Eleições: em Portugal o maior vencedor foi a abstenção

As duas quase certezas para as eleições europeias: a alta abstenção e a extrema-direita ganhando terreno; mesmo assim, o Parlamento manteve a maioria que defende a União Europeia

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As duas quase certezas para as eleições europeias: a alta abstenção e a extrema-direita ganhando terreno; mesmo assim, o Parlamento manteve a maioria que defende a União Europeia

Por Redação

O “euroceticismo” que antecedeu as eleições europeias com a escalada dos partidos de extrema-direita no continente parece não ter vingado. Os primeiros resultados oficiais das eleições realizadas entre os dias 22 e 25 de maio, registraram um índice de participação de 44%, dando cerca de 70% dos 751 assentos no Parlamento Europeu aos partidos pró-União Europeia.

No entanto, em Portugal, o grande vencedor foi a abstenção: apenas 34,5% dos eleitores foram às urnas, dando vitória ao Partido Socialista (PS), com 31,5%, conseguindo assim seu melhor resultado desde a última eleição, em 2009.

Portugal contava com 9,7 milhões de eleitores para a eleição dos 21 deputados que representariam o país junto ao Parlamento Europeu, dentro dos 16 partidos que pleiteavam o assento no órgão legislativo do bloco. Os socialistas elegeram oito eurodeputados, tendo um representante a mais do que a coligação do governo, a Aliança Portugal que reunia o Partido Social Democrata e o CDS (Partido Popular).

As consequências para a eleição na Comissão Europeia

O Parlamento Europeu desempenha um papel significativo no processo de construção de leis, em conjunto com o Conselho da União Europeia (UE). Após as eleições, segundo o Tratado de Lisboa, o Conselho Europeu deve sugerir uma pessoa para ocupar a presidência da Comissão Europeia, levando em conta o resultado das eleições, sendo que o Parlamento deve aprovar o nome por maioria de seus membros.

Como o analista político Nicolas Chernavsky aponta, pela primeira vez na história, esta é a grande a chance do Parlamento Europeu escolher o presidente da Comissão Europeia, o que seria o líder do órgão executivo da UE. “O Parlamento Europeu utiliza bem mais os princípios democráticos que o Conselho Europeu. Em primeiro lugar, no Conselho Europeu, o representante de um país vota por todo o país, enquanto que no Parlamento Europeu, os diferentes setores do país se fazem representar. Isso aumenta a qualidade da representação. Outro fator muito importante nesse sentido é que no Parlamento Europeu a decisão seria tomada por maioria de seus membros, ou seja, no mínimo 376 dos 751 componentes”, explica Chernavsky.

O cargo fica vago este ano, e os resultados da eleição parlamentar são altamente relevantes para a definição de quem será esse presidente – principalmente pelo fato de os dois maiores partidos políticos europeus dentro do parlamento, EPP (Partido Popular Europeu) e o PES (Partido Socialista Europeu) terem apresentado seus candidatos à UE.



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