As 28 páginas secretas sobre o 11 de Setembro

Trechos do relatório oficial do Congresso norte-americano sobre o 11 de Setembro podem revelar a verdade sobre quem de fato ajudou os terroristas a realizarem os ataques em 2001, mas as administrações Bush e Obama as mantiveram como confidenciais

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Trechos do relatório oficial do Congresso norte-americano sobre o 11 de Setembro podem revelar a verdade sobre quem de fato ajudou os terroristas a realizar os ataques em 2001, mas as administrações Bush e Obama os mantiveram como confidenciais

Por Vinicius Gomes

A cena acontece em uma sala à prova de som. Um membro do Congresso norte-americano é escoltado por um oficial de inteligência até a sala segura e ali, naquele local, onde o oficial permanece ao lado do político o tempo inteiro para garantir que nenhuma anotação seja feita, o congressista é autorizado a ler as 28 páginas do relatório oficial sobre os atentados de 11 de Setembro que, por razões de “segurança nacional”, o ex-presidente norte-americano George W. Bush classificou-as como confidencias.

Após sair, os políticos comprometem-se a não divulgar qualquer detalhe do que leram naquelas páginas, todavia, todos que leram são unânimes em dizer que seu conteúdo é “chocante”. “Eu tive que parar a cada duas páginas e apenas absorver [seu conteúdo] e tentar reorganizar meu entendimento da história pelos últimos 13 anos e os anos que levaram a isso [os atentados]”, disse o congressista Thomas Maisse no início do ano, que completou: “Ele te faz repensar em todas as coisas”.

Treze anos depois daquele trágico dia, as respostas sobre quem de fato planejou e financiou os ataques às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington D.C., permanece um segredo. A seção de 28 páginas que tratava sobre “fontes específicas de apoio estrangeiro” foi removida do relatório bipartidário (Republicanos e Democratas) publicado em 2002, meses após os ataques terroristas. A única coisa que aqueles que leram e pedem por sua publicação afirmam é que ali é descrita a forma como ao menos um país deu apoio a alguns dos 19 sequestradores que realizaram os atentados.

Por que duas administrações negam a sua população informações que ajudaria a todos entenderem melhor o que de fato aconteceu há treze anos?A exigência de que Barack Obama libere ao público as 28 páginas censuradas ganhou mais força nos últimos dias que antecederam o 13° aniversário dos ataques. As chamadas “famílias do 11 de Setembro” criaram o grupo ativista Famílias Unidas pela Justiça contra o Terrorismo (Jasta, sigla em inglês) e pedem que o presidente Obama, em seu primeiro ano de mandato, cumpra o que lhes havia prometido pessoalmente que assim o faria, no entanto, a própria Casa Branca não atende mais aos seus pedidos. O Jasta representa mais de 9 mil pessoas e tem pedido a liberação das 28 páginas há mais de 10 anos.

A Conexão Saudita

Ex-senador Bob Graham é um dos mais ativos no pedido de liberação das 28 páginas confidenciais (Reprodução)
Ex-senador Bob Graham é um dos mais ativos no pedido de liberação das 28 páginas confidenciais (Reprodução)

Apesar de confidencial, muito do provável conteúdo das 28 páginas já foi relatado ao longo de todos esses anos, principalmente no que aponta a Arábia Saudita – maior aliado dos EUA no Oriente Médio ao lado de Israel – como sendo o país estrangeiro que teve, no mínimo, um papel indireto no apoio aos terroristas responsáveis pelos ataques de 11 de Setembro.

O ex-senador Bob Graham, que presidiu o inquérito bipartidário em 2002 e tem defendido a liberação das páginas desde então, afirmou que seu conteúdo não trata de “segurança nacional” como afirmou Bush à época, e sim, de “relacionamentos”. “A informação é crítica para que nossa política externa avance, assim sendo, deveria estar disponível para o povo norte-americano. Se os sequestradores [dos aviões] tiveram ajuda externa – particularmente de um ou mais governos estrangeiros – a imprensa e o público têm o direito de saber o que nosso governo fez ou tem feito para levar seus responsáveis à justiça”. Isso sem mencionar o fato de que 15 dos 19 terroristas que realizaram os atentados eram da Arábia Saudita.

Além do governo, as páginas secretas conteriam ainda detalhes sobre dois enigmáticos sauditas que viveram em San Diego, na Califórnia: Omar al-Bayoumi e Osama Basnan. Ambos já deixaram os EUA há muito tempo.

No início de 2000, al-Bayoumi – um ex-servidor do governo saudita na área de aviação civil – convidou dois dos terroristas que estavam em Los Angeles, Khalid Amihdhar e Nawaf Alhazmi, a se mudarem para San Diego. O saudita afirmou às autoridades que conheceu os dois homens por acaso em um restaurante, todavia, o ex-senador Graham afirma que al-Bayoumi os ajudou a encontrar um apartamento na cidade, assinou o contrato como fiador e pagou um depósito de dois meses de aluguel adiantado de 1.500 dólares. A revista Newsweek escreveu em 2002 que tal convite aconteceu no mesmo dia em que al-Bayoumi teve uma reunião secreta no consulado da Arábia Saudita em Los Angeles com Fahad al-Thumairy, membro do Ministério dos Assuntos Islâmicos, também considerado um conselheiro espiritual. Em 2002, al-Thumairy perdeu seu visto diplomático e foi deportado dos EUA por suspeitas de ligação com os terroristas.

Quanto a Osama Basnan, a revista relatou que ele chegou a receber cheques mensais durante vários anos (um total de 73 mil dólares) vindos do embaixador saudita em Washington em 2001, o príncipe Bandar bin Sultan, e de sua esposa, a princesa Haifa Faisal. A alegação é de que os cheques foram enviados para pagarem por uma cirurgia de tiroide da esposa de Basnan, no entanto, o relatório oficial afirma que esse dinheiro acabou indo parar nas mãos dos terroristas, pois muitos dos cheques foram repassados para a esposa de al-Bayoumi, que havia acabado de conhecer por acaso os dois terroristas.

Em 2002, ex-presidente George W. Bush com o príncipe e ex-embaixador Bandar bin Sultan, na fazenda de Bush no Texas (ERIC DRAPPER/ THE WHITE HOUSE)
Em 2002, ex-presidente George W. Bush com o príncipe e ex-embaixador Bandar bin Sultan, na fazenda de Bush no Texas
(ERIC DRAPPER/ THE WHITE HOUSE)

Apesar de tudo isso, al-Bayoumi foi apenas brevemente interrogado no Reino Unido e nunca foi levado de volta aos EUA para interrogatório. Basnan foi liberado pelo governo norte-americano a voltar para a Arábia Saudita.

Em uma declaração em 2003, quando os cresceram os rumores envolvendo a participação da monarquia saudita nos ataques terroristas, o príncipe Bandar disse que “a ideia de que o governo saudita financiou, organizou ou até sabia sobre o 11 de Setembro é maliciosa e completamente falsa”, afirmando ainda que a Arábia Saudita é um dos maiores interessados na liberação das 28 páginas, para finalmente inocentar seu país das acusações. “Em um relatório de 900 páginas, 28 folhas em branco estão sendo usadas para maldizer nosso país e nosso povo”, disse ele.

Segundo Graham, quando Bush decidiu por censurar as 28 páginas, ele pode ter tido razões legítimas: “Eu não estou julgando. Aquela foi uma época diferente, mas essa época já passou”. No entanto, se de fato o governo saudita – ou integrantes dele – participou indiretamente dos atentados terroristas da al-Qaeda, não será agora que Obama cumprirá sua promessa: seu secretário de estado John Kerry está em Riad, capital da Arábia Saudita, para negociar como ambos os países combaterão os terroristas do Estado Islâmico.

Foto de Capa: Ryan Bundhu



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1 comment

  1. enganado Responder

    Muito simples: EUA. iSSrael, UE, OTAN, Japão, C. do Sul, CCG, Colômbia, Austrália e Nova Zelândia não passam de um balaio de gatos dispostos a colocarem suas mães num rende-vous sob as ordens da banca anglo-saxão-semita para ganharem DÓLARES. Me desmintam!


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