A brincadeira da mídia com a opinião pública

De repente, como num passe de mágica, grupos de mídia fazem uma pausa e, em conjunto, passam a enxergar as virtudes da Copa - maior evento publicitário do ano para eles

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De repente, como num passe de mágica, grupos de mídia fazem uma pausa e, em conjunto, passam a enxergar as virtudes da Copa – maior evento publicitário do ano para eles

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

É inacreditável o nível de autossuficiência atingido pelos grupos de mídia, na fase mais crítica da sua história.

Meses e meses batendo nos gastos da Copa, ajudando a criar essa barafunda informacional, de misturar investimentos em estádios com gastos orçamentários, criticando os “elefantes brancos”, anotando cada detalhe incompleto de obras que ainda não estavam prontas, ignorando o enorme investimento na imagem do país.

De repente, como num passe de mágica, fazem uma pausa e, em conjunto, passam a enxergar as virtudes da Copa – maior evento publicitário do ano para eles.

O Estadão solta enorme matéria sobre “a Copa das Copas”, lembra o óbvio – vai ser o evento de maior visibilidade para o Brasil, em sua história. 14 mil jornalistas levando a imagem do país para todos os cantos, o maior público de televisão para um evento.

A Folha dá o óbvio incompleto: a informação de que os gastos com a Copa representam um naco dos gastos com educação. Não ousou explicar que são recursos dierentes, que financiamentos não podem ser confundidos com gastos orçamentários, que gastos com obras são permanentes. Mas vá lá!

O que é impressionante é supor que se pode brincar dessa maneira com a opinião de seus leitores, levá-las para onde quiser, ao sabor da manchete do momento, da estratégia de ocasião. Será que não há uma cabeça estratégica para explicar que essa desconsideração para com o leitor é veneno na veia da credibilidade?

Dia desses o Ministro Aldo Rabello ao que parece assimilou as críticas contra sua ausência dos debates da Copa e deu uma boa entrevista a TV Brasil, com números e argumentos sólidos.

A explicação para a anomia do governo com o tema foi chocante. O marqueteiro do Palácio desaconselhou qualquer campanha de esclarecimento porque, segundo ele, as pessoas não estavam associando Copa com governo e a campanha poderia estabelecer essa associação.

Foto de capa: Daniel Basil CC-BY-3.0-br



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7 comments

  1. Vinicius Ribeiro Responder

    Não vai ter Copa!?
    Éé… Não vai ter pro pobre.

    Também não vai ter moradia digna. Transporte público gratuito de qualidade, nem pensar. Pro pobre.

    Pras classes mais baixas sobraram as remoções, os subempregos nas obras superfaturadas e uma pelada em algum estádio inacabado.

    Já os ricos terão BRTs, metrôs, trens e hotéis preparados para recebê-los com o que há de melhor.
    Em São Paulo, vai ser possível chegar da Avenida Paulista à Itaquera em menos de vinte minutos. No Rio de Janeiro, da Barra da Tijuca ao Maracanã também por volta de vinte minutos, com ao menos uma alternativa gratuita. Em Recife, cerca de duas mil famílias foram desapropriadas para dar lugar a um estádio e, em um futuro próximo, a hotéis.

    O governo jura que gastou apenas oito bilhões (pouco né) com os estádios e garante que essa cifra voltará para os cofres públicos. Como se não fosse mais do que sabido que o governo perdoa dívidas de grandes corporações ano sim e ano também (aliás, esse custo é infinitamente maior que o do Bolsa Família).

    Globo e governo tentam convencer de que a Copa deixará um legado sem precedentes, fizeram desse discurso um mantra. Pergunto, pra quem? Pras nove famílias que perderam seus filhos nas obras dos estádios? Um deles no elefante branco de Manaus, outro no elefante branco de Cuiabá. Esses dois estádios somados custaram pouco mais de um bilhão de reais e duas vidas. Ou seja, nem se fizer o Rock in Rio em um e o Lollapalooza no outro vai ser possível pagar o custo financeiro e social desses estádios.

    Propaga-se que quando a bola rolar o povo vai esquecer de tudo o que foi feito nos últimos sete anos em prol da Copa. Apostam na memória curta e no amor pelo futebol. O Brasil vive um estado de exceção apoiado e patrocinado pela FIFA, o exército no Complexo da Maré evidencia isso. As mazelas sociais foram escancaradas, pior, foram acentuadas.
    A Copa do Mundo no Brasil pro brasileiro médio e pobre é tão distante quanto foi a da África do Sul, da Alemanha, do Japão…

    Quando a bola rolar, o povo brasileiro vai torcer pela seleção brasileira, ouvir o chato do Galvão Bueno, tomar a boa e velha caipirinha ao som de um bom e velho samba, como sempre fez. Mas, desta vez com um pesar, esta é aqui e não precisava ser.

  2. Brasileiro Responder

    “14 mil jornalistas levando a imagem do país para todos os cantos, o maior público de televisão para um evento.” Acontece que a mídia internacional já está no Brasil, fazendo matérias a mais de 2 meses, preparando material para veicular durante a Copa, e pode perceber e entender a diferença do país real, da propaganda oficial! Os atrasos nas obras dos Estádios, não é culpa da Mídia Nacional, a falta de infra-estrutura também, todos chegaram aqui pelos principais aeroportos e puderam sentir a precariedade e o mal funcionamento deles, além disso a própria FIFA declarou que não vai ser fácil a locomoção interna aqui! As obras de mobilidade urbana, também na sua maioria não saíram do papel, e mesmo o Lula vem dizer agora que é “basbaquice” querer chegar de metro aos Estádios! Portanto, quem não soube se planejar, se organizar, fazer a gestão correta, coibir a corrupção e os desvios de verbas, dos nossos “gargalos”, foram exatamente as autoridades que reclamam dos jornalistas! Imagina quando começarem a sair os cadernos especiais principalmente sobre a Amazônia, com o desmatamento, o avanço dos ruralistas, assassinatos de lideranças rurais e indígenas, as usinas de Belo Monte, Jirau e Sto Antônio, as mudanças climáticas e seus efeitos no Sudeste e em todo país, ou o governo acredita que ninguém está vendo todas essas anormalidades também? Ou acreditam que os jornalistas estão aqui, somente pra ver futebol e que a Amazônia e as “mudanças climáticas” não são uma pauta mundial? Quanta ingenuidade!

  3. Leonardo Responder

    Não afeta a credibilidade substanciamente. De alguma forma,o fluxo massivo de informações dificultam a retenção na memória, por parte dos leitores, de tais guinadas editorais. O segundo ponto é que a proximidade com o início do evento esta despertando o afã do povo brasileiro, e parece que é desse tipo de sentimento que as reportagens querem se beneficiar.

  4. Samuel Responder

    Os dois posts acima se desvirtuam do texto, que fala sobre a mudança de posicionamento da mídia. Está complicado de entender? Bora fazer aulas de interpretação de texto e parar de poluir com asneiras ou informações redundantes que todos com um pouco de conhecimento já sabem. Recomendo a página de esportes no site da globo. Vão se lambuzar lah.

  5. Natália Responder

    Reparei na repentina mudança de tom da mídia. De repente as pesquisas dizem que ‘aceitamos a Copa aqui’, que ‘somos, na grande maioria, contra os protestos’, ‘que quando começar a Copa entraremos no clima’ e tal.
    Quando vi esse título na folha de que ‘os gastos totais com a Copa equivalem aos gastos de um mês com a educação’, me perguntei se foi considerado o gasto da teoria ou o da prática. Porque, na prática, a impressão que dá é que na educação se passam vários meses com os recursos de um… Nesse raciocínio, daqui a pouco vão dizer que é como um mês de gastos com o SUS…
    E não tenho porque pensar que os ganhos da Copa serão retornados à população — que pagou por ela.

  6. João Luíz Alves de Oliveira Responder

    Senhores somente os mais idiotas dos mortais poderiam acreditar na campanha pelo PSDB feita pela mídia brasileira, desde 2004, principalmente no q

  7. João Luíz Alves de Oliveira Responder

    Senhores, somente os mais imbecis dos idiotas é que acreditam na campanha que a grande mídia brasileira ,que sempre foi marrom e vendida, faz para o PSDB, desde 2004, principalmente quando se trata da copa, mas os comentaristas acima poderiam pelo menos, ler o que pretendem comentar. Vejam por exemplo quando o Luis fala da diferença entre investimentos e gastos orçamentários, se não me engano o Brasil atualmente cerca de 6% do PIB com educação. São mais ou menos 14000000, 14 bilhões mensais de reais, os gastos da copa são 17000000. entenderam?

    Ademais, citem outro país que não queira fazer uma copa do mundo de futebol. Essa discussão é ridícula, parece a daqueles desinformados que foram para a rua carregar pirulito, não há aqui referência à infantilidade, para reivindicar mudança nas políticas públicas e nunca foram a uma audiência pública, nunca participaram de nenhuma conferência sobre política pública nunca se elegeram ou votaram para um conselho municipal de política pública, todos os cidadãos são chamados a isso. Aqueles que não sabem do que estão falando, vão carregar pirulito.
    Quindo não tínhamos democracia ou governo democrático precisávamos reivindicar, hoje PRECISAMOS PARTICIPAR DOS PROCESSOS DECISÓRIOS SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS. OCIDADÃO BRASILEIRO É LIVRE E PODE PARTICIPAR, BASTA QUERER.


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