De empregada doméstica a secretária de Igualdade Racial: conheça a história de Josefina

Assédio sexual, ameaças e xingamentos faziam parte da rotina da menina que veio ao mundo predestinada à intolerância; mas ela venceu e hoje luta pelos direitos dos que ainda estão por vir: “Não quero...

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Assédio sexual, ameaças e xingamentos faziam parte da rotina da menina que veio ao mundo predestinada à intolerância; mas ela venceu e hoje luta pelos direitos dos que ainda estão por vir: “Não quero ser uma exceção. Espero que você possa escrever que, um dia, todos nós conseguimos”

Texto e foto de Maíra Streit

Josefina Serra, de 53 anos, nasceu no interior do Maranhão, filha de um agricultor e uma quebradeira de coco-babaçu. Afastada da família aos 5 anos, passou a trabalhar em fazenda e, aos 6, foi levada à capital, São Luiz, para ser empregada doméstica. O tempo foi passando, mas a situação não mudou. Lavava roupas, passava, cozinhava, cuidava de outras crianças e se ressentia de não poder subir com elas no mesmo elevador. Usava roupas e sapatos velhos, doados pelos patrões. E, na escola, os preconceitos em relação à cor, à origem e ao trabalho que desempenhava foram motivos para que não cultivasse amigos.

As piadas racistas eram bastante frequentes. Assédio sexual, ameaças e xingamentos faziam parte da rotina da menina que veio ao mundo predestinada à intolerância. Foi nos estudos que ela encontrou uma fuga para tudo aquilo e, obstinada, conseguiu se formar em Direito. Já morando em Brasília, tornou-se uma referência no movimento negro e, em 2011, foi nomeada como a primeira secretária de Igualdade Racial do Distrito Federal, no governo de Agnelo Queiroz (PT). Em comemoração ao 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, ela conversou com a Fórum sobre a luta de negros e negras em busca de igualdade, respeito e mais valorização na sociedade.

Esta reportagem faz parte da edição 174 da Revista Fórum Semanal, para assinar e continuar lendo, clique aqui. Contribua com um jornalismo independente. 



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