A família, as lésbicas, a novela e o machismo evidente

Após superar o tabu do beijo entre homossexuais, a telenovela encontra um novo: a rejeição dos casais gays que vivem iguais aos heterossexuais

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Após superar o tabu do beijo entre homossexuais, a telenovela encontra um novo: a rejeição dos casais gays que vivem iguais aos heterossexuais

Por Marcelo Hailer

Sempre que o ibope de uma novela da Rede Globo não decola é de praxe que a emissora coloque nas ruas uma equipe para dialogar com a população e buscar entender o que está dando certo e o que está dando errado. É o caso da atual produção exibida na faixa das 21h, “Em Família”, de autoria de Manoel Carlos. Entre as várias questões tratadas na pesquisa, destaque para a trama de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Muller), pois, pra quem não sabe, estão em vias de engatar uma relação, porém, Clara é casada com Cadu (Reynaldo Gianecchini). E o resultado do levantamento é bem paradoxal e revelador ao mesmo tempo.

De acordo com a pesquisa descobriu-se que a maioria do público aprova a relação entre Clara e Marina, porém, não querem que as duas vivam como um casal heterossexual, ou seja, não querem vê-las acordando juntas, se beijando e trocando afeto, daí que podemos induzir um forte grau de repulsa por parte do telespectador naquilo que diz respeito a outras sexualidades possíveis, bem como um forte grau de machismo e conservadorismo. Por mais que se higienizem os corpos abjetos, a rejeição ao afeto homossexual ainda é muito forte. Tudo bem duas mulheres da classe média, brancas, magras, femininas serem amigas, daí querer viver como “heterossexuais”, não pode.

O lado bom da pesquisa é que o autor poderá dar um final feliz ao casal, visto que a história delas é melhor avaliada do que o núcleo central. Ainda assim, o autor deverá pisar em ovos no conduzir da trama lésbica, pois a pesquisa indica um forte apoio, mas, se elas resolverem “viver” como os outros casais podem adquirir rejeição do público e isso pode afetar o ibope do produto e fazer com que a história seja eliminada.

A pesquisa revela algo muito importante: superado o tabu do beijo, entra-se na fase do “viver como”, é como se as pessoas que se entendem como heterossexuais dissessem: este tipo de vida não é pra vocês. O que também denota um forte conservadorismo contraditório. Parte dos sujeitos que vive dentro da norma sexual aponta aqueles fora da norma como pessoas “imorais”, “promíscuas” e por aí abaixo, mas, quando uma telenovela resolve tratar de um casal lésbico que vive no padrão heteronormativo, causa rejeição. Porém, esta rejeição tem endereço e gênero.

Em 1998 a novela “Torre de Babel”, de Silvio de Abreu, passou por um drama parecido, mas com desfecho trágico. O casal formado por Silvia Pfeifer e Christiane Torloni, que vivia um cotidiano dentro da norma sexual gerou forte reação negativa e o autor não teve dúvida: na explosão do shopping eliminou as duas. De lá pra cá se passaram 16 anos e sabemos que Clara e Marina muito provavelmente vão terminar juntas e talvez com um beijo no último capítulo.

Agora chama a atenção que casais homossexuais masculinos não causem tal rejeição, isso se tratando de casais que vivem juntos e tomam café da manhã. Lembremos de “Paraíso Tropical”, de Gilberto Braga, com o casal Rodrigo e Tiago que, mesmo masculinizados levavam um cotidiano normativo com direito a troca de carinhos e discussão na cama. E mais recentemente Felix e Niko, não moravam juntos, mas as cenas entre os dois eram pra lá de íntimas e afetivas. E conquistaram todo o público.

O que Marina e Clara deixam claro é que, nem na novela o destino da mulher pode ser autônomo e muito menos fora do esquadro da família margarina. E o público só passou a apoiar Clara porque o seu marido está em um flerte com a médica que fez o transplante de seu coração. Ou seja, agora que ele encontrou outra mulher, Clara pode se jogar no romance com Marina. Não há exemplo mais objetivo do que este para entender do que se trata a estrutura heteronormativa. Homens vivendo juntos pode, mulheres não. Aqui o machismo não é latente, é evidente. Homens vivendo juntos pode, mulheres não.

É neste sentido que a subversão do sistema heteronormativo é tão importante, pois, a rejeição ao “viver como” não é diretamente ao fato de Clara e Marina serem lésbicas e isso a pesquisa revelou. Trata-se da ideia enraizada de que os corpos femininos não podem se deslocar dos espaços de gênero que lhes foram arquitetonicamente destinados, pois, isso é subverter a ordem… Talvez em algum produto que seja exibido por volta das 23h ou na TV à cabo rompa-se (o que já acontece), mas a telenovela não pode incentivar tais ideias, pois, como “programa da família”, estes corpos esquisitos não podem povoar… Na verdade podem, até a página cinco.



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39 comments

  1. maria Responder

    Eu acho q as duas mulheres, seja elas marina e clara ou maria e silvia,nao importa o nome, qdo amamos ,não podemos perder a chance de sermos felizes. Quero salientar q sou uma mulher madura, tenho filhas mulher, e nunca coloquei a elas a incerteza de q sao livres .

  2. Julia Responder

    Suscribo cada una de las frases de este artículo. Es triste ver cómo pese a que hay avances sociales, en materia de derechos civiles, etc., las mentalidades no cambian a la misma velocidad. ¿Qué sentido tiene decir que estamos de acuerdo con una pareja gay, pero no con el hecho de que expresen su amor? ¿por qué tanto miedo a normalizar una realidad social? Yo pienso ¿quiénes somos para prohibir a otra persona vivir y sentir? A mí personalmente no me gustaría que otra persona me dijera a quién puedo besar, a quien puedo querer o cómo puedo expresar mis sentimientos. (nota-. soy hetero, con pareja muy estable y ya con unos cuantos años).

  3. M. Responder

    Gostei bastante do texto. Só os insensatos não conseguem enxergar a hipocrisia por trás de seus discursos sem embasamento lógico algum. Aos poucos, eles querendo ou não, essas barreiras vão ser transpostas. O preconceito e a intolerância vão aos poucos, em passos lentos, definhando e seus colaboradores ridicularizados.

    Abraço! E FAZ CONTINUAR!

  4. Marcia Santos Responder

    A novela é toda chata, Mais do mesmo, Um saco. eu já troquei de canal faz tempo e o casal de lésbicas não teve nada a ver com essa decisão…

  5. Ana Responder

    Muito bom texto. É algo que eu tb venho dizendo sempre que defendo o romance de Clara e Marina: a questão é o machismo, e o pior é que, a maioria são mulheres a atacar as duas. N me conformo da globo se converter aos conservadores e tratar a relação delas com excesso de pudores, contribuindo assim com o machismo e preconceito contra a mulher. Elas passam um amor tão bonito, e ainda nem são um casal, quando se tornarem devem demonstrar afeto sim. Vamos parar de hipocrisia!

  6. Fernanda Dobrovolski Scherer Responder

    Novela muito ruim . Enredo manjado e pobre .

  7. João Paulo Responder

    Parabéns pelo texto concordo plenamente.Mas acho que a Rede Globo deveria romper essas barreiras e permitir que a historia delas fosse realmente contada como deveria ser,sem censuras.

  8. alice Responder

    Me lembro que Niko e Felix agradavam bastante, tanto que o beijo foi muito comemorado.Ja em se tratando do casal lesbico a empolgaçao nao eh a mesma, me fazendo crer que na sociedade o homem gay ainda eh mais aceito q a lesbica, que tem sua sexualidade as vezes pouco compreendida.

  9. Milena mathias Responder

    o machismo vem das proprias mulheres,pois elas sao os maiores telespectadores das telenovelas.pois o fato de ver um homem em um momento intimo e romantico com outro homem e mais facil delas aceitarem,ha um precoceito em relacao as mulheres,uma mulher em relacao intima c outra e um sonho erotico p os homens e infelzmente eles nao sao os espectadores das novelas.rs.sou a favor sim de igualdade na tv,devem sim mostrar!!

  10. Cyar Responder

    E lamentável q o machismo impere com o apoio da mídia. A rede globo eh conhecedora desse fato, eh inadmissível q se proponha a contar estória de lésbicas e não mostre seus cotidianos. Eh tão machista q se curva ao conservadorismo. Entao nao faça, eh um desserviço a civilidade e um retrocesso aos direitos das mulheres.

  11. Tatiana Responder

    Parabéns, excelente o artigo! Tocou no ponto certo: a sexualidade da mulher, seus corpos e seus desejos estão servindo ao patriarcalismo há quase 10.000. O fato de as mulheres quererem tomar posse de seus corpos, de seus desejos, e, em última análise, de suas vidas, assusta o sistema patriarcal, os conservadores. Por isso que o lesbianismo assusta muito mais aos conservadores do que a homossexualidade masculina.

    É tempo de mudança! As mulheres estão tomando posse de si mesmas e esse é um caminho sem volta, felizmente.

  12. Maria P. Responder

    O texto esta totalmente certo, sempre notei todo este preconceito das pessoas com casais lésbicos, digo isso por que na minha casa minha mãe e minhas irmãs sempre adoraram o casal Niko e Felix torceram por eles ate o final, mas no caso de Clara e Marina elas dizem que têm nojo da novela só por causa das duas… “Aqui o machismo não é latente, é evidente. Homens vivendo juntos pode, mulheres não.” Há vá…

  13. luisa mara gonsalves Responder

    parabéns pelo texto.mostra realmente que o preconceito de muitas pessoas naõ e’contra o homossexualismo ,mas sim contra a mulher,muitos machistas até aceitam perder sua mulher para outro homem,mas nunca pra uma mulher…espero que o Manoel de um final feliz pra Clara e para a Marina e mostre para os preconceituosos e machistas que duas mulheres tem tanto direito de ser feliz
    como dois homens.

  14. agata Responder

    um bando de machista torço por clarina

  15. amanda sousa Responder

    Melhor texto que já li sobre a novela, falou tudo.
    O que vejo na rejeição a elas é MUITO mais machismo do que homofobia.

  16. Luma Responder

    Nossa muito bravo o seu artigo, merece muitas palmas parabéns.

  17. Marcia Responder

    Eu acredito que da parte da globo não há problema algum, pois a cena que foi mostrado ontem no dia 17 de Marina e Vanessa, só faltou o beijo e esse está reservado para Marina e Clara.

  18. cristina Responder

    Não tenho preconceito, acho que o amor vem em primeiro lugar. Mais no caso da Clara e da Marina foge do meu limite… Deixar uma família estruturada como era no começo da novela, pra viver um romance homosexual! #Sempreconceito # familiaeamor

  19. Márcia Gomes Responder

    A novela é muito ruim, o contexto adotado é muito chato.
    Não tenho nada contra a homossexualidade, só não concordo com a banalização do casamento, ele transformou uma relação até então estável, de amor, uma família e transformou um qualquer coisa.
    A fidelidade ao casamento possou a ser uma coisa qualquer.
    Se fosse de duas mulheres livres sem laços afetivos definido, acho eu q a aceitação seria muito melhor.
    Alem deste fator, a novela é muito chata e praticamente todos os todos os temas existentes e abordado na minha opinião estão sendo abordado de forma pouco produtiva.

  20. Ana Responder

    Na minha opinião, o que “incomoda” na novela não tem nada a ver com o romance das duas personagens, e sim com a “trama principal”, envolvendo o romance de Luiza e Laerte. O nome diz “Em Família”, mas tudo que se pode ver nesta trama é a destruição do respeito entre mãe e filha, que para mim é muito mais digno de rejeição entre a população do que um romance homossexual. O núcleo é totalmente elitizado, fútil e desrespeitoso. Vemos conflitos fúteis, uma burguesinha mimada (Luiza) que se arrisca em uma paixão pelo ex-noivo de sua mãe, que quase matou seu pai e o enterrou vivo. OI? Preferia que o núcleo principal realmente fosse o conflito de uma personagem mãe de família se envolvendo com outra mulher, seria muito mais digno.

  21. Sandro Vilanova Responder

    Impressionante as coisas que uma revista de vanguarda deixa passar afora com a paranoia com o genero, ficou ridicula essa associação e essa leitura psicologica das massas, Leia Nestor Perlongue – A prostituição Viril em SP

  22. Mazarelo Rodrigues Responder

    No começo até me interessei pela trama. Gostaria de saber como a emissora iria “dialogar” com os telespectadores sobre um tema tão polêmico, como é o da orientação sexual. Romance lésbico? Não é novidade, até pq o SBT mostrou sem pudores, com direito a beijo de língua e relações sexuais. Uma coisa me incomodou muito. O fato de, no início a personagem Marina posa de pegadora, volúvel, inquieta e que é capaz de qualquer coisa para ter uma mulher, mesmo que para isso destrua uma relação estável. Clara mostra ser uma mulher comum que se vê numa situação onde ela pode sair da rotina e Cadu é o cara tranquilo e sem sal. Lição velha que reforça o discurso machista de que “quando uma mulher casada se junta com outra é pq o marido não está lá essas coisas”. Embora tenha consciencia de que até as mulheres se comportam e pensam desta forma, não pude evitar de me sentir chateada quando ouvi de amigas minhas, lésbicas, a fatídica frase “Olha, tá vendo aí? Se o cara der bobeira, a gente pega!” Bem, todas as vezes em que vi o casal Marina e Clara, tive a mesma sensação: A família, firme e forte, como uma monumento a ser venerado em detrimento do sentimento. A fidelidade ao que está socialmente pré estabelecido.

  23. Bibe Responder

    Que o machismo é grande no Brasil não há dúvidas, mas é muito simplista resumir a questão do casal Clara e Marina apenas nisto, sem levar em conta o contexto da novela na qual estão inseridas e a própria cultura brasileira. O “problema” de clarina é o mesmo que afeta a novela inteira, inclusive o casal heterossexual principal, Laerte e Luiza: a importância que o brasileiro dá às relações familiares e a forma como percebemos essas relações. O brasileiro não tem um conceito de família nuclear, composto apenas por pai-mãe-filho (importado dos enlatados americanos e que alguns deputados estão tentando impor por força de lei), mas sim um conceito de família estendida, mais parecido com o conceito de clã. Esse conceito inclui o papai-mamãe-filhinho, claro, mas também avós, irmãos, tios, primos, agregados, etc. É por isso que o brasileiro até tolera ver, em novelas, arranjos familiares diferentes, mesmo que os considerem meio “tortos”, desde que percebam ali uma família. Foi por isso que aceitaram Félix e Nico em Amor à vida, Cadinho e Suelen em Avenida Brasil, e a personagem da Leona Cavalli em Duas Caras – só para citar os que eu lembro.

    Nico passou a novela inteira lutando para ser pai e formar uma família, e no final deu ao Félix a família harmoniosa da qual o anti-herói tanto sentia falta. A cena final deles com os filhos, a nora e cuidando do pai doente foi bem simbólica nesse sentido. Marina, ao contrário, não quer formar uma família nem parece dar muita importância para isso, já que tenta conquistar a todo custo uma mulher casada sem demonstrar muito peso na consciência. Ela quer “apenas” viver um grande amor. Para completar, tem o Gianechinni – um ator querido pelo público – interpretando um marido bonzinho, doente e enganado. Cadu está no papel da mocinha da história, então é mais fácil o público se identificar com o drama dele.

    Para piorar a situação, Clara e Cadu eram os “mais normais” e harmoniosos em uma família que já está, ela própria, desmoronando-se em uma velocidade inversamente proporcional à velocidade da trama. Foi fácil para o público se apegar a eles já que não havia em quem mais se apoiar.

    É preciso levar em consideração a trama da novela, que trata da dupla derrocada de uma família. No passado, a família antes unida se separou quando as irmãs brigaram por causa do Laerte (o que ele fez foi praticamente um fratricídio, pois se criou junto com Virgílio). Vinte anos depois, um dos lados, a família da Chica, aos trancos e barrancos se reestruturou, com Clara e Cadu como os “mais fofos” (ou menos doidos) do clã. Daí a tia maluca por criança surta e se separa; Laerte reaparece e começa namorar Luíza, provocando o rompimento desta com Helena; a briga da Luíza com Helena provoca uma crise entre Helena e Virgílio; Marina aparece e causa a separação de Clara e Cadu; ainda não aconteceu, mas já dá para imaginar o médico alcoólatra surtando quando perceber que a médica que ele gosta está tentando conquistar o seu cunhado. Ou seja, nesse enredo, Marina acabou aparecendo como um dos ataques que causam o desmoronamento dessa família.

    Para quem não tem motivações políticas para torcer, é fácil entender o porquê do incômodo com a personagem Marina, que não está muito longe do incômodo com o Laerte e o Jairo.

    Manoel Carlos deveria ter mostrado a história de clarina de uma forma diferente, menos fetichista e mais próxima daquilo que o público gosta de ver, com valores e clichês que o público preza, como o Walcir Carrasco fez com Félix e Nico. Como primeiro casal lésbico com um romance protagonista em uma novela, elas mereciam mais cuidado na trama.

  24. Lena Responder

    porra, na moral, quem assiste a essa novela sabe que esse casal é simplesmente odioso. Não tem nada a ver com a família de margarina sendo destruída, é apenas uma família feliz e uma mulher mimada e abusante que começa a se jogar em cima da outra descaradamente. Desastre total. Que merda que seja um casal de lésbicas, mas é trash mesmo, difícil de defender.

    Se Félix e Niko conquistaram o público, isso aconteceu também porque eram dois atores fantásticos interpretando personagens interessantes com uma história envolvente. Simples assim.

    1. Carla Freire Responder

      Félix era engraçado e por isso conquistou o público. Mas ele era um psicopata! Se um cara desse jogasse o seu filho na caçamba de lixo, roubasse o seu pai nos negócios da família, maltratasse todo mundo com piadinhas irônicas de péssimo gosto… Você iria amar essa pessoa? EU quero o Félix longe da minha família. Isso sim, destrói uma família.Péssimo exemplo para as crianças!!

  25. Felipe Viero Responder

    O texto traz, sem dúvidas, discussões muito importantes. E, sem dúvida, articula questões essenciais como a heteronormatividade, a abjeção dos corpos estranhos e, por conseguinte, as normas das quais se escapam. Um bom ponto de partida, portanto. Mas receio que o olhar a ser lançado sobre o assunto mereça ser visto com mais criticidade. Por que a surpresa ante o casal gay, que é branco, de classe média e masculinizado que era bem visto na novela de Gilberto Braga? Por que pensar que o único final feliz para Clara e Marina seria o dia após dia, com café na cama e passeio pelas ruas do Leblon? Há que se perguntar, claramente, porque apenas esses espaços são os permitidos e porque apenas esses corpos (olha, vejam só, também brancos, também classe média, também condizentes com seus gêneros pressupostos), e não outros que subvertam ainda mais a norma, podem estar ali, no horário nobre. Se pensarmos, sim, que há quinze anos, Silvia Pfeifer e Christiane Torloni iam pelos ares em Torre de Babel, então sim, temos um avanço. Afinal, entre a explosão e a higienização, intelectual e pessoalmente, prefiro a última opção. O que não significa o mesmo que dizer, vale o destaque, que devemos apenas aplaudir. Tivemos um beijo gay na novela das 21 horas. E isso foi discutido e comemorado como deveria ser. Agora precisa-se de mais do que isso. Outras possibilidades de viver o gênero e a sexualidade também existem e, nesse processo de higienização, são ainda mais marginalizadas. Se, nos anos oitenta e noventa, o discurso da telenovela era: “Não seja gay/lésbica”, talvez o discurso agora, dos anos 2000, seja “seja esse gay/ essa lésbica”. Mudanças, sim, mas que seguem domesticando corpos, dizendo como as vidas devem ser vividas e, principalmente, relegando tantos sujeitos à abjeção.

  26. Bibe Responder

    Nossa, que legal, vocês só publicam comentários que concordam com o texto de vocês. Aqueles que discordam, mesmo que bem argumentados e não-ofensivos, vocês censuram. Lembrar-me-ei disso sempre que alguém comentar sobre a – pouca – idoneidade moral deste veículo. E, claro, sempre que algum pseudojornalista levantar a bandeira hipócrita da liberdade de imprensa.

  27. Karina Responder

    Bem, acredito que vcs estão levando a rejeição pra um lado um pouco exagerado, não acho que seja machismo algum.. pelo contrario desde que me conheço por gente vejo as pessoas comentarem que mulheres podem ser homossexuais mas homem não!!!(é nojenato!!! blablabla mulher e bonito!!!) esse pensamento sim! e machista!!!!
    Agora a rejeição do casal lésbico com certeza tem uma razão muito mais ligada ao personagem do “Cadu” papel de marido lindo, simpático, carinhoso, paizão, e aparentemente sera traído!! isso inevitavelmente defendemos por instinto… a população em geral hipócrita ou não! Não concorda com traição, a não ser que o traído de uma razão (mau caráter, mulherengo etc) e na minha opinião é isso que aconteceu na novela um casal lésbico que para se formar implica na destruição de uma família Feliz!

  28. Rodrigo Responder

    E continuamos perdendo tempo com discussões sem futuro. Enquanto isso o país está um caos. Deve ser por que existem lésbicas e machismo mesmo.
    Acordem!!!

    1. karina Responder

      Bom ,em primeiro lugar preconceito sempre existiu e sempre existirá,o nome já diz pré. Conceito daquilo que não se conhece … Vivo como um casal normal ha mais de 6 anos tenho um filho que vive com a gente ,porque somos normais … Tenho problemas como todos casais normais alias acredito que menos ate porque hoje com tanta violência doméstica hoje são os casos mais registrados nas delegacias do pais violência contra a mulher e são os próprios companheiros …. Bem gente cada um vive como quer somos livres …esta na Constituição. Temos livre arbítrio somos livres senão em virtude da lei ..

  29. Carla Freire Responder

    Sensacional a matéria! No Brasil existe o “PRECONCEITO VELADO” do tipo: Eu não sou preconceituoso, mas os gays não devem se beijar em público, não quero que meus filhos vejam isso. O AMOR entre iguais é recriminado… É tido como safadeza. Agora, um homem com duas mulheres na cama é aceito como normal, faz parte da natureza do homem com H. Puro machismo!! Cenas de violência, de corrupção, de filhos desrespeitando os pais… Tudo isso pode ser visto pela família brasileira, faz parte da sociedade. Agora, o AMOR enter duas mulheres vai destruir uma família? Oi?!

  30. Lucas Responder

    fada-se esse texto ridiculo, ninguem é obrigado a gostar de ver homossexuais se agarrando! voces querem ferir a liberdade de opinião das pessoas com essa ditadura gay ridiula

  31. ubirajara caputo Responder

    As conclusões da matéria me parecem discutíveis. Acho que no caso de Félix e Niko houve uma empatia enorme com o público. Eles poderiam fazer o que quisessem. Se as meninas da novela tivessem conseguido a mesma empatia com o público, não haveria machismo que resistisse.

  32. Diego Souza Leão Responder

    Cara, ninguém é obrigado a aceitar casais homossexuais na tv aberta. Casais esses que a maioria dos que apoiam são de bixas e sapatões… Essa ditadura gay tenta cada vez mais empurrar na sociedade que essas relações são normais, sendo que não são. A prova é o fracasso dessa novela. Melhor assistir Os Simpsons na Bandeirantes ou a programação da SKY, que já tratei de assinar a muito tempo!

  33. luciana Responder

    Não gosto desse tema abordado ,duas novelas seguidas ,parecem que querem nos enfiar guela abaixo o homossexuais, eu entendo, tenho muito amigos, e eu os adoro, mas não gosto da maneira que vcs parecem querer impor isso dentro das famílias, essas coisas acontecem naturalmente, e nao tão forçado como vcs estão forçando a nos simpatizar.

  34. Marcio McNamara Responder

    Essa novela ”Em Familia” tem vários problemas, na verdade inúmeros, mas é algo dificil entender o motivo pelo qual a novela já começou com audiência baixa. Provavelmente o elenco não agradou. E a última novela do Manoel Carlos era horrorosa, isso deve ter criado anti-corpos, entende?
    Veja alguns erros de ”Em Familia”
    1-Luiza é Morena e seus pais são brancos
    2-A árvore da abertura é antipática
    3-Muitos personagens negros deixam o telespectador com dificuldade de indentifica-los
    4-Fica aparecendo freiras na novela, que horror
    5-Aqueles vestidos longos da Juliana. Eu sei, é para vender na internet
    6-No incio da novela, tinha a ”momento em familia”, que droga era aquela? Foi tirado.
    7-A personagem Clara uma hora aparece na sua casa, com o Cadu, e outra hora aparece na casa da Marina. A Clara deve ficar o dia todo indo da casa dela para a casa da Marina.
    8-Por que o Nando tem que morar justamente ao lado da casa da Juliana?
    9-A Neidinha, quando morava em Goias, era esperta. Participou de um concurso de desfile de lingerie (isso existe?). Mas quando a Neidinha foi para o Rio de Janeiro, a Neidinha ficou abestalhada e foi estruprada.
    10-A Helena disse que queria tirar o Laerte definitivamente de sua vida, mas deixou as fotos para a Luiza olhar.
    11-A Chica, no começo da novela, era uma mulher recatada. Mas depois, ao conhecer o Ricardo, tornou-se uma mulher ,digamos, livre, leve e solta.
    12-A Chica não quer que a Luiza namore com o Laerte. Mas ela, Chica, pode namorar tranquilamente com o Ricardo.

  35. Aleilton Oliveira Responder

    Acredito que o autor foi um pouco infeliz ao analisar de maneira simplória a situação. Embora o seu texto seja muito bom e concordo com a maioia.
    1- a novela não tem Ibope pq tem enredo pobre e é manjado. O povo já cansou dessa chatisse.
    2- o público em geral não é contra homossexuais. Principalmente mulheres.
    3- mesmo os que brincam e as vezes até zoam os outros com isso. No fundo não tem nada contra.
    4- os costumes sempre mudaram lentamente em qualquer sociedade, não adianta forçar a barra.
    5- esse casal ja apareceu de maneira forçada, como se fosse so pq no caso de Félix deu certo, aí, obrigatoriamente ja teria qur ter outro casal que o pessoal tivesse que gostar. Leve em consideração que o personagem de Mateus Solano conquistou o público pelo excelente papel que o ator conseguiu desempenhar,
    Ao contrario das cenas melancolicas do casal em “em damília”
    6- por último, mesmo quem nao tem nada contra, muitas vezes entende. Mas t filhos e filhas pequenas e se preocupa em como as criancas entenderao esse mundo. Por exemplo, eu prefiro que minha filha quado crescer tenha relação hetero e nem por isso eu vou querer que ela veja cenas de sexo, desde cedo. Acreditamos que devemos ensinar e entender ou aceitar tudo, mas tudo em seu tempo. A preocupação maior das famílias é que isto não seja um incentivo desde cedo. Não vejo isso como machismo ou preconceito. Embora concorde que haja tambem, mas devemos ver as coisas de maneira mais ampla.

  36. Marta Responder

    Gostei muito do que Bibe escreveu. A maioria das pessoas não rejeita o casal Marina e Clara, mas sim o fato de que Marina fez tudo, mas tudo mesmo, para separar um casal com filho pequeno ( e o marido ainda por cima era Gianechini). Muito diferente de Félix e Carneirinho da novela anterior. O público é conservador sim, acha que família é a coisa mais importante, que deve ser preservada. E isso está errado? Acho que não.


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