Nigéria: John McCain diz que enviaria tropas mesmo sem consentimento do governo local

Seguindo a tradição de intervir em um país estrangeiro sempre que sente vontade, ex-candidato à presidência norte-americano diz que não esperaria o presidente nigeriano autorizar a ação de militares dos EUA

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Seguindo a tradição de intervir em um país estrangeiro sempre que sente vontade, ex-candidato à presidência norte-americano diz que não esperaria o presidente nigeriano autorizar a ação de militares dos EUA

Por Vinicius Gomes

Em mais uma fala caracteristicamente arrogante de políticos norte-americanos, John McCain, senador republicano pelo Arizona que concorreu contra Obama em 2008, disse o seguinte nessa quarta-feira (14): “Se eles soubessem onde elas estão, eu certamente enviaria tropas norte-americanas parava resgatá-las, no mesmo minuto – sem a permissão do país anfitrião […] Eu não ficaria esperando a permissão de algum cara chamado Goodluck Jonathan…eu não me envolveria em gentilezas para conseguir a permissão do governo nigeriano”.

Claro que esse “algum cara” era, no caso, simplesmente o presidente da Nigéria. Tudo bem que ele seja corrupto, tenha demorado a agir na questão do sequestro e só o tenha feito por pressão internacional – mas ainda é o líder democraticamente eleito do país. Na verdade, não há novidade nenhuma nisso, uma vez que a prática comum dos EUA seja exatamente intervir em um país unilateralmente.

Até mesmo Bob Dreyfuss, o colunista conservador da norte-americana The Nation, teve que reconhecer que o senador “aparentemente nunca conheceu um país o qual ele não quisesse invadir, e agora quer invadir a Nigéria”. McCain fez grande pressão por anos para os EUA entrarem na Síria e recentemente discursou em Kiev ao lado do novo governo que tomou o poder na Ucrânia.

É certo que muitas pessoas se preocupem com a segurança das meninas. Todavia, infelizmente, o esforço para chamar a atenção a esse horror – com hashtags e rostos tristes – tem pouca utilidade sem um profundo entendimento das estruturas políticas em muitos países da África, como a Nigéria.

As nações ocidentais continuam interferindo nos assuntos dos países africanos como se a descolonização e independência deles, décadas atrás, nunca tivessem de fato ocorrido, e são exatamente nesses momentos de tragédia que a reação emocional instantânea deve ser freada. Principalmente se o apelo por intervenção partir dos EUA, um país com um péssimo histórico de envolvimento com assuntos que não são seus e que tem na “arrogância” um pré-requisito para entrar na política alheia (visto a fala de McCain).

A colunista Margaret Kimberly apontou: “Às vezes, a resposta para a pergunta ‘O que podemos fazer’ tem como resposta ‘Nada’. Não há nada que o cidadão norte-americano comum possa fazer” e, criar hashtags para pressionar os políticos em Washington – que já não são tão difíceis de se convencer – a enviar tropas para mais um país, definitivamente não é uma das melhores saídas.



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