Terrorismo no Chile: mais uma bomba explode em metrô da capital

Nenhum grupo assumiu a autoria da explosão desta segunda-feira. Um comitê de segurança foi convocado em caráter de urgência e a polêmica Lei Antiterrorista será acionada Por Redação, com informações de Victor Farinelli, de Santiago...

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Nenhum grupo assumiu a autoria da explosão desta segunda-feira. Um comitê de segurança foi convocado em caráter de urgência e a polêmica Lei Antiterrorista será acionada

Por Redação, com informações de Victor Farinelli, de Santiago

Na semana em que o Chile “comemorará” o 41° aniversário de seu golpe militar em 1973, mais uma, das dezenas de bombas que explodiram no país durante os últimos meses, foi detonada. Montada dentro de extintor cheio de pólvora, a bomba contava com um temporizador e foi plantada dentro de uma lixeira em uma  lanchonete de fast food da franquia Juan Maestro.

A proximidade com o aniversário do golpe liderado por Augusto Pinochet e o local onde a bomba foi detonada – na saída da estação Escuela Militar – pode estar relacionado com o ato, classificado pelo governo de Michelle Bachelet como “terrorista”. Nenhum grupo assumiu sua autoria.

Não houve mortos, mas pelo menos 14 pessoas ficaram feridas, sendo os casos mais graves, um imigrante venezuelano com fratura exposta na perna esquerda e uma mulher que teve um dedo amputado, enquanto outros sofreram danos na audição. Após uma visita às vítimas do ato na Clínica Las Condes, a presidente chilena afirmou, em entrevista coletiva para a imprensa, que o governo tomará “todas as medidas” para punir os responsáveis, acionando novamente a polêmica Lei Antiterrorista. Já é possível sentir as reverberações políticas do atentado, com a direita atacando o governo Bachelet – como não haveria de ser de outra maneira.

Lei polêmica

A polêmica envolvendo a Lei Antiterrorista, assim como sua ineficácia, já tem bastante tempo, se fortalecendo ainda mais durante o governo de Sebastián Piñera, quer por uso dela contra grupos anarquistas – que instalaram bombas na mesma região da capital onde explodiu a bomba de ontem – quer pelo clássico uso contra comunidades mapuches.

Mas isso não impediu que Andrés Chadwick – ex-ministro do Interior durante a administração Piñera – e Cristian Monckeberg, presidente do Renovação Nacional, partido de Piñera, atacassem o governo por dar “mensagem ambígua” ao país no caso da Lei Antiterrorista, por conta de uma proposta em adaptar a lei aos padrões internacionais. O atual ministro do interior, Rodrigo Peñailillo, respondeu as afirmações de Monckeberg e Chadwick dizendo que “não é momento, minutos depois do que aconteceu, de tentar tirar proveito político de um fato tão grave”. Sobre a Lei Antiterrorista, ele disse que a lei é ineficaz e ilegítima, porque nasceu durante a ditadura.

A proposta da mudança foi anunciada em julho, dias depois de outra explosão de bomba em Santiago. Na ocasião, a detonação ocorreu na estação terminal Los Dominicos, dentro de um vagão vazio, deixando ferido um funcionário do metrô. Depois desse caso, outros três casos de bombas no metrô foram detectadas antes de explodir, assim como diversas outras bombas fora do metrô, em bairros de Santiago – acarretando o acionamento da lei.

Bachelet ainda garantiu que o projeto de reforma da Lei Antiterrorista será apresentado este mês no Congresso, em caráter de suma urgência.



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