O Egito e sua guerra contra jornalistas

Cresce a campanha contra a perseguição do governo militar egípcio aos profissionais de comunicação Por Redação, com informações do Democracy Now...

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Cresce a campanha contra a perseguição do governo militar egípcio aos profissionais de comunicação

Por Redação, com informações do Democracy Now

Três jornalistas da Al Jazeera, Peter Greste, Mohamed Fahmy e Baher Mohamed foram sentenciados à prisão por supostamente terem difundido material informativo falso, além de colaborar com a Irmandade Muçulmana – que após ter visto seu presidente eleito ser derrubado por um golpe militar, foi classificada como “grupo terrorista” pelo novo governo egípcio.

Greste, australiano, e Fahmy,  egípcio-canadense, foram condenados a sete anos de prisão. Baher Mohamed, de nacionalidade egípcia, foi condenado a dez anos, aparentemente porque estava na posse de um cartucho de bala vazio, artigo que muitos jornalistas que cobrem conflitos apanham da rua como prova.

As condenações provocaram a indignação em todo o mundo, crescendo dia a dia um movimento pela libertação dos três jornalistas. No entanto, enquanto a administração Obama apoia a causa de libertá-los, ela também promete retomar a assistência militar ao Egito.

Antes de trabalhar para a Al-Jazeera, Peter Greste, tinha sido premiado pelo seu trabalho em todo o mundo para a Reuters e a BBC. Quando foi preso em 29 de dezembro de 2013 juntamente com os outros dois jornalistas, Mohamed Fahmy era o chefe da delegação da Al-Jazeera no Cairo. Ele já trabalhou para a CNN, foi colaborador do jornal New York Times.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas indicou: “Se bem que o centro da atenção tenha sido os jornalistas da Al-Jazeera, na realidade o Egito mantêm atualmente na prisão pelo menos catorze jornalistas, o que coloca este país entre os países mais repressivos do mundo”. A Anistia Internacional lançou uma campanha para que pessoas de todo mundo instem o presidente egípcio a libertar os jornalistas, através do envio de cartas ou telefonemas. No comunicado, a organização escreveu: “Os três homens são prisioneiros de consciência, encarcerados unicamente por exercer pacificamente o seu direito à livre expressão. O Egito deve retirar imediatamente as acusações contra os três jornalistas e colocá-los em liberdade”.

Numa carta enviada ao recentemente eleitoprresidente Fattah al-Sisi, mais de 75 jornalistas: “Como jornalistas, apoiamos a libertação de todos os nossos colegas egípcios ou do resto do mundo que possam ser encarcerados por fazer o que consideram que é o seu trabalho”.

Quando, na passada semana, foram pronunciadas as sentenças no tribunal, Mohamed Fahmy gritou da sua cela: “Onde está John Kerry?”. Era uma pergunta muito importante. No dia anterior à emissão do veredicto, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, encontrava-se no Cairo, em reunião com al-Sisi.

Nas salas de redação do mundo inteiro, desde os escritórios da BBC e do Toronto Star, até às salas de imprensa em Hong Kong, jornalistas e trabalhadores da imprensa estão a publicar fotos com as suas bocas tapadas com fita-cola, em protesto pela perseguição que o governo egípcio faz à imprensa.



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