A “crise de sinceridade” do Santander

Desde a crise de 2008, os bancos privados nacionais e estrangeiros reduziram a participação na oferta de crédito, de 43% para 33% e de 21% para 16%, respectivamente. Curiosamente, porém, todos continuaram apresentando lucros espetaculares

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Desde a crise de 2008, os bancos privados nacionais e estrangeiros reduziram a participação na oferta de crédito, de 43% para 33% e de 21% para 16%, respectivamente. Curiosamente, porém, todos continuaram apresentando lucros espetaculares

Por Fernando Brito, do Tijolaço. Foto: https://www.flickr.com/photos/jeffbelmonte/

O Banco Santander desautorizou as previsões catastróficas feitas em um comunicado a seus clientes “top” – segundo o próprio banco, 0,18% dos correntistas – e disse que “e reitera sua convicção de que a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória de desenvolvimento.”

Mentira deslavada.

Uma parte expressiva do mercado financeiro joga o quanto pode por uma crise de credibilidade que mantenha a economia brasileira num quadro próximo à estagnação para tentar influir no cenário eleitoral.

Jogam na crise e tentam jogar o país na crise, com o seu exército de Cassandras.

E por isso os bancos reagiram com um sorriso amarelo à decisão do Banco Central de reduzir o depósito compulsório e aumentar o volume de recursos disponíveis para o crédito.

E crédito é o principal entrave ao crescimento do país, porque não apenas ele é pequeno sobre a massa total da economia (apenas 55% do PIB, em fevereiro, enquanto na China é de 251%, nos EUA de 260% , no Reino Unido, 277% e no Japão incríveis 415%).

Os bancos privados brasileiros não são parceiros do investimento produtivo. É do que menos vivem e só muito raramente participam de projetos estruturantes e de longo prazo.

Metade do crédito do país (hoje, até, ligeiramente mais que a metade) é provido pelos bancos públicos.

Desde a crise de 2008, os bancos privados nacionais e estrangeiros reduziram a participação na oferta de crédito, de 43% para 33% e de 21% para 16%, respectivamente.

Curiosamente, porém, todos continuaram apresentando lucros espetaculares.

A expansão do crédito no Brasil pouco ou nada tem a ver com o processo inflacionário.

Mas tem muito a ver com nosso desenvolvimento econômico.

E é por isso que agem assim.

Os bancos no mundo são, todos sabem, instrumentos dos famosos “1%”.

Aqui, como diz o comunicado do Santander, só dos “0,18%”.

Com poder, porém, para pretender determinar as escolhas dos 99,82%.

A turma que, como disse um dos seus executivos no encontro com Aécio, “vota com o estômago”.



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1 comment

  1. Obod Nassallah Responder

    * Sobre o Santander

    terça-feira, 29 de julho de 2014

    Como todos nós internautas, também fiquei sabendo das críticas dos analistas financeiros do banco Santander – capangas e capatazes do que há de mais sórdido no comando das instituições financeiras, bem como do mainstream da mídia – ao governo da CEO Sra. Dilma Roussef.

    Impossível não deixar de registrar aqui algumas palavras, para tentar desmistificar mais uma vez as falácias míopes dos neocons e dos neoliberais.

    Jogar contra o país não adianta nada. Só acumulará prejuízos para os seus clientes, de forma que não é racional, mesmo para analistas ligados à extrema direita ideológica do neo liberaismo, que de liberal tem muito pouco e menos ainda do capitalismo de ordem produtiva de bens e valores. É jogo de soma negativa, portanto, um risco incomum de análise que pode comprometer as fontes e a própria defesa de opinião dos analistas. No mercado, nas bolsas, as operações de compra e venda refletem sensivelmente, através dos operadores do sistema, os humores e fofocas do cotidiano. Jogar contra o mercado, com interesse de comprar mais baixo no futuro pode ser uma aposta muito arriscada e cara, se esta for a aposta. Por outro lado, nós já temos motivos de sobra para nos preocuparmos de fato com a possibilidade da bancarrota total do sistema financeiro, não com mais uma crise do capitalismo ou bolha especulativa.

    E, exatamente por isso , porque o petrodolar está com os dias contados, e com ele, o dolar como moeda padrão de trocas pelo sistema financeiro internacional. Daí não adiantará nada ser a primeira, a segunda, a sétima ou a vigésima economia do mundo. O caos vai ser total. Inclusive com guerras, injustas, de todos os tipos.

    O que a presidente da nação ou uma ceo de uma empresa tem que fazer durante todo o seu exercício de poder de mandatária número um é defender os interesses dos seus eleitores e representa-los perante outras instituições ou nações em instâncias internacionais. Nunca, por mais fascista que seja um estado, instituição ou corporação financeira, os seus colaboradores, principalmente o número um, deixará de interpor em defesa dos interesses corporativos, que afinal, são os seus interesses de poder e de classe.

    Infelizmente, mandatários seguem fielmente as regras do jogo porque se eles não seguem, poderão ser penalizados e perderem seus cargos, portanto, impossível haver possibilidades de traição, a não ser que o ceo esteja fazendo o jogo de um outro grupo, que deseja se apoderar da corporação ou da nação.

    Mas digo infelizmente porque os ceos deveriam transgredir mais vezes seus limites, e as regras do jogo, para defenderem melhor os direitos dos seus colaboradores e ativos culturais.

    Em fim, os ceos estão sempre na corda bamba, e esse pressuposto com certeza fez com que eles, os mais perigosos, se tornassem capazes de promover ações concatenadas para defender interesses geopolíticos e de aumento de participações num futuro mercado global sem fronteiras.

    Ações militares, inclusive, declarando zonas de segurança ou de exclusão, ou de sanções ou condenações econômicas.

    Isso tudo está a acontecer hoje, no mundo globalizado. E tudo o que acontecerá aqui, já aconteceu antes na meca do capitalismo, de forma que – como o real está completamente atrelado ao dólar – qualquer estiagem do dólar pode virar uma seca real do real.

    Isto o analista não diz, porque não pode dizer. Ora ora, se ele não pode dizer ao seu cliente, dos riscos do sistema financeiro baseado no dólar, também não pode dizer dos riscos associados ao real pela quebra substantiva do valor do dólar. Duplo-padrão, aliás, corriqueiro nos veículos ditos de “opinião” ou seja, do mainstream da mídia

    Também não pode dizer como a macroeconomia não funciona de acordo com os seus preceitos “de mercado”, se esquecendo-se que o tal mercado é um deus autofágico, e que ele – o tal mercado – vai passar por cima – com absoluta certeza – da cabeça desses jovens e alegres analistas do mercado financeiro, muito, muito antes do que eles poderiam imaginar.

    Por me considerar oposição, eu não estou “parelho” ao governo da ceo sra. Dilma Roussef, , sinto-me à vontade para – ao contrário – critica-lo principalmente pela sua falta de ousadia para quebrar paradigmas impostos por gente e idéias que já morreram há muito tempo, mas que continuam a transitar e a tecer a realidade, como cadáveres ambulantes.

    No momento, no mundo inteiro,acendeu-se uma luz amarela, de perigo, porque os reacionários e fascistas, realmente, saíram do armário, e estão a causar muita violência, tanto pela esquerda como pela direita.

    E essa gente é capaz de tudo, inclusive de quebrar o estado, em proveito próprio. Novamente preciso fazer um recorte: Não estou aqui exatamente como um defensor do estado, ou do estado minimo. Num chute aproximado, noventa e nove por cento do funcionamento dos estados modernos pressupõem um estabelecimento de um aparelho totalitário de poder. Não existem democracias. E, provavelmente, se existiram, foi somente para alguns. É bom lembrar que a Grécia era escravagista e aristocrática. Democracia é um sentimento de praça pública, algo para além de nós mesmos, que só podemos usufruir em determinados momentos, em determinadas condições políticas e sociais . Por isso, o que existe de fato são corruptelas da democracia, as oligarquias.

    De fato, quem comanda o mainstream, seja político, midiático ou econômico, são os corporativistas…são aqueles que não querem que se mude nada – chamam de quebra contratual .Sempre em prol de um sistema totalitário de poder. E, ao mesmo tempo e desde sempre, em disputa por fatias do poder do estado.

    Como consequência, eternos conflitos de interesse, tais como os citados na argumentação dos analistas financeiras do banco Santander, ao justificarem o seu lobby junto aos agente de mercado. Não dá em nada. Puro exercício de pirotecnia. Desvia-se a atenção para detalhes processuais de natureza política para justificarem seu ódio uns aos outros.

    Mas, ao mesmo tempo, as oligarquias, se reunindo em associações corporativas para influenciar e inchar as atribuições do estado, acaba demonstrando a sua realidade subjacente, o controle total sobre a sociedade de massas, em substituição ao fundamento número um do fenômeno sócio econômico, a educação para a consciência política.

    Esse controle da sociedade se faz através da mídia, do fundamentalismo religioso e jurídico baseado em mentiras feitas verdades, do mainstream político-econômico, acorrentando portanto praticamente todos os agentes do sistema. Tendo como exemplo os alegres analistas do mercado , as mentiras decorrentes desse esquema de ponzi que virou o sistema financeiro internacional baseado no dólar, é que , de fato, vão nos levar a dissabores nos próximos anos, e não, especialmente, o governo da ceo sra. Dilma Roussef.


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