“Rio em Chamas”: um filme-manifestação

Dez produtoras e doze diretores se uniram para documentar a crise que se passa no Rio de Janeiro desde junho de 2013

708 1

Dez produtoras e doze diretores se uniram para documentar a crise que se passa no Rio de Janeiro desde junho de 2013

Por Isadora Otoni

rioAs manifestações que se alastraram pelo Brasil em junho de 2013 fazem parte de um evento histórico. Sendo assim, é normal que sejam feitas diversas análises sobre a sua relevância. Desta vez, a reflexão sobre os protestos populares ganha o formato de um filme: “Rio em Chamas”.

Mais de 50 pessoas, com dez produtoras e doze diretores, se uniram para documentar a crise que se passa no Rio de Janeiro desde meados do ano passado até o início deste ano. Os colaboradores já estavam em contato desde o início das mobilizações e sentiam necessidade de um cinema contestador.

Os responsáveis pelo documentário o denominaram de “filme-manifestação”. Daniel Caetano, um dos diretores e idealizador da obra, explica: “O discurso do poder e da grande mídia acaba se impondo, mas não é o que vai ser necessariamente lembrado daqui a muito tempo. Então a gente uniu as mídias ativistas para um alcance diferente, para fazer um filme militante”. Neste momento de conflito, ele identifica a grande mídia como parceira dos megaeventos. Portanto, o cinema serve de contraponto.

As mobilizações retratadas em “Rio em Chamas” começam com a luta pela diminuição da tarifa do transporte público, bandeira proposta pelo Movimento Passe Livre. “Estes protestos ganharam força num contexto de grandes investimentos financeiros, gerados por eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas”, descreve o documentário. Para Daniel, o objetivo mais forte, no entanto, é o fim da violência policial.

“O que levou milhares de pessoas a se manifestar pelo Passe Livre foram as imagens da violência policial”, analisa o diretor. Provavelmente, as ruas foram tomadas porque a classe média sentiu pela primeira vez parte da violência a que os mais pobres são submetidos na periferia. Por isso, Daniel questiona: “Não é apenas acabar com a polícia militar. Do que adianta acabar com a polícia militar se a civil é violenta?”.

O último episódio do documentário, que passa após os créditos, é um protesto pela morte do jovem Douglas Rafael da Silva Pereira. Conhecido como DG, ele era dançarino no programa Esquenta, da Rede Globo. Assim como Amarildo e Cláudia Ferreira da Silva, o jovem foi assassinado pela polícia militar fluminense.

Daniel Caetano não arrisca palpitar se as mobilizações de 2014 serão tão relevantes como a do ano passado. A única coisa que o diretor espera é que os manifestantes sejam mais criminalizados. “Eu espero que as pessoas sejam respeitadas, ao contrário das que não foram em junho de 2013, mas eu duvido”, disse.

Assista online:

RIO EM CHAMAS from Duas Mariola Filmes on Vimeo.

(Crédito da foto de capa: Mídia Ninja)



No artigo

1 comment

  1. Tati Responder

    O texto está um pouco confuso em alguns momentos. Sugiro que deem uma revisada, mas gostei bastante da proposta. Sucesso pra vcs e continuo acompanhando a Forum. Abs.


x