Opinião: “Nova Política” ou Reforma Política?

"Marina não ficou confortável com a introdução da agenda da Reforma Política na resposta de Dilma. Nem vai ficar. Porque essa agenda não tem proprietário, não tem carimbo, é de todos que quiserem dialogar com ela, cada qual a seu jeito, segundo suas convicções".

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“Marina não ficou confortável com a introdução da agenda da Reforma Política na resposta de Dilma. Nem vai ficar. Porque essa agenda não tem proprietário, não tem carimbo, é de todos que quiserem dialogar com ela, cada qual a seu jeito, segundo suas convicções”

Por Guto Pires*

Meu filho Lucas, de 18 anos, reviu todo o debate da Band com vagar. Chamou-lhe a atenção a tréplica de Marina Silva quando Dilma Rousseff afirmou que respondeu às manifestações, sim, quando enviou o projeto de Constituinte Exclusiva para o Congresso Nacional.

A tréplica foi algo como “a reforma política começa agora, com o voto”, sugerindo que o voto na “nova política” cumpre o papel de uma reforma. De outro ângulo, também disse algo no sentido de que o compromisso de Dilma com reforma política são os “acordos políticos em troca de ministérios”.

A agenda Reforma Política jamais foi defendida por Marina. Não porque lhe falte compromisso com a crítica ao sistema político brasileiro atual. Mas porque ela viu na sua Rede, e principalmente em si mesma, o caminho estratégico para mudar a cultura política vigente.

Essa perspectiva de Marina reúne traços de messianismo com uma leitura deseducadora, pra usar a expressão de Luiza Erundina, a respeito da candidata, por desqualificar a política em si como caminho para avançar na democracia participativa.

Marina não ficou confortável com a introdução da agenda da Reforma Política na resposta de Dilma. Nem vai ficar. Porque essa agenda não tem proprietário, não tem carimbo, é de todos que quiserem dialogar com ela, cada qual a seu jeito, segundo suas convicções.

Se a agenda da reforma política entrar com intensidade na conjuntura eleitoral, a panacéia da “nova política” ficará, naturalmente, enfraquecida. De lambuja, Marina vai estar obrigada a abraçá-la, mesmo a contragosto, pois quem defende o “manual das boas práticas políticas” como cartilha pra resolver as limitações e aberrações do sistema político, não poderia ficar alheia de todo. Aí ela deixa de ter o monopólio do seu monotema.

Por isso eu torço, rezo e faço oferendas, foco e milito pra que minha candidata, Dilma Roussef, siga incorporando mais e mais a defesa da Constituinte Exclusiva para deliberar sobre a Reforma Política.

Essa agenda é, a um só tempo, uma obrigação política e uma oportunidade eleitoral pra revelar a superficialidade da candidatura da “nova política” oferecer alternativa a milhões de eleitores jovens a quem só foi oferecido o “manual de boas práticas”.

(*) Guto Pires é jornalista



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