Luciana Genro: “A política não pode ser a arte de repetir o existente”

A candidata à presidência da República pelo Psol, Luciana Genro, foi entrevistada pela TV Fórum em edição especial realizada na última sexta-feira (18)

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A candidata à presidência da República pelo Psol, Luciana Genro, foi entrevistada pela TV Fórum em edição especial realizada na última sexta-feira (18)

Por Marcelo Hailer, na Fórum Semanal

Talvez muitos não saibam, mas Luciana Genro é egressa do movimento Fora Collor, quando ganhou visibilidade política em seu estado, o Rio Grande do Sul. Em 1995, aos 23 anos, foi eleita deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Desde então, a sua carreira política entrou em franca ascensão, sendo reeleita com o dobro de votos na eleição seguinte.

Em 2002, quando Lula se elegeu presidente, Genro conquistou o seu primeiro mandato como deputada federal, porém, já nesta época entrou em rota de colisão com a direção da legenda. O ápice do conflito aconteceu em 2004, quando o governo Lula apresentou sua proposta de Reforma da Previdência e orientou a sua bancada a votar favoravelmente, porém, Luciana Genro e outros membros do partido votaram contra e foram expulsos do PT.

Ao lado dos companheiros expulsos, Luciana Genro ajudou a fundar o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) que tem crescido e hoje conta com duas prefeituras: Itaocara (RJ) e Macapá (AP). Depois de Heloisa Helena e Plínio Arruda Sampaio (1930-2014), Genro assume a missão de disputar a presidência da República pelo Psol. Em entrevista concedida à TV Fórum, com a participação dos jornalistas Glauco Faria e Marcleo Hailer, a candidata falou sobre as principais propostas apresentadas em seu plano de governo e faz críticas à maneira como os meios de comunicação cobre as candidaturas. “A  grande mídia trata muito desigualmente os candidatos. Eles podem nos cortar de programas, entrevistas e da cobertura diária”, criticou.

A candidata do Psol também comentou a respeito dos gastos com as campanhas e declarou que é necessário acabar com o financiamento privado, destacando que sua candidatura apresenta um teto de 900 mil reais (que talvez não seja atingido). Para ela, as redes sociais serão “essenciais” para sua campanha.  “Nossa luta vai ser grande para chegar no quarto lugar e ultrapassar o pastor”, disse Genro, se referindo ao candidato do PSC Pastor Everaldo, que hoje está em quarto lugar com 3% das intenções de voto.

As manifestações de junho também foram pauta da entrevista e a candidata falou sobre como evitar que o voto dos descontentes com o atual cenário não migre para os candidatos conservadores, como ocorreu em países como Espanha, Egito e Turquia. “A decepção causada por essa esquerda que tinha um discurso contra corrupção, em defesa dos direitos sociais  e defesa pela igualdade, faz com que as pessoas busquem uma alternativa mais conservadora. Há um duelo entre as forças conservadoras que se expressam não só na candidatura do pastor, que é o ponto mais visível, mas esse duelo com as forças conservadoras se dá também com as candidaturas de partidos que têm uma aparência progressista mas que, no dia a dia da política, reforçam as ideias conservadoras”, avaliou.

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A prisão preventiva dos ativistas no Rio de Janeiro foi classificada por Genro como uma “afronta aos direitos constitucionais”. “As pessoas foram presas por supostamente estarem planejando um crime e, mesmo que ela estivessem, não poderiam ser presas, e não estavam planejando nada se estavam era uma manifestação… Há uma criminalização direta das manifestações”, disse. Ainda sobre a violência policial, a candidata relatou que antes de chegar para a entrevista policiais atiraram gás de pimenta em pessoas que a acompanhavam na caminhada de lançamento de sua candidatura em São Paulo. “A mentalidade da polícia fascistoide do [governador Geraldo] Alckmin é resultado de um governo fascistoide”.

Sobre se as suas propostas são viáveis, Luciana Genro disse:“A luta anticapitalista que nós travamos não é utópica no sentido de impossível, a política não pode ser a arte de repetir o existente, mas tem que criar o que ainda não existe”. Genro também defendeu os Conselhos Participativos, mas, em sua visão, eles têm que ser “menos consultivos e mais deliberativos”. Por fim, a candidata do Psol acusou os governos Lula e Dilma de terem abandonado a luta contra a homofobia e defendeu lei como mecanismos de inclusão das transexuais e travestis no mercado de trabalho.

A seguir, confira na íntegra a entrevista com Luciana Genro.

(Crédito da foto de capa: Reprodução/Facebook)



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