O aumento do militarismo e da extrema-direita na Suécia

Antes modelo para o resto do mundo, país se alinha cada vez mais a Washington-Bruxelas e partidos extremistas locais fomentam o ódio contra imigrantes

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Antes modelo para o resto do mundo, país se alinha cada vez mais a Washington-Bruxelas e partidos extremistas locais fomentam o ódio contra imigrantes

Por Vinicius Gomes

A visão da Suécia como um país progressista, modelo de governança e defensor da lei internacional e direitos humanos pode estar, infelizmente, desatualizado. Após passar por duas guerras mundiais como um Estado neutro e não-alinhado durante as décadas de Guerra Fria, os suecos parecem se inclinar cada vez mais rapidamente para o radicalismo da extrema-direita e o militarismo de Washington/Bruxelas.

As próximas eleições presidenciais do país estão marcadas para setembro desse ano, e o atual governo de centro-direita já disse que, se reeleito, irá aumentar significativamente o orçamento para a Defesa, em resposta à crescente ameaça da….Rússia, obviamente.

O propósito de aumentar sua presença militar com mais jatos e submarinos no Báltico vai ao encontro das ambições da Otan (a qual a Suécia não faz parte) em encurralar Moscou cada vez mais – uma vez que as três antigas repúblicas soviéticas da região, Lituânia, Estônia e Letônia, já são membros da organização.

O alinhamento cada vez mais próximo de um dos países mais elogiados pela comunidade internacional ao braço militar norte-americano na Europa já foi percebido durante o ataque à Líbia, em 2011, quando os suecos enviaram seus aviões para o país de Qadaffi, mesmo que apenas conduzindo missões de reconhecimento e não de bombardeio. Agora, ainda nesta semana, o governo sueco decidiu aceitar que aviões AWACS passassem pelo espaço aéreo sueco em conexão com as missões da Otan na Ucrânia.

Segundo Jan Oberg, essas mudanças fundamentais foram iniciadas no governo social-democrata do primeiro-ministro Goran Persson (1996-2006) e continuaram a ser conduzidas sem qualquer tipo de debate público.

Os sinais da guinada sueca também apareceram anos atrás com a conquista de assentos no Parlamento pelo partido de extrema-direita “Democratas Suecos”, uma legenda assumidamente anti-imigração, com um histórico de nazismo e nacionalismo. Fato que se contrapõe à tolerância tradicional e histórica do país para com imigrantes. A Suécia recebeu milhares de refugiados do Chile nos anos 70, do Irã e do Iraque nos anos 80, da Somália e dos Bálcãs nos anos 90, e novamente do Iraque na década seguinte e mais recentemente, os sírios. No entanto, após a ascensão da extrema-direita, foram registrados 5.520 “crimes de ódio” racial, em 2012 e em 2013, e denunciados cerca de 300 ataques contra imigrantes muçulmanos.

Com a extrema-direita ganhando cada vez mais força para as futuras eleições no Parlamento Europeu, em 25 de maio, e o eixo EUA-Otan-União Europeia vilanizando a Rússia de Putin no mundo inteiro, a guinada da Suécia tem tudo para ficar a 180° da velha visão do país como modelo.



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1 comment

  1. Elias Responder

    Eu não concordo com nada que é escrito por vcs até tento. Mas vamos lá outro texto cheio de bobagens de esquerda, a aproximação com os USA demonstra claramente que a Suécia passa longe de tudo que é de esquerda por sinal milionários do mundo todo depositam suas fortunas nos bancos de lá, estão se armando pois a Russia essa sim autoritária na essência devido a tendencia de esquerda possui intenções claras contra a Europa, a Suécia está correta em se aliar com os USA e não apenas ela mas todos os países livres e democráticos contra o fantasma da URSS.


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