Eduardo Jorge e Luciana Genro são protagonistas do primeiro debate entre presidenciaveis

A candidata do Psol e o candidato do PV trouxeram à tona, de forma incisiva, questões polêmicas, como o aborto e homofobia; enquanto isso, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) adotaram tom mais defensivo

651 3

A candidata do Psol e o candidato do PV trouxeram à tona, de forma incisiva, questões polêmicas, como o aborto e homofobia; enquanto isso, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) adotaram tom mais defensivo

Por Redação

O primeiro debate com os candidatos à presidência da República foi promovido na noite desta terça-feira (26) pela TV Bandeirantes. Em três horas de discussão, os três principais candidatos – Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) – mantiveram postura cautelosa, sem ataques pessoais mais incisivos. Algumas “alfinetadas”, entretanto, não ficaram de fora.

Além dos três presidenciáveis mais bem bem colocados nas pesquisas, estiveram presentes Luciana Genro (Psol), Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB). Estes últimos mostraram mais coragem em suas colocações: Genro e Jorge, por exemplo, foram os únicos a levantar pautas polêmicas relativas aos direitos humanos, como aborto, drogas e homofobia. “O senhor concorda com que 800 mil mulheres sejam tratadas como criminosas por interromper a gravidez?”, perguntou o candidato do PV à Aécio Neves. “Homofobia e Transfobia matam. Um membro da comunidade LGBT é assassinado por dia por causa do preconceito”, destacou a psolista ao falar sobre o veto ao kit anti-homofobia.

Confrontos Diretos

A primeira sorteada foi Marina Silva, que se dirigiu à presidenta Dilma Rousseff. Citando as manifestações do ano passado, ela lembrou que, após os protestos, a presidenta firmou cinco pactos com a sociedade, e questionou: “Presidenta, o que deu errado [com os pactos]?” Para Dilma, todos os pactos (saúde, educação, transportes, plebiscito para a formação de uma Constituinte pela reforma política e responsabilidade fiscal e controle da inflação) haviam sido um sucesso, exceto a reforma política, cuja proposta, enviada ao Congresso, não foi aprovada. “Por isso eu acredito que a questão da reforma política deve ser em forma de plebiscito, a população deverá se engajar. A vontade terá de vir da população”, afirmou a presidenta.

Logo em seguida, Dilma questionou Aécio Neves sobre sua famosa fala de campanha, na qual declara “não ter medo de tomar medidas impopulares”. Ao dizer que o Brasil hoje tem as menores taxas de desemprego mesmo frente a uma das maiores crises econômicas mundiais, a presidenta quis saber quais outras medidas impopulares Aécio tomaria, além de cortar empregos e arrochar salários.

“Estamos preparados para criar empregos de qualidade”, respondeu Aécio, citando o sucateamento da indústria brasileira e a inflação alta. Ele ainda previu que o Brasil será um dos países que menos crescerá entre seus vizinhos, mas não respondeu, no final das contas, quais medidas impopulares tomaria.

O tópico da política externa brasileira foi mencionado graças ao pastor Everaldo, que perguntou à presidenta Dilma o porquê de ela favorecer a “ditadura cubana”, em detrimento dos trabalhadores brasileiros: “É justo fazer isso com o suor e o sangue do trabalhador brasileiro?”, indagou. A presidenta apontou que é natural que o Brasil assuma, de fato, a responsabilidade de ser a maior potência regional da América Latina – e lembrou que não é apenas em Cuba que o governo brasileiro tem dado chance para que as empresas brasileiras realizem obras: “Nós demos um passo à frente, olhando para a América Latina e África, e temos uma relação muito produtiva com os países do BRICS [Rússia, Índia, China, África do Sul], sem ficar olhando apenas para os países desenvolvidos”, colocou.

Aécio Neves escolheu dirigir sua pergunta a Marina Silva, questionando-a sobre a chamada “nova política” que a candidata do PSB diz representar. O tucano ressaltou que Marina se recusou a subir em certos palanques, como o do Geraldo Alckmin, candidato ao governo de São Paulo, cujo vice é Márcio França, do PSB: “Essa nova política não deveria ter também boa dose de coerência?”, indicou. Para Marina, o mais importante é combater a velha polarização que há 20 anos se constituiu em um atraso para o país: “A polarização PT/PSDB já deu o que tinha que dar”, defendeu. E completou: “Quero governar com o PSDB, PT e PMDB, quero as melhores pessoas, mas elas geralmente estão no banco de reserva da política nacional”, citando Pedro Simão e Eduardo Suplicy.

A própria candidata foi a última dos “supostos grandes” a ser “bombardeada, com o devido respeito”, pelo candidato do PRTB, Levy Fidelix, que questinou uma das grandes polêmicas envolvendo a candidatura de Marina: sua ligação com a Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú. “Minha relação com a Neca é no campo do governo, ela é uma educadora há 30 anos”, disse.

Coube à deputada Luciana Genro fazer o primeiro aparte sobre estado laico – que seria discutido mais tarde -, dirigindo-se ao candidato do PSC apenas como Everaldo, pois considera “impróprio confundir política com religião”. Ela lembrou que o atual governo, em nome da governabilidade, faz alianças com “as bancadas mais reacionárias que existem”, sem mencionar diretamente a bancada evangélica, da qual Everaldo faz parte.

No segundo bloco de confrontos diretos, os ânimos se acirraram um pouco. Aécio Neves, por exemplo, convidou a presidenta Dilma a aproveitar o espaço no debate para “pedir desculpas ao Brasil pela temerável gestão da Petrobras”. Segundo Neves, a maior empresa da América Latina está hoje mais presente nas páginas policias do que nos cadernos de economia. A petista se recusou a atender o pedido do tucano. “Acho que o senhor desconhece a Petrobras. Hoje é a maior empresa da América Latina. Passou, no seu governo, de R$ 15 bilhões, para R$ 110 bilhões”, retrucou.

Luciana Genro também questionou o circulo interno de Marina Silva, que conta com a presença de assessores econômicos ligados ao PSDB. A candidata do PSB afirmou não ter preconceito com pessoas competentes e honestas. Genro rebateu de maneira firme: “Essa conversa de unir todo mundo eu vi em 2002 com o Lula, e o resultado foi um governo voltado aos interesses do capital. Se tu não tiveres condições de enfrentar o capital financeiro, vai repetir a velha política do PSDB, que continuou com Lula. No fim vocês três [Dilma, Aécio, Marina] são muito parecidos.”

Chico Mendes é parte da elite

(Reprodução/Facebook)
(Reprodução/Facebook)

Embalada pela pesquisa Ibope, divulgada na última terça-feira (26), que a mostra apenas 5% percentuais atrás de Dilma Rousseff no primeiro turno, Marina Silva parecia confiante. Ela manteve o tom sério até se atrapalhar na resposta à pergunta de Levy Fidelix, sobre suas relações estreitas com Neca Setúbal e Guilherme Leal, candidato à vice em sua chapa em 2010 e dono da Natura.

“Não tenho preconceito contra a condição social de nenhuma pessoa. Quero combater essa visão de apartar o Brasil, de que temos que combater as elites. O Guilherme faz parte da elite, mas os ianomâmis também. A Neca é parte da elite, mas o Chico Mendes também é parte da elite”, disse Silva. Sua declaração viralizou e deu origem a memes que, minutos depois, estavam circulando pela rede.



No artigo

3 comments

  1. Nilton Vasques Responder

    No final muda-se os porcos mais a lama continua a mesma!!!!!!!

  2. Elvis A. dos Santos Responder

    Não creio que a Luciana se destacou, ela foi péssima nos ataques o Plínio era bem melhor em ação, mas o Eduardo Jorge foi o melhor em todos os sentidos, seja na esquerda (Bem acima da Luciana) e ao trazer os temas polêmicos e importantes para o debate.

  3. Plinio Melo Responder

    Marina tem razão. Ninguém mais que ela usufruiu e ainda usufrui do milionário, riquíssimo legado deixado por Chico Mendes.
    Este foi a elite na defesa da amazônia e não estes aproveitadores, como o Banco Itau, que ainda lucra com os créditos de carbono e outras mumunhas inventadas pelos ambientalistas da Marina


x