Dono de bar nos EUA “recria” uma favela para os jogos da Copa

A ideia de oferecer uma experiência de acompanhar os jogos da Copa com um ambiente customizado de favela tem causado polêmica entre os próprios norte-americanos

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A ideia de oferecer uma experiência de acompanhar os jogos da Copa com um ambiente customizado de favela tem causado polêmica entre os próprios norte-americanos

Por Redação

Com o objetivo de oferecer uma experiência única para seus clientes, um bar na cidade norte-americana de Milwaukee “recriou” uma favela para que todos acompanhassem os jogos da Copa do Mundo como se estivessem, de fato, no Brasil.

No site do estabelecimento, lê-se:

“A Copa do Mundo começa esta semana e Milwaukee está pronta. E, obviamente, o Nomad World Pub está pronto também […] O evento no Nomad inclui a construção temporária de um quintal inspirado pelas cores e o espírito das favelas do Rio de Janeiro. A ‘favela Nomad’ está localizada em um estacionamento e consiste em um bar com mesas de prancha de surfe, um barraco de tacos Belair Cantina e uma grande área aberta para todos os jogos da Copa serem assistidos em seis grandes televisores”.

No entanto, a brilhante ideia do dono do bar de criar uma favela do Rio com ares de resort em Bali servindo comida mexicana, não caiu bem. O site deathandtaxes, por exemplo, escreveu de maneira sarcástica que o bar serviria para todos aqueles que sempre quiseram ter a experiência do glamour romântico da pobreza, mas claro, sem todas aquelas depressivas pessoas pobres. E também aponta que uma das ironias sobre essa história, foi o fato de inúmeros atos de protestos terem ocorrido contra a Copa, justamente no Brasil. No BuzzFeed, foi apontado que como se a ideia não fosse rude o suficiente, as páginas do bar no Facebook e Twitter ainda escreveram “fuvela”. “Nada legal, Nomad Bar. Nada legal”, criticou o BuzzFeed.

O mais crítico de todos foi o jornalista David Zirin, que recentemente publicou o livro “A dança do Brasil com o diabo: a Copa do Mundo, as Olimpíadas e a luta pela democracia”, onde ele relata todos os custos – com despejos, gastos bilionários e repressão policial, por exemplo – para a realização desses grandes eventos globais. É possível ver seus tuítes abaixo:

Cima: "Eu estarei em uma favela do Rio em 48h. Talvez nós possamos construir uma homenagem à americanos feios e ignorantes do @NomadMilwaukee"; Baixo:  "Prezado "NomadMilwaukee, a realidade da pobreza, violência policial e condições da ocupação militar nas favelas não são piada e nem uma festa de faculdade com samba".
Em cima: “Eu estarei em uma favela do Rio em 48h. Talvez nós possamos construir uma homenagem à americanos feios e ignorantes do @NomadMilwaukee”; Embaixo: “Prezado “NomadMilwaukee, a realidade da pobreza, violência policial e condições da ocupação militar nas favelas não são piada e nem uma festa de faculdade com samba”.

O dono do bar Mike Eitel diz que muitas das pessoas que o estão criticando não sabiam nem o que a palavra “favela” significava há uma semana. “Existem muitas discussões sobre o que está acontecendo no Brasil. Ninguém aqui nos EUA dá a mínima ou sabe a respeito. Agora elas estão conversando sobre. E é isso o que a arte deve fazer: levantar discussões.”



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2 comments

  1. Sonia Mendes Alves Responder

    Somos livre para decorarmos nosso espaço como quisermos e o frequenta quem tb quiser, temos livre arbítrio.

  2. janaina covas Responder

    O futebol no Brasil, por vezes é o único lazer que o povo das favelas possui. Esse povo está curtindo a copa de onde quase nunca saiu. Suas casas nas favelas. Essa copa não foi feita para o povo mesmo. No entanto, o que se vê é um glamour em cima das favelas brasileiras. Em algumas favelas do Rio de Janeiro existe até passeio turístico. O sujeito paga um valor para visitar a favela. Como se pobre fosse bicho pra ser visto em zoológico. É um absurdo pitoresco. As pessoas que moram nas favelas vivem abaixo da linha da pobreza, convivem com dificuldades diárias para sobreviverem, não possuem acesso direto à educação e à cultura, em muitos locais convivem com esgoto a céu aberto, com exploracao da sexualidade, do trabalho infantil e do tráfico de drogas. São pessoas que são discriminadas por serem pobres e isolada do resto da sociedade. Mesmo assim, por vezes encontram alegria para ouvirem um samba e fazerem um churrasco no fim de semana. Não há glamour na violência, na pobreza, na miséria. O dono do bar desejou acender a discussão e disse que até pouco tempo antes da copa nenhum americano imaginava como é o nosso país, para esse senhor digo. Aqui é um país rico e como todo rico, explora a pobreza. Digo ao dono do bar que os americanos são absolutamente alienados e acham que se bastam no mundo. Hoje com tamanha tecnologia, não dá mais para ignorar o mundo e seus povos diferentes. Vão estudar! Somos um país com 27 estados, quase 200 milhões de habitantes, falamos português, temos um vasto acervo cultural, entre outros aspectos.


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