Wikileaks diz que EUA espionam “quase todas” as ligações no Afeganistão

“Um crime de espionagem em massa está sendo cometido contra um estado e toda a sua população”, alertou Assange

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“Um crime de espionagem em massa está sendo cometido contra um estado e toda a sua população”, alertou Assange

Por Charles Nisz, na Opera Mundi

O Wikileaks cumpriu a promessa e vazou nesta sexta-feira (23/05) o nome do país do qual a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espiona “quase todas” as ligações telefônicas.No dia 19 de maio de 2014, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald em reportagem para o site Intercept, divulgou o nome de quatro países espionados pelos EUA com o uso da ferramenta Somalget: Bahamas, México, Quênia e Filipinas.

No entanto, Greenwald se recusou a divulgar o nome do quinto país espionado. Em discussão travada em tempo real pela rede social Twitter, o jornalista disse ter ocultado o nome do quinto país espionado pelos EUA para proteger a vida de civis.

Já o Wikileaks, prometeu vazar o nome do país em 72 horas pois ocultar a informação seria negar ao povo de um país inteiro o direito de saber que está sendo espionado para fins políticos e militares.“Até hoje, não sabemos de nenhuma evidência fornecida por algum governo de que os nossos vazamentos tenham causado risco a alguma vida”, diz o comunicado do Wikileaks.

Editor do site Wikileaks, o jornalista australiano Julian Assange, não revela como o site identificou o país espionado para proteger as fontes, mas afirma que a informação pode ser verificada pela análise forense de uma censura aplicada de forma imperfeita nos documentos relativos que já foram divulgados e cruzamentos de dados com outros programas da NSA.“Um crime de espionagem em massa está sendo cometido contra um estado e toda a sua população”, alertou Assange.

Ele manda um claro recado ao site Intercept e ao jornal Wasington Post, responsáveis por vazar a maioria das informações sobre a espionagem nesses cinco países: “Não acreditamos que seja o papel da mídia ajudar e estimular um Estado (EUA) a escapar de ser pego e julgado por um grave crime cometido contra outro país”.

Somalget e drones

Em junho de 2013, Greenwald e o analista de sistemas Edward Snowden revelaram a existência do PRISM, um programa de espionagem do governo norte-americano com a colaboração de empresas de tecnologia como Google, Microsoft, Apple, Facebook e outras. Agora, vem à tona um programa de espionagem telefônica.

Parte de um programa maior, chamado MYSTIC – no qual foram obtidos metadados (números discados e duração das ligações) – é ainda mais controverso: os EUA armazenaram o conteúdo das ligações telefônicas de Bahamas e do Afeganistão por 30 dias. O Wikileaks resolveu revelar essa captura de dados para mostrar como as ligações estavam sendo usadas para direcionar os ataques de drones em território afegão.

“Sabemos por vazamentos anteriores que o programa de interceptação de dados e ligações telefônicas da NSA é um componente importante no programa de alvos de drones do governo dos EUA. Esse programa de drones matou dezenas de milhares de mulheres e crianças no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália, numa violação das leis internacionais. Não revelar o nome de um país espionado é ajudar diretamente na morte de pessoas inocentes”, pontua Assange.

Foto de capa: US Army



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