Uma singela lição que gêmeos separados ao nascer nos oferecem

Por mais que a direita chie, denunciando seguidamente o “intervencionismo estatal” e outras balelas, o Estado tem um papel decisivo a cumprir na vida de milhões de Marquinhos e Pedros, separados aos 6 meses de idade, e que se reencontram depois de 21 anos

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Por mais que a direita chie, denunciando seguidamente o “intervencionismo estatal” e outras balelas, o Estado tem um papel decisivo a cumprir na vida de milhões de Marquinhos e Pedros, separados aos 6 meses de idade, e que se reencontram depois de 21 anos

Por Luiz Carlos Azenha, no Facebook, com acréscimos. Publicado em Viomundo

Imaginem comigo a seguinte situação, real: irmãos gêmeos separados ao nascer. Uma vai para a França. O menino fica no Ceará. A família é muito pobre. Não tem água, nem luz em casa e passa fome.

Na França a menina vive numa casa confortável, com pais adotivos que não enfrentam dificuldades financeiras. No Ceará o menino briga para receber a pensão do pai.

Aí eles se reencontram 21 anos depois. Ela, estudante de comunicações à distância de uma universidade pública de Lyon.

Antes de conhecê-lo imaginei que poderia encontrar um menino sem muitas oportunidades na vida.

Mas não! É estudante de engenharia elétrica numa universidade pública de Sobral. Quer se formar “para ajudar a mãe”, uma guerreira sertaneja que carregou muita água na cabeça para criar os outros três filhos.

A direita diria: viram só como é importante a meritocracia? Foi o esforço individual dos gêmeos que permitiu que chegassem onde chegaram.

Não duvido do esforço de nenhum deles e sei que os sertanejos são tão resistentes quanto a vegetação da caatinga, que parece morta na seca mas renasce com vigor na chuva.

Porém, se desde 2006 não houvesse uma unidade da Universidade Federal do Ceará em Sobral as chances de Marquinhos estudar seriam bem menores. Se não houvesse o Programa Ciência Sem Fronteiras ficaria muito mais difícil para ele atingir seu objetivo: fazer mestrado na Alemanha ou nos Estados Unidos para estudar, se entendi direito, a construção de turbinas.

O vovô dos gêmeos, Pedro, que ainda hoje vive no sertão, não teria energia elétrica não fosse o Programa Luz para Todos. Ficaria sem geladeira ou o prazer diário de ver uma ou duas horas de TV, depois de cuidar do rebanho de cabras.

Resumo do filme: por mais que a direita chie, denunciando seguidamente o “intervencionismo estatal” e outras balelas, o Estado tem um papel decisivo a cumprir na vida de milhões de Marquinhos e Pedros. Com todos os seus defeitos, corrupção e falta de dinamismo.

Saiba mais em:

http://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/nova-serie-do-jornal-da-record-investiga-adocoes-ilegais-02082014

Captura de Tela 2014-08-04 às 13.05.38

Azenha com vovô Pedro, no sertão do Ceará



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2 comments

  1. Bethe Responder

    Só quem viveu os anos 80 e 90 sabe quanto diferente este Brasil está hoje. E naquele tempo a roubalheira, como disseram a ,era muito maior. Todas muito ocultas e enviadas a paraísos fiscais. Estamos atrasados a 500 anos e nesses 12 anos muita coisa mudou…e vai mudar mais. Parabéns aos gêmeos e ao Alzema por nos contar histórias de vitória e sucesso proporcionadas por este novo Brasil.

    .

  2. Nando Viana Responder

    Uma história linda e um texto repleto de bobagens pra tentar confundir as coisas. Tsi, Tsi, Tsi…


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