PSB quer que vice de Marina Silva seja alguém ligado a Campos

Especulações passam pelo ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, a ex-corregedora Eliana Calmon e o irmão do ex-governador, Antonio Campos Por Hylda Cavalcanti, em Rede Brasil Atual Com o caminho...

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Especulações passam pelo ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, a ex-corregedora Eliana Calmon e o irmão do ex-governador, Antonio Campos

Por Hylda Cavalcanti, em Rede Brasil Atual

Com o caminho aberto para que seja confirmada, nos próximos dias a candidatura da ex-senadora Marina Silva à Presidência da República pelo PSB, em substituição a Eduardo Campos, um dos assuntos que mais tem sido discutido em Recife, nas conversas políticas reservadas das últimas horas, é o esforço explícito para que o nome a ser indicado pelo partido para a vice-presidência seja diretamente ligado ao candidato recém falecido. A iniciativa seria, além de uma forma de homenagem, a maneira de ser feita, na campanha, ligação direta com os projetos apresentados por Campos.

Um representante do diretório estadual do PSB em Pernambuco chegou a afirmar que o ideal seria a indicação de alguém da própria família do ex-governador. Por isso, foram cogitados os nomes da esposa, Renata, e do irmão dele, o escritor Antonio Campos, mas ambos foram descartados.

Outros prováveis nomes próximos a Campos que poderiam entrar na disputa são o ex-ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra Coelho (que é candidato ao Senado por Pernambuco) e o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque (RS). Bezerra Coelho tem ligação antiga com a família desde o segundo governo do avô do candidato, Miguel Arraes, em 1987.

Já Beto Albuquerque iniciou na política como militante do PSB muito novo, no início dos anos 90 e, naquele período, teve algumas divergências internas com Arraes e o neto, que acabaram deixadas de lado com o passar do tempo. Nos últimos anos, Albuquerque e o ex-governador pernambucano passaram a ter um trabalho mais afinado, principalmente na defesa das bandeiras da legenda na Câmara.

Renata Campos, que é filiada ao PSB, seria a vice-presidente que mais agradaria na nova chapa a ser apresentada pelo partido até quarta-feira (20). Segundo comentários de vários parlamentares, essa possibilidade teria sido vista com agrado, inclusive por parte de Marina Silva, que possui bom relacionamento com ela e a considera bastante preparada como técnica concursada do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE) e por sempre ter demonstrado entrosamento com a campanha enquanto acompanhava o marido.

Marina Silva, conforme informações de pessoas que se encontram na cidade para o velório do ex-governador, teria mencionado o assunto em conversa com o presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, mas, além de dúvidas sobre se viria a aceitar tal missão (por ter um filho bebê, portador da Síndrome de Down), Renata Campos pode sofrer questionamentos por ser dos quadros do TCE.

O mesmo impedimento se dá com a ministra do Tribunal de Contas da União e mãe de Campos, Ana Arraes, que já foi deputada federal. Poderia ser uma boa indicação, mas não foi sequer cogitada.

Ex-corregedora

Entre assessores da ex-senadora, também é especulado com força o nome da ex-corregedora nacional de Justiça e candidata ao senado pela Bahia, Eliana Calmon, que, embora não fosse próxima de Eduardo Campos, entrou no PSB pelas mãos dele e mantinha bom contato com o presidenciável.

Na avaliação de integrantes da campanha, seria alguém que ajudaria a dar peso devido ao destaque que obteve nacionalmente nos últimos anos, com o trabalho de punição e afastamento de magistrados que tiveram problemas éticos em atuações nos tribunais do país.

E o irmão de Eduardo Campos, Antonio, que foi tido como possibilidade por uma ala da legenda que estuda o assunto, acabou desconsiderado pelo fato de ter participado de forma burocrática dos governos do irmão. A carta divulgada dias atrás pelo escritor, reiterando que, como irmão de Campos e neto de Arraes apoiava a candidatura de Marina – que chegou a surpreender muita gente, já que ele não tem perfil político – teria sido um indicativo neste sentido, mas foi deixado de lado logo pelos pessebistas.

Roberto Freire

Em Pernambuco, enquanto as dúvidas reinavam sobre a possibilidade de Marina Silva vir mesmo a substituir Eduardo Campos, já era tida como certa a substituição em função do trabalho de um articulador que entrou em campo logo após a notícia da tragédia: o ex-senador e deputado Federal Roberto Freire (PPS-SP).

Freire tem tido um contato mais direto com Marina Silva desde o início do ano, ao passo do PPS ter sido a primeira legenda colocada formalmente à disposição da ex-senadora quando a Rede Sustentabilidade teve o pedido de criação, como partido político, rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legenda é uma das coligadas ao PSB e tem atuado no sentido de aparar arestas existentes entre partidários da Rede e socialistas.

“Antes a dúvida era entre a candidata ser ou não Marina Silva. Sabemos que a decisão só será tomada por meio de reunião nacional que contará com  muitas divergências de diretórios estaduais, mas está praticamente definida porque há o peso de alianças estaduais que sabem da necessidade de uma candidatura mais expressiva como a da ex-senadora. E ninguém em sã consciência quer abrir mão disso”, ressaltou um deputado estadual de Pernambuco pelo PSB que preferiu não se identificar.

Arranjos estaduais

Já se sabe que, com a candidatura de Marina, articulações feitas anteriormente no Paraná, Santa Catarina e São Paulo para o governo estadual estão fragilizadas e serão revistas, mas a posição do PSB, a princípio, é de que é melhor perder apoio em três estados e manter um cenário nacional favorável a ter de rever as estruturas firmadas em todo o país.

A ex-senadora Marina Silva, que até o fechamento desta edição se encontrava em voo para Recife, não quis se pronunciar a respeito e disse que só fará qualquer comunicado depois dos funerais do companheiro de chapa.

Está programado, no entanto, que ela, assim que pousar na capital pernambucana, se deslocará de imediato para a casa da família do ex-governador, onde, além dos cumprimentos formais, terá uma conversa reservada com Renata Campos, Ana Arraes e dirigentes do PSB, quando deve receber pessoalmente o aval da família para ser a candidata à presidência.



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