Metade dos presos do Brasil aguarda por julgamento, diz ONU

Relatório feito pela Organização das Nações Unidas também aponta que as cadeias brasileiras têm 200 mil detentos a mais do que permite a capacidade

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“Políticas públicas para mostrar firmeza contra o crime levaram a uma tendência de encarceramento em massa”, aponta o documento

Por Redação

De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), o sistema prisional do Brasil tem 200 mil detentos a mais que a capacidade existente permite. Outro dado alarmante é que 217 mil ainda aguardam pelo julgamento. O estudo da ONU também afirma que o Judiciário brasileiro é “insuficiente”.

Estes dados estão em um estudo ao qual o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso a um documento preliminar que será divulgado em setembro, preparado por um grupo de trabalho da ONU que esteve no Brasil em março deste ano e que deve ser publicizado durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, também em setembro.

O relatório também informa que o Brasil possui a quarta maior população carcerária do mundo e constata-se que a metade da população carcerária aguarda “meses e anos” por julgamento. O Estudo da ONU afirma que a “presunção de inocência” foi abandonada por juízes. “Políticas públicas para mostrar firmeza contra o crime levaram a uma tendência de encarceramento em massa”, diz o documento.

O documento da ONU atenta para o fato de que a “maioria das pessoas na prisão é jovem, indígena, afrodescendente ou pobre” e que não tem como pagar advogado. O relatório sugere que a administração federal e as administrações estaduais implantem penas alternativas.

Foto: Radar Cidade 



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1 comment

  1. Wagner Nicolau Responder

    “maioria das pessoas na prisão é jovem, indígena, afrodescendente ou pobre” – Isto deixa muito claro como a pobreza é criminalizada e quem está sendo preso massivamente são as camadas mais prejudicadas da sociedade, sendo que pelo DEPEN, no relatório consolidado de 2008, mostra que mais de 70% dos crimes são contra o patrimônio, o que deixa nítido que nossa população carcerárea é sintoma de uma sociedade desigual, que marginaliza e retira a civilidade de muitos cidadãos. E como se não bastasse todo fracasso e falência de todo sistema prisional brasileiro desde sua fundação, as PPPs agora com uma proposta de ressocialização pelo trabalho, lucram com o trabalho dos presos. Pobres desempregados estão sendo transformados em mão de obra escrava dentro das PPPs, criminalizados por qualquer coisa. A grande transformação necessária não está dentro dos presídios, mas FORA deles.


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