Angela Davis critica ausência de negros no poder e na televisão no Brasil

A filósofa declarou que "algo está errado", quando em um país onde a maioria da população é negra, mas a representatividade na TV e nos espaços de poder é branca

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A filósofa declarou que “algo está errado”, quando, em um país onde a maioria da população é negra, a representatividade na TV e nos espaços de poder é branca

Por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil

A filósofa, escritora, professora e ativista norte-americana Angela Davis criticou hoje (25) a ausência de negros nos espaços de poder e nos meios de comunicação no Brasil. “Não posso falar com autoridade no Brasil, mas às vezes não é preciso ser especialista para perceber que alguma coisa está errada em um país cuja maioria é negra e a representação é majoritariamente branca”, disse. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população brasileira (50,7%) é negra.

Angela Davis integrou o grupo Panteras Negras e o Partido Comunista dos Estados Unidos e chegou a constar na lista dos dez fugitivos mais procurados pelo FBI (agência federal de investigação dos Estados Unidos). Ela foi presa na década de 1970 e inspirou a campanha Libertem Angela Davis, que angariou apoiadores em todo o mundo.

“Quantos senadores negros há no Brasil? Se olharmos para o Senado não saberíamos que os negros constituem mais de 50% da população brasileira”, disse, em participação no Festival Latinidades 2014: Griôs da Diáspora Negra. “Sempre assisto TV no Brasil para ver como o país se representa e a TV brasileira nunca permitiu que se pensasse que a população é majoritariamente negra”.

Apesar da constatação, Angela fez um alerta: “Não significa somente trazer pessoas negras para a esfera do poder, mas garantir que essas pessoas vão romper com os espaços de poder e não simplesmente se encaixar nesses espaços”. A ativista citou o caso dos Estados Unidos, em que houve época em que não havia político negro e que atualmente é presidido por um negro, Barack Obama. “O que mudou?”, perguntou, sem responder.

Angela voltou a comentar o conflito na Faixa de Gaza, entre Israel e Palestina. “Temos que reconhecer Israel como único Estado colonizador do século 21 que continua a se expandir. Da mesma forma que desafiamos o apartheid [na África do Sul], temos que lutar contra o apartheid israelense. Vidas de crianças estão sendo destruídas em Gaza”, disse. “Temos que expressar nossa solidariedade ao povo da Palestina”.

Nesta quarta-feira (23), Angela defendeu o boicote a Israel como estratégia para barrar o conflito. A mais recente ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza começou no dia 8 de julho e foi seguida por uma intervenção terrestre iniciada na última quinta-feira (17). Quase 900 pessoas morreram, das quais 800 palestinos, a maioria civis, e 73 israelenses, 34 deles soldados. Hoje, Hamas e Israel aceitaram trégua de 12h para este sábado.

O Festival Latinidades 2014: Griôs da Diáspora Negra vai até o dia 28 de julho, em Brasília. Na programação estão previstos conferências, debates, lançamentos de livros, feiras, saraus e shows, além de outras atividades. A programação completa pode ser acessada no site do evento.



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3 comments

  1. Lídia Cristiane Fogaça Responder

    Antes de falar ..tem que analisar …Quantos negros procuraram , enviaram currículos e não foram selecionados seja na TV ou em qualquer outro local? Quantos se candidataram e não foram eleitos?
    Quer dizer que se tiver 80 % na TV ou em qualquer lugar está tudo ok ? E as demais raças ? Sabemos que há discriminação na seleção de empregos , isso é fato …mas às vezes acho exagero e lançam algo sem embasamento …cadê a estatística entre procura e seleção?

  2. Fernando Responder

    Não precisamos de números igualitários de raças no poder!!! PRECISAMOS DE PESSOAS COMPETENTES E COMPROMETIDAS!!!

  3. enganado Responder

    O que fica sempre são as primeiras impressões e com a lambança que o JB fez na justiça qdo se vendeu para o GAFE, Direita, EUA, Aébrio, FHC, … etc. Este fato já está gravado, e muito bem gravado pelas falcatruas do julgamento e das omissões propositadas como o 2474 e assim por diante. Então outro negro, só com um pé atrás! Racismo, NÃO! Desconfiança!


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