Há racismo na produção audiovisual brasileira, avaliam especialistas

Para o cineasta Joel Zito Araújo, o racismo estrutural na sociedade brasileira reflete a baixa participação de mulheres negras no cinema nacional: elas representam apenas 4,4% do elenco principal dos filmes

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Para o cineasta Joel Zito Araújo, o racismo estrutural na sociedade brasileira reflete a baixa participação de mulheres negras no cinema nacional: elas representam apenas 4,4% do elenco principal dos filmes

Isabela Vieira, da Agência Brasil

baixa participação de mulheres negras* no cinema nacional é consequência de um elemento estrutural na sociedade brasileira: o racismo. A avaliação é do cineasta Joel Zito Araújo, que comentou pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) sobre os filmes brasileiros de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012. Para a diretora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Irene Ferraz, a escolaridade e o acesso a recursos para a produção audiovisual poderiam reverter esse quadro.

O estudo A Cara do Cinema Nacional constatou que nenhum dos 218 longas-metragens nacionais de maior bilheteria analisados no período contou com uma mulher negra na direção ou no roteiro. A presença delas nas telas também é baixa: atrizes pretas e pardas representaram apenas 4,4% do elenco principal desses filmes.

Segundo Araújo, que é P.H.D. pela Universidade de São Paulo (USP), aliado ao racismo, que invisibiliza produtores negros no cenário nacional, o padrão estético das produções atuais ainda está calçado em ideias do período colonial, provocando distorções em todas as artes, inclusive no cinema. “A supremacia branca, o reforço da representação dos brancos como uma ‘natural’ representação do humano é chave para tudo isso. O negro representa o outro, o feio, o pobre, o excluído, a minoria não desejada.” Por isso, segundo ele, não está nas telas.

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