Consciência negra livre de machismo

O Dia da Consciência Negra deve voltar seu foco também para as demandas e pautas específicas das mulheres negras. O recorte de gênero é urgente e precisa acontecer para além dos modelos machistas que estamos acostumados a reproduzir

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O Dia da Consciência Negra deve voltar seu foco também para as demandas e pautas específicas das mulheres negras. O recorte de gênero é urgente e precisa acontecer para além dos modelos machistas que estamos acostumados a reproduzir

Por Jarid Arraes

O mês de novembro é conhecido nacionalmente como o mês da Consciência Negra, data oficializada no dia 20. Um grande ícone da resistência negra contra o racismo na ocasião é a memória de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e grande guerreiro pela libertação da população negra no período escravocrata do Brasil. Por causa de sua coragem incisiva, Zumbi é celebrado como inspiração e símbolo do mês da Consciência Negra.

No entanto, embora Zumbi seja um grandioso exemplo para homens e mulher negros e toda a militância negra no Brasil, muitas figuras importantes acabaram sendo esquecidas ou foram apagadas da História – sobretudo protagonistas femininas, tais como a companheira de Zumbi, a guerreira quilombola Dandara dos Palmares.

Muitas pessoas desconhecem a história de Dandara e um dos maiores motivos para esse esquecimento é a própria educação brasileira, que não menciona sua existência. Mas seu apagamento é responsabilidade também dos historiadores, ou mesmo dos movimentos sociais, uma vez que mulheres negras como ela são preteridas até por militantes negros ou ativistas feministas. De fato, a invisibilidade de Dandara é apenas uma das evidências do que o racismo machista da cultura brasileira é capaz: milhares de mulheres negras vivem hoje em situações de abuso, violência, ausência de direitos e esquecimento.

Esta reportagem faz parte da edição 173 da Revista Fórum Semanal, para assinar e continuar lendo, clique aqui. Contribua com um jornalismo independente. 



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