Com quantas candidatas se faz uma presidência feminista?

Por Jarid Arraes Dilma Rousseff, Marina Silva e Luciana Genro são, atualmente, três mulheres no foco da disputa à presidência da república no Brasil. Há muitas diferenças entre elas e muito a ser considerado ...

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Por Jarid Arraes

Dilma Rousseff, Marina Silva e Luciana Genro são, atualmente, três mulheres no foco da disputa à presidência da república no Brasil. Há muitas diferenças entre elas e muito a ser considerado  diante de três mulheres na disputa presidencial. Afinal, seria uma candidata mulher o mesmo que uma candidata que luta por mulheres?

O último mandato de Dilma deixou evidente para muitos grupos feministas que ser mulher não garante um governo empenhado em resolver as demandas femininas. Um exemplo recente disso é a polêmica em torno da portaria 415/14 do SUS, que regulamentava e repassava verba para que os casos de aborto já legalizados passassem a ser realizados efetivamente em hospitais públicos. O Governo Dilma, em mais um caso de covardia, revogou a portaria e reafirmou seu compromisso com as forças fundamentalistas religiosas do país, demonstrando uma imensa omissão e ignorando as milhares de mulheres estupradas que morrem todos os dias devido à clandestinidade do aborto.

Ainda há outras questões, tais como os direitos LGBT, que são merecidos alvos de críticas no Governo Dilma – é necessário ser cego para não perceber tamanha omissão. De modo similar, a candidata Marina Silva também já deu muitos indícios de que seu governo terá portas fechadas para as discussões imprescindíveis das mulheres e das pessoas LGBT. É importante ainda ressaltar que Marina disputaria pelo PSB, um partido que não tem qualquer compromisso real com causas urgentes como a legalização do aborto.

Nesse contexto, a única candidata que fala abertamente sobre todos os temas mais “ingratos” da disputa eleitoral é a Luciana Genro. Embora seu posicionamento sobre aborto ainda seja um tanto equivocado – pois continua a estigmatizá-lo como algo horrível para a mulher ainda que, na verdade, o horror esteja na clandestinidade -, Luciana já se declarou a favor da descriminalização e regulamentação do mesmo. Seu ambiente político também vem demonstrando a valorização da luta feminista brasileira, mas sua campanha enfrenta um sério problema: o medo que muitas pessoas possuem de dar espaço para candidatos ou candidatas menos populares, tirando valiosos votos da candidata “menos pior” Dilma. Isso sem mencionar a antipatia que muitos eleitores do PT sentem pelo PSOL, pois se sentem desconfortáveis e incomodados com a postura do partido, considerado por muitos “radical demais”.

O fato é que ser mulher não é necessariamente equivalente a defender os direitos das mulheres, pois ser e fazer um governo feminista é algo que vai muito além do gênero. No final das contas, perdemos muito quando uma mulher não se junta à nossa luta e não se compromete em batalhar conosco. Mas vale lembrar: é com situações como essa que ganhamos senso crítico e aumentamos nossa capacidade de ponderação – ambas qualidades pertinentes na hora de escolher e declarar um voto.

Foto de capa: Página “Vote numa feminista



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