“Podemos”: da indignação nas ruas da Espanha para o Parlamento Europeu

Nascido dos “indignados” do 15M, o partido espanhol de apenas três meses elegeu cinco deputados para o Parlamento Europeu Por Vinicius Gomes...

1074 3

Nascido dos “indignados” do 15M, o partido espanhol de apenas três meses elegeu cinco deputados para o Parlamento Europeu

Por Vinicius Gomes

O resultado das eleições para o Parlamento Europeu deste domingo (25) levantou arrepios pela ascensão dos partidos de extrema-direita – notoriamente na França, seguida da Áustria e Dinamarca – e também pelo avanço dos “eurocéticos” e partidos anti-Europa, tendo seus principais exemplos na Alemanha e no Reino Unido.

No entanto, para contrapor o clima de pessimismo quanto ao futuro extremista e desunido da Europa, uma das novidades positivas foi o partido espanhol Podemos. Nascido do gigantesco movimento social de protesto de 2011, os “indignados” do movimento 15M, e institucionalizado como partido há três meses, o Podemos conseguiu eleger cinco deputados ao reunir cerca de 1,2 milhões de votos (7,94%), tornando-se a quarta força política mais votada da Espanha.

Na época do 15M, foi sugerido que nunca o país havia tido tantos movimentos sociais desde a luta contra Franco, no final da década de 1930. A diferença, no caso, foi que o movimento entendeu que sua estrutura deveria ser horizontal, sem lideranças e em rede. Não à toa que seu líder,  Pablo Iglesias, sempre se recusou a “apoderar-se” do movimento, e mostrou em pouco tempo como os gritos das ruas podem – e devem – ganhar representação política. “Poucos esperavam um resultado como esse”, disse Iglesias. “Os partidos da ‘casta’ tiveram um dos piores resultados de sua história”, completou.

A “casta” no caso era o bipartidarismo forte que existe na Espanha e uma das maiores bandeiras eleitorais do Podemos foi o combate ao Partido Popular (PP) e ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). As tradicionais siglas não conseguiram manter a hegemonia dos anos anteriores: juntos ficaram abaixo dos 50% de votos, perdendo mais de cinco milhões de eleitores em relação ao último pleito, em 2009.

Algumas das diferenças do Podemos para outros dos principais partidos de esquerda na Europa podem ser apontadas em temas como a proporção de homens e mulheres entre seus candidatos – alternação de um homem, uma mulher; com as primárias tendo sido realizadas online –, e pelo fato de seu financiamento ter sido viabilizado por doações voluntárias.

“Outros [partidos] pedem dinheiro aos bancos e acabam se endividando, em nosso caso, a única dívida que temos é para com as pessoas, que são nossa fonte de financiamento”, afirmou Iglesias. As contribuições vieram de milhares de pessoas que enxergaram no partido uma forma de se recuperar da desastrosa realidade vivida pela Espanha, um dos países mais atingidos pela crise econômica na Europa e que ostenta a maior taxa de desemprego do bloco europeu por conta das drásticas medidas de austeridade impostas ao país.

Mesmo assim, os conservadores do PP foram maioria nas eleições de 25 de maio, elegendo 16 deputados, enquanto o PSOE conseguiu 14. Uma demonstração do sentimento de derrota foi expressa por Alfredo Pérez Rubalcaba, o líder socialista que renunciou e convocou um congresso extraordinário do PSOE para 19 e 20 de julho. “Não recuperamos a confiança dos cidadãos”, disse.

Daí também vem o sentimento de vitória do Podemos, que conseguiu entrar em uma das principais instituições europeias em pouquíssimo tempo. Além de Iglesias, foram eleitos Teresa Rodríguez, professora e ativista do “Marea Verde”; Carlos Jiménez Villarejo, que trabalhou contra corrupção anteriormente; a cientista social Lola Sánchez e Pablo Echenique-Robba, titular do Conselho Superior de Investigações Científicas.



No artigo


x