Incêndio atinge primeira ocupação do MTST no Rio de Janeiro

Cerca de seis barracos pegaram fogo na madrugada de domingo; famílias acampadas no terreno acreditam que ação foi premeditada.

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Cerca de seis barracos pegaram fogo na madrugada de domingo; famílias acampadas no terreno acreditam que ação foi premeditada

Por Anna Beatriz Anjos

Na madrugada do último domingo (2), um incêndio atingiu a ocupação Zumbi dos Palmares, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro – a primeira organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) no estado.

Por volta da 1h, seis barracos diferentes, distantes uns dos outros e ainda desocupados, começaram a pegar fogo. Os moradores perceberam movimentação estranha no local, mas, por conta da pouca iluminação, não conseguiram identificar quem eram as pessoas. “Eles entraram, viram que estavam vazios e incendiaram os barracos”, conta Guilherme Simões, coordenador da ocupação. “Quando viram que tinha gente vigiando o terreno, acabaram indo embora.” As chamas foram controladas pelos próprios sem-teto. Ninguém ficou ferido.

As cerca de 300 famílias acampadas acreditam que o incêndio ocorreu de forma premeditada. “Eram barracos espalhados. Tinha pouca gente dentro da ocupação. A gente não consegue conceber um acidente desse jeito. É muito provável que tenha sido criminoso. Vimos gente correndo, é evidente que tinham a intenção e prejudicar a ocupação”, explica Simões. Não foi registrada ocorrência.

Menos ódio, mais moradia

Os sem-teto ergueram o acampamento na noite da última sexta-feira (31). Localizado no Jardim Catarina, periferia de São Gonzalo, o terreno mede 60 mil m². “Está abandonado há pelo menos 50 anos, segundo os próprios moradores do entorno. Ele tem um histórico de ser alvo de desova de cadáveres, carros roubados – inclusive, tem um carro depenado aqui na área, que já existia quando entramos. Tem também muito entulho. É um terreno notoriamente abandonado, todo mundo sabe”, alega Simões.

A Zumbi dos Palmares marca a retomada das ações do MTST no Rio de Janeiro. “O movimento tem um histórico aqui no Rio, no final da década de 2000, mas não conseguiu dar continuidade ao trabalho político. A retomada, depois de tantos anos, é muito simbólica”, considera o coordenador.

Na noite de ontem, os moradores, junto a apoiadores do MTST, realizaram um ato na própria ocupação para fortalecê-la. A manifestação fez parte da campanha “Menos ódio, mais moradia”, endossada no último final de semana por diversas figuras políticas, como os deputados federais Jean Wyllys (Psol) e Jandira Feghali (PCdoB). “Há um sentimento crescente de ódio contra os mais pobres, contra os nordestinos, contra os sem-teto. Está se alastrando. É uma polarização que está ficando cada vez mais clara”, avalia Simões.

Uma nota pública em apoio à ocupação foi produzida por políticos, intelectuais e organizações da sociedade civil. Mais de 86 pessoas e 3 entidades já assinaram o texto, que pede que “os governos estadual e municipal se sensibilizem com a situação das famílias e que, com a maior brevidade, atendam suas reivindicações, assim como garantam que as negociações com o movimento aconteçam sem nenhum tipo de violência.”

Foto de capa: Mídia NINJA



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