responder

      Ou seja, já que todo mundo nesses jogos são machistas, a gente vai continuar sendo machista também.

    2. La Responder

      O problema é que vcs não pensam na hora de se manifestar contra as outras equipes e na hora de reproduzirem os cantos agressivos e machistas. Vcs só reproduzem o que foram passados a vcs, igual um papagaio, sem pensar, sem refletir. Pq não começam por reformular o que cantam nas festas e arquibancadas? Se deem mais o respeito e promovam a igualdade dentro do meio que, como sabemos, toda atletica tem mta influencia: a universidade. Parem de se comportar igual a papagaios, pensem antes de agir.

  2. Amanda Responder

    Não há porque se surpreender com o machismo de uma Atlética feita por gente que tá na faculdade há mais de 10 anos sem se formar, mamando no dinheiro de trote e atlética, e que só serve para promover o que há de errado: trambiques e preconceitos.

  3. Pedro Responder

    Nossa, humilhante colar essa nota, ela só piora o cenário de vocês justificando um ato machista por outros.


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