Em coletiva, Marina Silva tenta explicar mudanças em seu programa de governo

Sobre as declarações da candidata, o presidente da AGBLT lembra que, para combater a homofobia, a política não pode ficar refém de pressões religiosas.

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Sobre as declarações da candidata, o presidente da ABGLT lembra que, para combater a homofobia, a política não pode ficar refém de pressões religiosas

Por Marcelo Hailer

Em coletiva realizada momentos antes do debate presidencial do SBT, a candidata do PSB, Marina Silva, declarou que todo governante deve defender o Estado Laico, pois trata-se de uma conquista da sociedade brasileira. Silva ainda aproveitou para responder as críticas do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e disse que o seu programa LGBT é melhor do que o apresentado por Luciana Genro.

Sobre a modificação do tópico voltado para questões LGBT, Marina Silva afirmou que “não houve confusão, houve erro de processo”. A candidata explicou que a versão que caiu na rede foi a construída com o movimento social na plataforma aberta e disse que, não apenas nessa questão, mas outras propostas apresentadas por outros grupos também “não foram contempladas na versão final do programa” e que foi a própria coordenação que fez a reparação nos tópicos LGBT e energia.

A respeito da declaração do Pastor Silas Malafaia, que elogiou a segunda versão do programa, e das críticas sofridas por Jean Wyllys (PSOL-RJ), Marina Silva declarou que respeita as opiniões. “A sociedade tem o direito de debater e o meu compromisso é o respeito pelas opiniões divergentes”, disse.

Marina enfatizou que o seu programa é uma mediação com os movimentos sociais e que não quer fugir do debate, apenas “fazê-lo sem rótulos”. Ela também foi questionada a respeito do casamento igualitário e da criminalização da homofobia. Sobre o assunto, Silva declarou que é necessário uma lei que explique melhor o que é a homofobia. “A sociedade e o Congresso precisam deixar isso claro”, finalizou.

Polêmica

Procurado para comentar as explicações dadas pela candidata do PSB, o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Carlos Magno Fonseca, acredita não ter sido um engano o que fez Marina Silva alterar o plano de governo. “Foi um reflexo da própria trajetória dela. Dos três candidatos à frente das pesquisas, ela é que tem o maior distanciamento da pauta LGBT historicamente. Isso só confirma uma posição retrógrada que ela sempre teve”, destacou.

Para Fonseca, as pressões religiosas foram as verdadeiras responsáveis pela mudança de postura. “A gente quer que os candidatos se comprometam com a causa LGBT e com o combate à violência. A política não pode ficar refém das pressões da igreja. Isso faz mal para a democracia do país”, ressaltou.

Foto: Reprodução



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