Para Mujica, o México parece um “Estado falido”

Em entrevista, o mandatário uruguaio afirmou que o esclarecimento sobre o destino dos 43 estudantes de Ayotzinapa é “inegociável” e que a vida humana no México “vale menos que a de um cachorro”. A secretaria mexicana de Relações Exteriores externou surpresa e rechaçou...

487 0

Em entrevista, o mandatário uruguaio afirmou que o esclarecimento sobre o destino dos 43 estudantes de Ayotzinapa é “inegociável” e que a vida humana no México “vale menos que a de um cachorro”. A secretaria mexicana de Relações Exteriores  externou surpresa e rechaçou a fala de Mujica

Por Redação

O presidente do Uruguai, José Mujica afirmou, em entrevista à publicação Foreign Affairs Latinoamérica, que vê com tristeza o caso dos estudantes mexicanos de Ayotzinapa e que essa crise no país passa a impressão de que ,à distância, o México é uma espécie de “Estado falido”, “onde os poderes públicos perderam totalmente o controle, estão carcomidos”.

Segundo o mandatário sul-americano, o país tem a obrigação de esclarecer o assunto, “caia quem cair, doa a quem doer e tenha a consequência que tiver”, mencionando em seguida as valas coletivas onde foram encontrados corpos que, primeiramente, foram apontados como sendo dos estudantes desaparecidos: “Quer dizer que há mais mortos, que nem haviam sido reclamados. Então a vida humana vale menos do que a de um cachorro”.

Para Mujica, o incidente mexicano atingiu um nível que “ultrapassa o México”, sendo assim, “um problema de toda a humanidade […] essas coisas não podem ocorrer nos dias de hoje”. Segundo ele, um caso como esse passa a impressão de que a corrupção é um “costume social”: “Seguramente, o corrupto [no México] não é mal visto, ele é um vencedor, é um senhor esplêndido. Por esse lado, estamos fritos”. Através de um comunicado, a Secretaria de Relações Exteriores (SRE) do México externou surpresa e rechaçou categoricamente a fala de Mujica. A SRE entrou em contato com a chancelaria uruguaia, requisitando uma reunião com o embaixador do Uruguai na Cidade do México.

Em 7 de novembro, o procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam, afirmou em uma entrevista coletiva à imprensa que os jovens haviam sido assassinados em um lixão, seus corpos queimados e seus restos jogados em um rio. Mas a desconfiança das famílias permaneceu, tanto que na última quinta-feira (20) ocorreu uma das maiores manifestações na história do país – quando também se comemoraram os 104 anos da Revolução Mexicana – onde os familiares dos jovens denunciaram que as valas comuns e o desaparecimento forçado de pessoas são uma realidade em todo o país.

Foto de Capa: Proyecto Diez Periodismo con Memoria, via Ilustradores con Ayotzinapa 



No artigo

x