Opinião: Para além de boatos, Marta Suplicy é essencial no Senado

Como de costume, parte da imprensa paulista já começa a "fritar" a imagem da senadora. Por outro lado, ela é essencial para o PT neste momento

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Como de costume, parte da imprensa paulista já começa a “fritar” a imagem da senadora. Por outro lado,  ela é essencial para o PT neste momento

Por Marcelo Hailer

Mal foi tornada pública a carta de demissão da ministra da Cultura, Marta Suplicy, e uma série especulações e boatos a partir de “proeminentes lideranças do PT que não podem dizer o nome” saltaram nos portais, principalmente dos jornais tradicionais da mídia paulista, que é declaradamente avessa à figura política da senadora.

Fala-se que a carta demissionária da ministra causou “um mal estar” no Planalto, mas, em cada linha do texto é notória a marca da senadora e liderança da seção paulista do partido. Marta Suplicy acerta ao falar e criticar o parco orçamento do Ministério da Cultura, pois, se o segundo mandato de Dilma Rousseff se pretende melhor do que o primeiro, é necessário que alguns ministérios tenham o seu caixa reforçado, já que o foco político de um governo é também observado pelo orçamento de cada pasta.

Nota-se também uma movimentação de parte da imprensa paulista – que por muitas vezes, quando Marta Suplicy era prefeita de São Paulo (2000-2003), a tratou com um “dona” antes do nome – para fazer com que a senadora chegue desgastada ao Parlamento. Isso tem um objetivo: fortalecer José Serra (PSDB-SP) e ofuscar a segunda etapa do mandato de Suplicy. Para isso, até senador do PT (que nunca se identifica) é utilizado como “fonte” para debochar do retorno da parlamentar e dizer que “ela não vai sentar na janela” quando chegar e que vai ter que esperar “a fila andar”.

O fato é que Marta Suplicy é essencial para o Senado e para PT de São Paulo. Em sua rápida passagem pela Casa, ela foi responsável por desengavetar em uma semana o projeto de lei que visava tornar crime a homofobia e também trouxe para a pauta a questão do casamento igualitário, que tocou em parceria com Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Erika Kokay (PT-DF). Acredita-se que a parceria deve se repetir na próxima legislatura, ainda que não se saiba qual será a sua agenda prioritária.

Outra questão que se especula é que o PT paulista estaria “magoado” com a senadora por conta de sua pouca participação na campanha de Alexandre Padilha. O nome de Marta era apoiado por várias alas internas do partido para ser candidata ao Palácio dos Bandeirantes, e sairia com mínimo 20%da intenção de votos, com uma rejeição que, acreditavam seus apoiadores, poderia ser trabalhada para que fosse diminuída. No entanto, Lula acreditou que se poderia repetir no estado o que aconteceu na capital com Fernando Haddad, que derrotou Serra e venceu a disputa pela prefeitura paulistana.

O que incomoda boa parte dos líderes do PT é a independência política da senadora. É uma das poucas, que, nos dias atuais, não abaixa a cabeça por conta de imposições. Liderança é isso. Marta Suplicy é de uma escola política em extinção e sua presença no Senado, nestes tempos conservadores que devem se aprofundar na próxima legislatura, é fundamental. De volta a uma Casa historicamente masculina, junta-se as vozes que devem fazer oposição à ala reacionária do Senado: José Serra, Agripino Maia (DEM-RN) e Magno Malta (PR-ES).

A volta de Marta Suplicy, primeira mulher a assumir a vice-presidência do Senado, faz bem para o PT, para a política nacional e para as questões feministas, LGBT e progressistas no geral.

Foto: ruifalcao.com.br 



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