“Não é estupro, é sexo surpresa”

Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cantam música com apologia ao estupro e causam revolta nas redes sociais

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Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cantam música com apologia ao estupro e causam revolta nas redes sociais

Por Redação

Por meio de um post publicado no Facebook, Luísa Turbino, 23, denunciou a atitude de um grupo de estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em evento ocorrido em Belo Horizonte, no último sábado (20), fato que causou revolta nas redes sociais. Em um bar na Savassi, região centro-sul da capital mineira, em determinado momento 30 a 40 pessoas reunidas passaram a entoar músicas de cunho elitista, que exaltavam a UFMG e depreciavam as mulheres. Mas o que a levou a denunciar o caso na internet foi o trecho, cantado só por alguns membros do grupo: “Não é estupro, é sexo surpresa”.

A mestranda em Direito pela UFMG afirma já ter presenciado músicas machistas e misóginas sendo tocadas dentro da faculdade de Direito da universidade, assim como na de Medicina. “Sei que ocorrem coisas parecidas em outras universidades em Belo Horizonte e em outros estados brasileiros”, diz Turbino. “Mas nunca algo tão explícito e intimidador.”

Apesar de não ter acontecido dentro da universidade, grande parte dos estudantes estava vestindo o uniforme da bateria com o nome da UFMG, havendo também outros não-uniformizados no grupo. De acordo com o jornal O Tempo, o capitão da bateria, Bruno Saúde, afirmou que a banda fez uma apresentação no sábado e depois disso alguns integrantes teriam ido ao bar em questão. Ele não negou que as palavras de ordem tenham sido gritadas, mas garantiu que o ato é isolado e que a música não faz parte do repertório da bateria. 

Em nota, a direção da UFMG afirmou que “desaprova qualquer tipo de comportamento discriminatório, seja ele de caráter machista, sexista, racista, homofóbico, entre outros que desrespeitem a dignidade humana”. A reitoria, no entanto, não definiu se abrirá alguma sindicância para apurar o caso.

Em sua página do Facebook, Luísa está recebendo muitas mensagens de apoio e também tentativas de justificativa para o caso, inclusive de uma aluna que diz discordar do ocorrido, busca dizer que o evento ia “além da música”. “O que eu discordo, porque acho que as músicas são justamente o problema”, afirma Turbino

Abaixo a íntegra do post de Luísa:

“Hoje o [nome do estabelecimento] foi dominado por uma turma de idiotas, componentes da Bateria da Engenharia da UFMG (que vergonha!), que em coro cantavam: “Não é estupro, é sexo surpresa”, dentre outras imbecilidades machistas, misóginas e homofóbicas. 
Mais triste ainda foi ver mulheres envolvidas na cantoria. E mais triste ainda perceber que ninguém mais se sentiu incomodado. 

É preciso mesmo repensar o papel da universidade, sobretudo as instituições publicas. Acho um absurdo SEM FIM uma UFMG da vida ser conivente com esse tipo de comportamento, que ocorre não somente dentro da universidade, mas muitas vezes EM NOME da universidade. Mais absurdo ainda quando a universidade indiretamente (mas não sem consciência) contribui para que esses episódios aconteçam quando, por exemplo, emprestam sua estrutura física para o “ensaio”.

Triste, lamentável. Confesso que não soube como agir (e talvez nenhuma reação valeria a pena diante de um bando de playboys bêbados). Mas fica no coração a esperança de que a luta jamais termine e que o futuro seja um lugar melhor”.

 



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