Douglas Belchior: “Segurança pública no Brasil é genocida”

Para coordenador da UNEafro Brasil, o sistema atual favorece a seletividade e racismo das polícias; ele é um dos participantes do seminário sobre cultura periférica organizado pela Fórum.

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Para coordenador da UNEafro Brasil, o sistema atual favorece a seletividade e racismo das polícias; ele é um dos participantes do seminário sobre cultura periférica organizado pela Fórum na sexta-feira (14)

Por Guilherme Franco

A violência policial que vitima as periferias brasileiras aumenta a importância do debate acerca da revisão do modelo de segurança pública brasileiro. Além da repressão em série, o despreparo das polícias será tema da segunda mesa do seminário “A Periferia no Centro: cultura, narrativas e disputas”, realizado pela Revista Fórum, na próxima sexta-feira (14), no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

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Douglas Belchior: padrão de segurança pública é genocida (Foto: Arquivo pessoal)

O padrão de segurança pública implementado atualmente é “militarizado e genocida”, segundo Douglas Belchior, professor, cordenador da UNEafro Brasil e debatedor no seminário. Para ele, a tendência de armar as guardas municipais impede o respeito aos direitos humanos. “Há uma ação planejada em todas as esferas que acaba naturalizando uma política de repressão que tem como alvo os pobres e os negros”, explica.

Belchior acredita que a revisão na segurança pública é a única forma de acabar com essa situação alarmante e revelada por diversos estudos. Levantamento divulgado pela Universidade Federal de São Carlos (UFScar) aponta que a PM assassinou, em 2011, três vezes mais negros do que brancos, sendo em sua maioria jovens entre 24 e 30 anos e moradores de periferias.

Durante as manifestações de junho, a bandeira pela “desmilitarização” uniu diversos movimentos sociais. De acordo com Belchior, esta é apenas uma pauta a ser discutida no setor da segurança pública. “Uma polícia desmilitarizada não necessariamente deixa de ser uma polícia injusta, racista. Neste sentido, a demanda eleitoral não deu conta de botar na mesa de debate a questão da segurança pública como um todo”, garante. “A discussão sobre o tema será ainda mais difícil tanto no Parlamento, que parece que será ainda mais conservador, mas também do ponto de vista do Executivo”, completa o professor, que foi candidato a deputado federal  pelo PSOL de São Paulo nas últimas eleições.

Belchior destaca ainda a importância em debater a cultura de periferia. “A cultura da periferia é fruto da sua própria resistência. Quanto mais valorizarmos essas organizações culturais, mais fortaleceremos a nossa luta”, finaliza.

O seminário “A Periferia no Centro: cultura, narrativas e disputas” terá entrada gratuita. Para participar, basta se inscrever em: www.revistaforum.com.br/periferia.



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2 comments

  1. Carlos Responder

    Desmilitarizar tem vários pontos positivos, agora eu quero ver é educar a juventude da periferia, isso EU QUERO VER.

  2. alexandre garcia dos reis Responder

    A questão não é desmilitarizar a polícia, e sim, educar as pessoas. Nosso povo vive sem limites, não respeita os mais velhos, os professores, os vizinhos, etc. Preocupa-se muito com a PM, em desmilitarizar principalmente, aí eu pergunto: você acredita mesmo que vai melhorar alguma coisa desmilitarizando a PM? Sinto que esta situação diz respeito aos vândalos do passado que se julgam injustiçados perseguidos políticos e querem uma revanche contra instituições que ao meu ver, são as únicas no momento que defendem os cidadãos de bem, e lutam com a própria vida, contra os bandidos, assassinos de hoje. Por que não dizer dos vários PMs mortos por exemplo, só em São Paulo? Povo brasileiro, vamos acordar, chega de sermos manipulados por esta corja de lobos disfarçados de cordeirinhos. Queremos é justiça, bandido preso, poder transitar tranquilos, nossos filhos em segurança e estão tentando acabar com a única instituição que mexe com tudo isto, a PM. PM neles já……


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