Uruguai: após regulação da maconha, mortes por tráfico chegam a zero

A afirmação é do secretário nacional de drogas do Uruguai, que participou nesta segunda-feira (2) de debate na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Por Vinicius Gomes...

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A afirmação é do secretário nacional de drogas do Uruguai, que participou nesta segunda-feira (2) de debate na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado

Por Vinicius Gomes

Nesta segunda-feira (2), durante debates na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado a respeito de regulamentação da maconha para uso recreativo, medicinal e industrial, o secretário nacional de drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada, afirmou que seu país – o único no mundo a legalizar o cultivo, a comercialização e distribuição da maconha – conseguiu reduzir a zero o número de mortes ligadas ao uso e ao comércio da droga. A legalização foi decretada pelo presidente José Mujica há menos de um mês.

Ainda que reconhecendo que a legalização da maconha possa elevar o número de usuários, Calzada alega que “vale a pena correr o risco do aumento, desde que reduza o aumento de mortes pelo tráfico de drogas”, como relatou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), coordenador da discussão sobre o tema na CDH. O senador ainda diz que, antes de apresentar seu relatório aos integrantes da comissão, ele pretende realizar audiências com especialistas de diversos setores. Para o senador, a responsabilidade de o relatório estar em suas mãos é um “abacaxi”: “Gastei muitos anos de vida para ser o senador da educação. Não quero o carimbo de ‘senador que liberou a maconha’. Se tiver de colaborar para isso, salienta, será por “uma obrigação histórica”, da qual não possa correr, como explicou em entrevista concedida à Agência Senado na quinta-feira (28).

Mesmo assim, o senador ressaltou que uma das maneiras de se livrar do tráfico de drogas é a regulamentação: “Vamos continuar vivendo com tráfico de drogas? Não. Como vamos nos livrar do tráfico? Uma das propostas que têm hoje é a regulamentação”. Além disso, o representante uruguaio também disse acreditar que a “combinação com outras ferramentas de política pública, em aspectos culturais e sociais, poderá modificar padrões de consumo e levar ao êxito na redução de usuários”.

Na audiência pública de ontem, a maioria das vozes era contrária à aplicação da experiência uruguaia no Brasil. Luiz Bassuma, ex-deputado federal, apontou que a atual população do Uruguai, em sua totalidade, provavelmente corresponde ao mesmo número de usuários de drogas no Brasil, cerca de três milhões. Bassuma argumentou que a facilitação do consumo de drogas refletiria diretamente em crianças e adolescentes e disse que regulamentar seu uso – mesmo em nome do fim da guerra contra o narcotráfico que clama a vida de milhares de pessoas todos os anos – seria incorreto.

Segundo a presidenta da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES), a sugestão apresentada por meio de iniciativa popular foi apoiada por cerca de 20 mil pessoas em nove dias. Se tiver apoio dos parlamentares, a proposta pode ser convertida em projeto de lei. Nessa terça-feira (3), Calzada participou do seminário “Drogas: A experiência do Uruguai, um caminho fora da guerra”, em Porto Alegre.



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17 comments

  1. Bruno Responder

    Perigo para as crianças se legalizar??? Ta doido? Perigo para as crianças existe hoje que é totalmente liberado em sem controle. Hoje crianças vendem maconha para outras crianças dentro de escolas – quer mais liberado que isso? Legalização significa controle – um dono de bar honesto não venderia drogas para crianças, já o traficante não pede RG.

    Legalizar é a melhor forma de manter as drogas longe do alcance das crianças!

  2. Elias Responder

    E as outras drogas não matam mais? Os traficantes estão estudando para trabalhar agora kkkkkkkkkk? Texto fraco demais, pura propaganda politica, o domínio do mercado das drogas pelo estado é uma saída nesse continente infestado de drogados, infelizmente a maioria da população tem que conviver com drogas na sociedade e matança gerada graças a eles, mas esse texto é quase infantil propondo que a violência ira reduzir devido ao controle da maconha, pode cair a violência do trafico mas certamente, roubos e sequestros aumentaram.

    1. Gustavo Responder

      Estude mais um pouco. A maconha é responsável por cerca de 80% do trafico no Brasil. Conseguir diminuir esse 80% já é um grande passo, esse que a repressão que é mais cara e ineficaz não conseguiu. Alem disso ira diminuir a violência causada pelo trafico. e tbm diminuiu a entrada de jovens para outras drogas, pois aonde eles compram maconha, vende crack, cocaina, doce, bala…

    2. Paulo Responder

      Meu caro amigo Elias. você não faz ideia das palavras citadas em seu comentário. Com certeza você faz parte das pessoas que apoiam uma cultura retrograda, em achar que a proibição soluciona algo, mas ja vimos em anos de experiencia que essa politica de proibição é falha. devemos seguir exemplos de paises como: Portugal, Holanda e Uruguai, que a partir da descriminalização ou legalização da Maconha houve redução da criminalidade em função do trafico. a ultima frase citada em teu comentaria nao condiz nada com a realidade atual desta política.

    3. Dayan Responder

      Elias, maconha não tem relação com roubos e sequestros. A proibição sim. Álcool é a droga que mais prejudica usuários e pessoas ao redor. Você está falando de uma erva natural sem se informar. Já pensou que o problema pode ser você?

      1. Carlos Henrique Responder

        Droga é droga, solução seria diminui o número de usuário, ou legalizar as drogas ilícitas, legalizando inicialmente iria aumentar a oferta de drogas, qualquer um iria poder vender, aumentando a oferta com certeza diminuirá o preço, chegando ao ponto de plantar a maconha não ser um negócio importante, tendo oferta acaba o recrutamento de novos usuários, ou seja, usar maconha se tornará uma coisa careta, sendo legal ninguém precisar se esconder para usar, usar em qualquer lugar vai incomodar as pessoas que não usam, inclusivas as mães que hoje protege os filhos que usar. Hoje 60% das pessoas que usa, os familiares não sabem que eles usam, legalizado o elemento que vai usar não poder comprar escondido, o preço vai cair, ninguém justificar roubos para comprar drogas, se alegar a culpa é dele e não do traficante, ou seja do caro que vendeu, porque ele vendeu porque é legalizado. Legalizado o crac, a maconha, a cocaina, vai ser interessante para ninguém trazer para o país, devido o preço baixo comercializado. As drogas só tem o preço que tem devido a proibição. E quem usa qualquer droga só usa com a intenção de fazer o mal, porque é ilegal.

    4. Leonardo Responder

      O comentário anterior (Elias, 3 de junho) é o retrato da massa brasileira de ideias defendidas com base em nada. Sem lógica, com frases fundadas em achismos inacreditáveis como “pode cair a violência do trafico mas certamente, roubos e sequestros aumentaram” (sic)

    5. Rodrigo Xavier Responder

      Concordo contigo, amigo. A questão não é, simplesmente, descriminalizar. O grande avanço está na conscientização do perigo do uso de qualquer tipo de droga.
      Mas o Uruguai possui uma política educacional muito boa e seus índices de escolaridade são maiores que os do Brasil.
      O que o Mujica fez para o Uruguai foi muito mais que legalizar o uso da maconha. Ele é um exemplo de pessoa. Exemplos impactam muito mais que falas. Enquanto os pequenos uruguaios escutam que seu presidente sai do palácio e abriga sem teto no lugar, nós escutamos que a nossa presidente fazia parte do contrato que tomou 1 bilhão de dólares da Petrobras.
      Política não é só discurso e leis. Esse grande homem vai deixar um bom legado em seu país.

      1. Vanderson Ribeiro Responder

        Pessoal,com ou sem violencia,o fato e que,mesmo nao regulamentada,a maconha,como outras drogas,continuam circulando normalmente.Dessa forma,por que nao regularizar e controlar o consumo ??

  3. GabiSabe Responder

    O quilo de maconha vale mais de mil reais. Um quilo de arroz 3 reais. Nem com todo o $$$ dos Estados Unidos para a Guerra as Drogas epara a segurança, eles conseguiram acabar com o comércio ilegal das drogas. Regulamentando, cobrando impostos dos produtores e da distribuição, este dinheiro ficará nas mãos do governo e saíra das mãos dos traficantes. A maconha não mata de overdose, o que mata é o trafico ilegal e o alto valor atribuído ao produto. A indústria que mais ganha com essa guerra das drogas é a indústria bélica.

  4. DOCONTRA Responder

    AH ENTENDI , !!!A MACONHA O GOVERNO VAI VENDER ,,,E OUTRAS DROGAS,?????EX, COCAÍNA,CRACK . E OUTRAS PESADAS.,,,QUEM IRÁ VENDER , HEIM …. !!!????IDIOTAS .

    1. João Pedro Torres Responder

      Usar Caps Lock para aparecer também é coisa de idiota.

  5. Marcus Responder

    Se ele disse diminuiu x ou y%, teria alguma coerência, mas distante deste “zeramento” absoluto só posso crer que quando ele esta analisando as estatísticas ele tava dando um “tapa” também, ehhehe

    1. Guilherme Responder

      Provavelmente o número de mortes por mes já era pequeno, e o intervalo de um mes também é curto. Não sei se houve alteração em dados, é uma possibilidade mas não tem como saber. Agora o importante é esperar mais tempo pra ver os resultados no longo prazo, que acredito serão positivos.

    2. Rafael Responder

      Chega ao zero o número de mortes por tráfico da droga sim. Se legalizou acabou com o tráfico, logo não há guerra nem mortes em um contexto que não existe mais!

  6. Gustavo de Carvalho Responder

    Só conseguiremos mudar o “status quo” experimentando novas tendências. E o que vem sendo feito no Uruguay, sim, está dando certo! É, demasiado, irracional e infundado acreditar que o proibicionismo é a melhor tendência. Já deu errado!!!
    O “Plano Colômbia” e a “Guerra contra as Drogas” não apenas devastou milhares de hectares de terras produtivas (não apenas plantações de coca, cultura de subsistência também) como criou um enorme problema social no país vizinho. O lucro obtido pelo proibicionismo (defendido por ultra-conservadores) vai para megacorporações dos mais variados ramos!
    É hipócrita acreditar que a maconha não é usada e “liberalizada” nas altas classes. Se tens filhos na Universidade Pública, certamente ele já experimentou (para que não se choque muito – talvez casualmente). Mas enfim na elite econômica, cultural e universitária o proibicionismo não causa efeitos!
    Quem sempre sofre são os já, sempre excluídos, da sociedade!
    É hora de parar de sermos “umbigóides” e avaliar uma postura, diga-se de passagem avant-garde, que está dando certo.

  7. Guilherme Responder

    Alguém sabe qual era o número de mortes antes da legalização? Não achei isso em nenhum lugar, e sem isso não da pra quantificar o efeito. Não da pra saber se diminui de 1000 mortes pra 0 ou de 1 pra 0.
    Ah, e falar q zerou o número de mortes pelo uso é redundante já que nunca ninguém no mundo morreu por overdose de maconha.


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