Em documento, Marina Silva promete governo com igualdade civil para todos

Eleitores simpáticos a sua candidatura questionam se ela vai respeitar os direitos LGBT caso seja eleita

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Eleitores simpáticos a sua candidatura questionam se ela vai respeitar os direitos LGBT caso seja eleita

Por Marcelo Hailer

Desde que o nome de Marina Silva foi confirmado pelo PSB, nesta quarta-feira (22), para concorrer à presidência da República, materiais de campanha começaram a ser despejados na rede. Passada a euforia do lançamento de seu nome, iniciam-se os questionamentos e, assim como em 2010, a agora candidata é fortemente pressionada em duas áreas: na economia, onde os especialistas a consideram uma incógnita, e na área de Direitos Humanos, principalmente nas questões de mulheres e LGBT, isso por conta de seus vínculos orgânicos com a Assembleia de Deus.

Prevendo que estas questões serão cada vez frequentes, Beto Albuquerque, vice na chapa de Marina Silva, declarou que a candidata terá de escrever uma carta-compromisso para calar uma série de dúvidas frente ao eleitorado. O documento devera ser nos mesmos moldes do que Lula fez em 2002 com a Carta ao Povo Brasileiro, onde afirmou que iria respeitar os contratos econômicos herdados do governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002). No caso de Marina, além de um posicionamento claro sobre questões econômicas, terá de afirmar que, mesmo sendo uma praticante da fé evangélica, vai governar sob a égide da Constituição que garante o Estado laico.

O questionamento sobre as posições religiosas de Marina Silva e o cumprimento do Estado laico vêm, inclusive, de eleitores simpáticos a votarem na ex-senadora. Na página oficial da candidata no Facebook, o eleitor Vinicius Siqueira escreveu que, desde que um eventual mandato de Marina “não tire ou impeça que o público LGBT tenha seus direitos”, terá seu voto. Logo em seguida, a equipe de comunicação de Marina respondeu: “Olá, Vinicius! Marina Silva defende os direitos civis de todas as pessoas em qualquer circunstância social. Lembramos que Marina considera que as relações homoafetivas estáveis devam ter os mesmos direitos civis das relações heteroafetivas. O Supremo Tribunal Federal já deu a essa união o estatuto de casamento civil. A questão legal sobre o tema está, portanto, resolvida no Brasil. Abraços, #Equipe40”.

Pelo visto há uma sinalização, ou preocupação, da equipe em torno do assunto. Mas a questão da união civil igualitária, ao contrário da postagem, não está resolvida. A norma do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é uma garantia precária que pode ser derrubada a qualquer momento.

Ainda na esteira de acalmar o eleitorado LGBT, a campanha de Marina Silva lançou hoje “40 Razões para se votar em Marina Silva”, e na razão 21, sob o título “Marina é contra a discriminação”, o texto afirma que a candidata “acredita que os direitos civis, políticos e sociais devem ser garantidos a todos os cidadãos do país, sem qualquer tipo de discriminação”.

Para a ativista da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) Carla Vitória, a “igualdade de direitos não é possível sem a laicidade do Estado”. Ela chama a atenção para a pauta feminista  do aborto. “As profundas relações que Marina Silva possui com a bancada evangélica ocultam sérios traços de desigualdades na nossa sociedade. Um exemplo disso é a questão da descriminalização do aborto. Ao propor um plebiscito sobre o tema, Marina desvia o foco da atenção de um grave problema de saúde pública que mata mulheres todos os dias para uma mera questão moral”, critica.

Bruno Puccinelli, doutorando em sociologia na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), disse que não apenas desconfia das intenções da candidata, como também não confia no discurso de nova governança de Marina Silva. Especificamente sobre as questões LGBT e a respeito da razão 21 publicada no portal da candidata, Puccinelli diz que há risco de retrocesso na questão do Estado laico. “Menos pelo que está no site e mais pela postura pessoal dela. Há questões que dependem de uma disposição do executivo e com ela as LGBT estão perdidas”, analisa o sociólogo.

Foto: PSB



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3 comments

  1. lisandra Responder

    A verdade é que Marina està sempre em cima do muro, nao se posiciona sobre nada, nadinha, é uma candidatura repleta de contradiçoes, escondidas em pronunciamentos vazios, genericos e banais!! Estamos lascados se essa sonhatica for eleita!!

  2. enganado Responder

    Essa Lacraia, Marina Silva, com voz de taquara rachada não passa de um GENÉRICO do Aébrio Never. Posição religiosa, papai/mamãe não muda em nada.

  3. Observador Responder

    Vamos pensar tal qual Marina: SUA POSIÇÃO PESSOAL É DE TOLERÂNCIA E RESPEITO A LGBTS, QUESTÕES DOS DIREITOS DAS MULHERES, RACIAIS E MEIO AMBIENTE… Mas sua posição no governo não dependerá, tal como Dilma, de suas convicções pessoais. Se assim o fosse, Dilma teria regulamentado a discriminalização do aborto que tem vitimado centenas de milhares de mulheres de baixa renda. SEMPRE HAVERÁ UM CONGRESSO NO MEIO DO CAMINHO, onde cada bancada que financia as campanhas é mais uma PEDRA NO SAPATO. A democracia, tal qual está sendo contruída, já nasceu viciada e centralizada nas mãos de velhas oligarquias. SALVE MACHADO DE ASSIS, que em seus contos do século XIX profetizou o imbróglio das “ideologias” na política.


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