Recomendação da OMS gera debate na comunidade gay

Coordenador de Políticas LGBT de São Paulo apoia o uso de antirretrovirais como prevenção de HIV, já líder da Parada LGBT alerta para preconceito associando a doença a homossexuais

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Coordenador de Políticas LGBT de São Paulo apoia o uso de antirretrovirais como prevenção de HIV, já líder da Parada LGBT alerta para preconceito associando a doença a homossexuais

Por Isadora Otoni

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que homens gays sexualmente ativos, além de usar camisinha, use antirretrovirais como prevenção de HIV, vírus da Aids. Segundo a OMS, a utilização do medicamento poderia reduzir em até 25% o número de pessoas contaminadas no mundo.

Além de homossexuais, a OMS também incluiu detentos em prisões, usuários de drogas injetáveis, prostitutas e transgêneros no grupo de pessoas mais vulneráveis ao HIV, chamado de “população-chave”. O diretor da OMS Gottfried Hirnschall declarou que 50% dos novos casos ocorrem nesse grupo.

Apesar da realidade de que homossexuais possuem 19 vezes mais chances de contrair o vírus, já que o sexo anal sem preservativo aumenta a chance de infecção, a comunidade gay se surpreendeu com a recomendação da OMS.

Para Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, a medida indicada pela OMS é leviana é pode trazer de volta o preconceito que associa a doença aos gays. “É sempre o público gay que é remetido à doença”, disse em entrevista ao portal UOL. Ele teme que a doença seja novamente chamada de “câncer gay”, como nos anos 80.

Já Alessandro Melchior, coordenador de Políticas LGBT da Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo, considera a recomendação pertinente. “Os dados no mundo têm indicado dificuldade em reduzir a epidemia na população de homens gays, entre outros segmentos mais vulneráveis”, justifica.

“A profilaxia pré-exposição [como é chamado uso] pode ser alternativa”, considera Alessandro, já que a mesma medida pós-exposição tem resultados de sucesso. Ainda assim, o coordenador acredita que o preservativo ainda deve ser prioridade. Outro ponto observado é que a distribuição do medicamento “não pode resultar em mais recursos públicos para poucos laboratórios privados”.

(Foto de capa: jarmoluk/Pixabay)



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