Custos do avião do PSB eram pagos por empresa de vigilância

Uma firma sediada na periferia de Pernambuco é apontada como pagadora dos custos operacionais da aeronave, avaliados em R$ 30 mil por mês.

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Uma firma sediada na periferia de Pernambuco é apontada como pagadora dos custos operacionais da aeronave, avaliados em R$ 30 mil por mês

Por Redação

O mistério em torno do avião utilizado na campanha do PSB à presidência teve mais um capítulo desvendado. O jato envolvido no acidente que matou o então candidato Eduardo Campos tem donos fantasmas, no entanto, a empresa apontada como pagadora oficial dos custos operacionais é a Lopes & Galvão Ltda.

A firma de vigilância funciona em uma casa simples da periferia de São Lourenço da Mata (PE) e não é cadastrada na Delegacia de Controle da Segurança Privada, da Polícia Federal, como determina a legislação. Ela aparece como pagadora de serviços de parqueamento e atendimento, que seriam avaliados em R$ 30 mil mensais. Procurado pela equipe do jornal O Globo, os donos deram a entender que foram usados como laranjas no esquema. “Você acha que se tivéssemos esse dinheiro todo eu moraria aqui? Longe de tudo, nessa rua?”, questionou uma das filhas do proprietário Genivaldo Galvão Lopes.

Depois de negar o pagamento das despesas da aeronave, em um primeiro momento, Genivaldo mudou a versão dos fatos na última segunda-feira, por meio de um advogado. Disse que poderia ter feito isso a pedido de outras pessoas, mas que só iria identificá-las se for intimado pelas autoridades para prestar esclarecimentos.

O avião foi comprado em maio de 2014 pelos empresários João Carlos Lyra, Apolo Santana Vieira e Eduardo Freira Bezerra Leite, para ser usado na campanha de Eduardo Campos e Marina Silva. Segundo as investigações, parte do pagamento da compra foi feita por empresas fantasmas, levando a Polícia Federal a suspeitar que os empresários podem ter sido usados como laranjas por alguém ligado diretamente ao PSB. A descoberta sobre o pagamento de despesas operacionais da aeronave por meio de uma empresa pequena e de outro ramo de atuação só reforça a tese.

O uso do jato não havia sido declarado na campanha, o que pode ser considerado crime eleitoral. Questionado sobre as denúncias, o partido tenta se eximir das responsabilidades sobre o episódio. Em comunicado, o PSB alegou estar “alheio às negociações”.

Foto de capa: Wilson Dias/Agência Brasil



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