As contradições de Marina chegam ao pré-sal

No plano de governo de Marina, o pré-sal é citado apenas uma vez, em que basicamente afirma-se que ela cumprirá a lei.

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No plano de governo de Marina, o pré-sal é citado apenas uma vez, em que basicamente afirma-se que ela cumprirá a lei

Por Vinicius Gomes

No debate de presidenciáveis pelo SBT ontem (1), o grande destaque foram os confrontos diretos entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) e uma das maiores incógnitas ficou com a sustentação do discurso da pessebista. Dois dias depois de Marina Silva recuar sobre as propostas de seu próprio programa de governo – no que tangia à defesa dos direitos da comunidade LGBT -, a candidata acriana novamente foi exposta a contradições.

Confrontada por Dilma Rousseff sobre o seu “desprezo” pelo pré-sal – dada sua fala recente de que “temos que sair da idade do petróleo”, em um encontro com produtores de etanol – Marina Silva afirmou não ignorar o petróleo, mas que “o Brasil tem um grande potencial de geração de biomassa, de energia eólica, solar, inclusive negligenciadas durante o seu governo”. De fato, nas páginas do programa de governo de Marina Silva, reconhece-se que o “petróleo e seus derivados continuarão a ser fonte importante na matriz energética brasileira, dado que não há tecnologia para sua substituição no curto prazo”. No entanto, a palavra “pré-sal” é citada apenas uma única vez, onde lê-se que o plano de Marina é “aplicar os repasses à educação de parcela dos royalties do petróleo das áreas já concedidas e das do pré-sal”.

Isso significa que, frente ao gigantesco potencial na exploração de petróleo em águas profundas, em uma das regiões mais cobiçadas por inúmeras empresas estrangeiras, o único plano de Marina Silva é cumprir a lei – uma vez que o repasse de cerca de 112 bilhões de dólares para as áreas de educação e saúde (esquecido pelo programa de Marina) já está determinado pela lei.

A candidata à reeleição afirmou ainda que o “petróleo não pode ser demonizado”- uma vez que o potencial do pré-sal é de mais de R$ 1 trilhão, dos quais o Brasil “não pode abrir mão”. O suposto teor ecológico da fala de Marina no debate, assim como em seu programa de governo, com um “realinhamento da política energética para focar nas fontes sustentáveis”, bate de frente com a realidade de que o petróleo ainda será o combustível fóssil ambicionado pela maioria dos países. No final de semana, a presidenta já havia dito em Salvador que as fontes alternativas ainda não poderiam substituir o petróleo como matriz de combustíveis: “Nem o etanol, nem biodiesel substituem o petróleo. Eles complementam”.

Em entrevista a O Globo, Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), foi ainda mais além, afirmando que a “Petrobras deveria ter uma política de desinvestimento, vender refinarias e usinas de etanol e biodiesel, para colocar ainda mais recursos no pré-sal, que é o seu melhor investimento em termos de retorno”.

Além do óbvio retrocesso tecnológico que o freio na exploração pré-sal acarretaria, outros prejuízos seriam no tópico “emprego”, como no próprio Rio de Janeiro, e também no sul do Brasil. O jornalista Mário Magalhães citou como exemplo a região gaúcha do Polo Naval de Rio Grande, que sofreria com o desinvestimento no pré-sal: “Dezenas de milhares de vagas foram abertas nos estaleiros. Plataformas de petróleo já saíram prontinhas dali, e há expectativa de que para o pré-sal sejam feitas muitas outras”.

Outras contradições

Marina Silva sempre foi conhecida pelo ativismo ambiental. Uma das maiores contradições foi seu discurso recente na entrevista para o Jornal Nacional, em que ela afirmou nunca ter tido uma posição contrária à agricultura transgênica:“Há uma lenda de que eu sou contra os transgênicos, mas isso não é verdade”.

No entanto, em 7 de maio de 1997, Marina, então senadora da República, apresentou no Congresso Nacional o projeto de Lei do Senado nº 84, que decretava “a moratória no plantio, comércio e consumo de organismos geneticamente modificados e produtos derivados, em todo o território nacional”. 

O blog de Dener Giovani, no Estado de S. Paulo, elencou alguns discursos de Marina Silva contra os transgênicos:

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