#VoteLGBT: campanha lista candidatos e promove mobilização na internet

Fazendo uso das redes sociais e de um site próprio, grupo lista as candidatas e candidatos que defendem abertamente as demandas relacionadas à causa

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Fazendo uso das redes sociais e de um site próprio, grupo lista as candidatas e candidatos que defendem abertamente as demandas relacionadas à causa

Por Jarid Arraes

Os direitos LGBT são uma grande pauta no debate das eleições presidenciais de 2014. A atual presidenta e candidata Dilma Rousseff (PT) passou a defender a criminalização da homofobia, enquanto Luciana Genro (PSOL) se tornou a primeira candidata à presidência a usar o termo “transfobia” em rede nacional.

No entanto, embora o quadro seja de otimismo para muitos militantes do movimento LGBT, o grupo ainda segue com pouca representação política, sobretudo no Congresso. Para tentar resolver esse problema, um grupo ativista criou a campanha “Vote LGBT”. Fazendo uso das redes sociais e de um site próprio, a campanha lista as candidatas e candidatos que defendem abertamente as demandas LGBT em todos os estados brasileiros e independente de quais partidos representam.

Giovana Bonamim, uma das seis coordenadoras de campanha, explica que a iniciativa é uma tentativa de combater a invisibilidade dos defensores da causa LGBT. “A ideia surgiu no âmbito da revista Geni, da qual os coordenadores da campanha participam. Na revista, as discussões sobre política ocorrem há vários meses, culminando na publicação de reportagens sobre a inclusão de pautas feministas e LGBT dentro dos partidos políticos. Durante a pesquisa para essas reportagens, descobrimos que vários partidos políticos não ofereciam espaços de difusão para setoriais, grupos ou núcleos LGBT, o que resultou ser um fato intrigante, porque sabíamos, por contatos pessoais, que esses grupos existiam.” Bonamim conta que, por serem considerados minorias, os grupos LGBT não têm acesso aos mesmos recursos e espaços que outros setoriais recebem.

Bonamim ainda confessa que o grupo responsável pela campanha esperava reações hostis de camadas conservadoras, mas a repercussão tem sido positiva e muito bem aceita entre os eleitores e candidatos, que demonstram agradecimento pelo espaço cedido. “Isso é bom. Gera uma sensação de coletividade e coesão super importantes em um contexto em que a bancada fundamentalista se esforça para aumentar a quantidades de cadeiras. E sabemos que isso significaria retrocesso em termos de Direitos Humanos”, pontua.

Outra proposta similar ao Vote LGBT foi levantada por feministas com a página do Facebook “Vote numa feminista”. Giovana Bonamim se declara admiradora do projeto, que foi também uma fonte de inspiração. “No momento atual, eu diria que cada campanha enfrenta desafios diferentes porque os públicos passaram por experiências pessoais e sociais diferentes, que precisam ser resgatadas. Esperamos num momento futuro e avançado poder unir as pautas” – algo que já é almejado e defendido por muitos segmentos dos movimentos feminista e LGBT.

A Vote LGBT ainda é responsável pela produção de um vídeo que contará com a participação de eleitores, que devem enviar fotos suas com a hashtag #VoteLGBT – uma tentativa de ampliar o alcance da campanha e conquistar mais apoiadores. Bonamim espera que a mobilização possa aumentar a representatividade da população LGBT primeiramente dentro dos partidos, mas também dentro do Legislativo, para que frear os avanços fundamentalistas se torne mais fácil. “É possível que a representação não ocorra como desejamos. Se não ocorrer, estaremos observando o Legislativo com muita minúcia para apoiar eleitores, candidatos e grupos, setoriais e núcleos pró-LGBT, pressionar autoridades, e fazer uma campanha ainda mais forte nas próximas eleições”, conclui.



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3 comments

  1. RM Responder

    Maravilha de iniciativa. Parabéns! Estamos juntos. :)

  2. CICERO CARLOS Responder

    Putz, chato ter que convocar alguém rotulado de “homossexual” a votar em homossexual. É o mesmo que pedir ao bombeiro que só vote em bombeiro, ao professor que só vote em professor, ao médico que só vote em médico. Pensa-se que tal político, se eleito, só dará atenção ao seu “bloco” preferencial. E pior que é essa mesma a ideia. Entretanto, tamanho descaso com tantos direitos (E DEVERES) humanos que chega o momento que passamos a ver a política como uma guerra, na qual precisamos nos aliar ao general tal, à bandeira tal para nossa sobrevivência. Se não há nenhum político dando atenção aos direitos das minorias (ou dos rotulados), então, a ideia, por mais estranha que pareça, acaba procedendo… “ó tempora, ó mores!” (Cicero, não eu, mas o político e advogado e filósofo romano).

  3. Fabio A Responder

    Ideia ridícula, mais visibilidade que esses grupos minotários tem…