Javier Bardem, sobre a Palestina: “é vergonhosa a postura ocidental de permitir tal genocídio”

Ator espanhol, vencedor do Oscar por "Onde os fracos não têm vez", escreve carta em protesto contra os ataques feitos a Gaza. "É uma guerra de ocupação e de extermínio contra um povo sem meios"

1484 16

Ator espanhol, vencedor do Oscar por “Onde os fracos não têm vez”, escreve carta em protesto contra os ataques feitos a Gaza. “É uma guerra de ocupação e de extermínio contra um povo sem meios”

Por Redação

O ator espanhol Javier Bardem, que atuou em filmes como Carne trêmula, Mar adentro e Biutiful, além de ter ganho o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Onde os fracos não têm vez, enviou uma carta ao La Marea na qual protesta contra o que considera ser um genocídio ocorrendo na Faixa de Gaza. “É uma guerra de ocupação e de extermínio contra um povo sem meios, confinado em um território mínimo, sem água, e onde hospitais, ambulâncias e crianças são alvos e suspeitas de terrorismo”, afirma.

Bardem entende que há uma tentativa de deslegitimar sua opinião por conta de temas pessoais. “Sim, meu filho nasceu em um hospital judeu porque tenho muita gente querida ao meu redor que é judia, e porque ser judeu não é sinônimo de apoiar um massacre, assim como ser hebreu não é o mesmo que ser sionista, e ser palestino não é ser um terrorista do Hamas”, conta. “Sim, trabalho também nos EUA, onde tenho amigos e conhecidos hebreus que rechaçam tais intervenções e políticas de agressão. ‘Não se pode invocar autodefesa quando se assassina crianças’, me dizia um deles por telefone ontem mesmo.”

Confira abaixo a carta de Bardem em tradução livre:

No horror que está acontecendo em Gaza NÃO há espaço para equidistância nem neutralidade. É uma guerra de ocupação e de extermínio contra um povo sem meios, confinado em um território mínimo, sem água, e onde hospitais, ambulâncias e crianças são alvos e suspeitas de terrorismo. Difícil de entender e impossível de justificar. E é vergonhosa a postura ocidental de permitir tal genocídio. Não entendo essa barbárie e os horríveis antecedentes vividos pelo povo judeu tornam-na ainda mais incompreensível. Só as alianças geopolíticas, essa máscara hipócrita dos negócios – como, por exemplo, a venda de armas – explicam a posição vergonhosa dos Estados Unidos, União Europeia e Espanha.

Sei que eles sempre deslegitimaram meu direito à opinião com temas pessoais, por isso quero explicar os seguintes pontos:

Sim, meu filho nasceu em um hospital judeu porque tenho muita gente querida ao meu redor que é judia, e porque ser judeu não é sinônimo de apoiar um massacre, assim como ser hebreu não é o mesmo que ser sionista, e ser palestino não é ser um terrorista do Hamas. Isso é tão absurdo como dizer que alguém ser alemão o vincula com o nazismo.

Sim, trabalho também nos EUA, onde tenho amigos e conhecidos hebreus que rechaçam tais intervenções e políticas de agressão. “Não se pode invocar autodefesa quando se assassina crianças”, me dizia um deles por telefone ontem mesmo. E também outros com que discuto abertamente sobre nossas posições divergentes.

Sim, sou europeu e me envergonha uma comunidade que diz me representar com seu silêncio e ausência de vergonha. Sim, vivo na Espanha pagando meus impostos e não quero que meu dinheiro financie políticas que apoiem esta barbárie e o negócio armamentista com outros países que se enriquecem matando crianças inocentes. Sim, estou indignado, envergonhado e dolorido por tanta injustiça e pelo assassinato de seres humanos. Essas crianças são nossos filhos. É o horror.

Oxalá haja compaixão nos corações dos que matam e desapareça esse veneno assassino que só cria mais ódio e violência. Que aqueles israelenses e palestinos que só sonham com paz e convivência possam um dia partilhar sua solução.  

Foto de capa: Angela George



No artigo

16 comments

  1. DONÁRIA SALOMON Responder

    NÃO É O OCIDENTE O CULPADO; POR ESSA CHACINA É OS ESTADOS UNIDOS…

  2. Mateus Responder

    Se a esquerda realmente fosse humanista existem genocídios muitos piores no mundo ocorrendo, são contra Israel pois é um país democrático de direita não por causa da guerra, guerra existe no Brasil com mais de 80000 mortos, da mesma maneira que não vemos um texto sobre as 200 vítimas diárias vemos vários textos sobre 1 criminoso assassinado é a mesma teoria não se importam com a vida, se importam com a ideologia.

    1. Nicolas Responder

      Mateus, sua argumentação é vazia e preconceituosa. É quase um relincho argumentativo dos tempos da guerra fria, mas que, infelizmente, se reverbera nas mentes dos extremistas de esquerda e de direita contemporâneos. Genocício é genocídio. Não importa se travestido de defesa da democracia ou de defesa de uma ideologia revolucionária. Matar e perseguir uma nacionalidade, seja como ocorreu na União Soviética com os Ucranianos, seja como ocorre agora no caso da Palestina, tem o mesmo resultado bárbaro. Peço a você e a todos os bitolados que só enxergam o mundo de forma maniqueísta, desçam do olimpo das ilusões e vejam a realidade de cada caso.
      Leia de novo a carta e, mais do que isto, estude a história que envolve este conflito. Esqueça quem é a favor ou contra cada uma das partes. Este exercício lhe fará bem. A crítica aos esquerdóides que defendem regimes ditatoriais é verdadeira, porém foi mal colocada. Um paralelo que se pode fazer é a postura dos EUA que se põem como ferozes defensores da integridade da Ucrânia contra as ações da Rússia, mas nada fazem para defender os Palestinos de seus aliados Israelenses.

      1. pati Responder

        Sim Nicolas, concordo. Mas sobre o Hammas , que ě financiado por paises sem nenhima democracia e até por reis que usam palestinos como escudos e mandam um monte de mísseis na cabeca dos judeus tidos os dias e nao reconhecem Israel como Estado e por eles seriam todos os judeus jogados ao mar. Qual a sua proposta??

      2. Patty Responder

        Concordo, Nicolas.
        Mas sabemos que o Hammas é financiado por países nada democráticos até governados por reis. Jogam mísses todos os dias na cabeça de judeus e não reconhecem Israel como Estado. O próprio inimigo dos civis são os próprios palestinos. Pelo Hammas todos judeus deveriam ser jogados no mar. Com o Hammas não tem acordo. Na minha opinião sei que é difícil, mas o ideal seria ter um único Estado preservando todas as características culturais e direitos constitucionais idênticos e garantidos a todos.

        1. Claudia Responder

          Vi um programa no Discovery que mostrava o dia-a-dia dos palestinos. Não há nada em Gaza. É uma faixa horrorosa, minúscula, pobre. Não há comida. O trabalho é conseguido em Israel. Para atravessar o túnel que liga Israel a Gaza, os israelenses permitem apenas que seja atravessado à pé. Repito: atravessado a pé. São mais de 6 horas de caminhada. Acompanharam um homem que acordava às 3, para caminhar até o trabalho. Depois de sair do trabalho, caminhava mais seis horas. E chegava em casa às 11, meia-noite. Se isto não é maldade, não conheço outro nome. Em segundo lugar, pra quem não lê jornais, Israel já desviou, muitos anos atrás, água do Líbano, de forma clandestina. O mesmo destino deve ocorrer agora com a Palestina.
          Portanto, acho um absurdo as colocações sobre financiamento, bla-bla. Não sou judia, não tenho árabes na família. Mas é notória a intenção da expulsão de um povo, o palestino. Engraçado, logo os judeus, que foram tão perseguidos. Por isto me irrita o discurso cego que vejo. Detesto quem se faz de coitado mas que aplica a mesma mão feroz que um dia recebeu.
          Se o Hammas financia a Palestina – e coitados, porque afinal o Hammas não tem esse dinheiro que na sua filosofia parece ter – Israel é financiado pelos EUA, pelos judeus milionários que também lá estão como também em outros países. Assim, me soa patética esta argumentação. Israel é financiada para ser o pezinho sujo a servir de apoio às guerras fictícias criadas para aumentarem o preço do barril do petróleo, dentre outras pérolas. Portanto, por favor, vejam menos novelas e aprendam a ler jornais nas entrelinhas. Não é possível, com tanto acesso, que ainda se tenha olhos de não ver…

          1. camal

            Claudia,voce conseguiu dizerquase tudo o que eu gostaria de dizer e sinceramente nao consigo entender o por que dessa paixao cega que muitos teem pelo estado de israel,quando muitos judeus sao totalmente contra as acoes que o seu proprio governo esta a cometer,fico triste em ver que ainda existem muitas pessoas que se deixam ser manipuladas por esta midia corrompida pelo zionismo internacional e que sao coniventes com os crimes perpetrados em contra uma populacao que nao tem como se defender,pessoas que nao conhecem a historia de um povo,Israel nunca existiu como pais na historia da humanidade,como povo sim mas nao como pais,ele foi criado em uma folha de papel em 1917 na Inglaterra entre um grupo zionista e o lorde Baulfour e este documento foi consumado em1948 quando as Nacoes Unidas que havia sido criada 3 anos antes substituindo a antiga liga das nacoes aprovaram a criacao do Estado de Israel em territorio palestino que na epoca estava sendo ocupado pelos ingleses desde o final da primeira guerra mundial quando haviam tomado a Palestina do imperio Otomano.Muita gente acredita porque viviam judeus nesta regiao de que ai teria que existir um pais somente para os judeus sem se importar que as pessoas nativas desta regiao seriam prejudicadas ou nao.Agradeco pelo seu apoio.

      3. paulo Responder

        Parabéns pela clareza de pensamento.

  3. carlos Responder

    Não me lembro da posição do Javier Barden sobre o massacre na Siria de 170 mil pessoas em dois anos sendo 15 mil crianças. Ah ! E sobre as 200 adolescentes na Nigéria raptadas pelo movimento radical islâmico.

  4. Juh Responder

    Paz…..Pelo amor de Deus ou de Alá, apenas paz…..

  5. Yussif Nassif Responder

    Não sei se inocentes ou altamente tendenciosas, são as afirmações destes que questionam o silencio quanto a outros horrendos crimes contra a humanidade, querendo calar as vozes que se levantam com indignação contra os crimes contra a humanidade, cometidos por um estado dito democrático mas que humilha uma população não judia inteira, todos os dias, destruindo tudo com uma fúria descabida, alegando legitima defesa.

    1. Daniele Responder

      Perfeito!

  6. smaili Responder

    Então os paises democráticos tem o direito de assassinar crianças, Israel há 60 anos massacra os palestinos, hoje a mascara desses assassinos caiu, os moradores de Gaza foram expulsos onde é Israel hj , e enviados a Gaza em uma grande prisão, um verdadeiro campo de concentração.

  7. Jeanett Responder

    Sr. Barden, acho muito bom o ser senhor escrever para ser publicado. Porem gostaria que o senhor lesse um pouco mais para ter uma melhor visão do problema que vem desde 1948 quan do foi criado o Estado de Israel pela aprovação principalmente pelo nosso dignisimo ministro Osvaldo Aranha.Na atual situação começou quando tres jovens de 15, 16 e 19 foram sequestrados e mortos. Infelizmente o Hamas não quer uma verdadeira paz, pois a anos vem jogando foguetes em Israel,Concordo que a morte de crianças e civis é muito triste, as aconselho a procurar se informais para conhecer porque isso acontece.

  8. antonio kesamak Responder

    Muito ja se falou sobre o problema judeu no Mundo.Levaram pau dos faraos no antigo Egito,, dos romanos na epoca em que eles judeus cometeram o DEICIDIO e na segunda grande guerra qdo o fdp do HITLER nao conseguiu fazer a liçao de casa completa. Hj o mundo chora a morte dos palestinos, esperem daqui a alguns anos qdo esse povo de merda sera totalmente dizimado pelo facao do ISIS.

  9. antonio gomes Responder

    ISRAEL….o CAO chupando manga


x