Dilma recebe Leonardo Boff e Frei Betto e diz que prefere “ouvir críticas, do que apenas escutar as coisas boas”

Após o encontro, Leonardo Boff afirmou que a própria presidente reconheceu a falta de contato com as bases. “Dilma se ocupava muito com a administração dos grandes projetos. Ela disse que a partir de agora será um ponto alto do seu governo um diálogo...

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Após o encontro, Leonardo Boff afirmou que a própria presidenta reconheceu a falta de contato com as bases. “ Ela disse que a partir de agora será um ponto alto do seu governo um diálogo permanente, orgânico, contínuo, com os movimentos sociais, e com a sociedade em geral”

Por Paulo Victor Chagas, da Agência Brasil

O frade dominicano e escritor Frei Betto, o teólogo e intelectual Leonardo Boff e quatro integrantes do grupo Emaús se reuniram nesta quarta-feira (26) com a presidenta Dilma Rousseff e entregaram a ela uma carta com 16 demandas a serem analisadas em seu segundo mandato. Na avaliação deles, após a vitória de Dilma nas eleições, nas quais havia um “risco” de que o “projeto popular do PT” não continuasse à frente do país, é necessário maior diálogo com a sociedade.

Após o encontro, Leonardo Boff afirmou que a própria presidenta reconheceu a falta de contato com as bases. “[Dilma] se ocupava muito com a administração dos grandes projetos. Ela disse que a partir de agora será um ponto alto do seu governo um diálogo permanente, orgânico, contínuo, com os movimentos sociais, e com a sociedade em geral”, afirmou.

O documento, intitulado O Brasil que Queremos, contém reivindicações que passam por temas políticos, econômicos, sociais e ambientais. Segundo o intelectual, Dilma tomou nota das sugestões levantadas na conversa e disse que quer discutir com mais detalhes questões como a centralidade da ecologia. De acordo com Leonardo Boff, a presidenta disse: “Eu prefiro escutar críticas, do que apenas escutar as coisas boas que eu faço. Porque aí eu aprendo”.

Segundo Boff, a presidenta quer se encontrar mais sistematicamente com o grupo, e pretende também receber lideranças de movimentos sociais na próxima semana. Ela se comprometeu a “estudar o documento”, já que nem todos os pontos foram discutidos detalhadamente durante a reunião, que contou com a presença do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

A carta, assinada por 34 pessoas do Emaús, pede um modelo econômico mais social e popular, a auditoria da dívida pública, proteção do meio ambiente, utilização cada vez maior de energias renováveis, defesa do direito dos povos indígenas e quilombolas. Solicita também a restrição de transgênicos e agrotóxicos, democratização dos meios de comunicação, universalização dos direitos humanos, instituição de nova política de segurança pública, valorização dos trabalhadores, o controle social da gestão pública e a ética na política, além das reformas política, urbana, agrária e tributária.

Foto: José Cruz/Agência Brasil



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3 comments

  1. Eduardo Lima Responder

    Esse diálogo é fundamental para enfrentar as três frentes amplas de combate. São três frentes de batalha para iniciar e terminar bem o segundo mandato. A primeira é na Lava-Jato. O PT deve pressionar para que todos sejam investigados. Não pode aceitar calado ser, em meio a esse Pré-Sal de lama, o único partido apontado como corrupto se o mel escorreu para o pote de quase todos. A segunda é no Congresso. O Governo precisa agir pragmaticamente para recompor sua base de apoio neste fim de mandato e formar uma base confiável para o próximo. A terceira é social. Montar um bom ministério, profissional, que saiba colocar as coisas para andar. E direcionar os esforços para ampliar sua base popular. Reconquistar a Classe C, especialmente do Centro-Sul, com políticas que atendam este setor assim como os programas sociais atendem a base da pirâmide. O governo precisa realizar ações para garantir e ampliar as conquistas da Classe C. Reconquistando a Classe C, especialmente a do Centro-Sul, o apoio popular será tão forte que acaba esse golpismo que está no ar e a base política reduz as cobranças estridentes. Na série de textos abaixo há uma reflexão neste sentido. O que a Classe C precisa? Recomendo a leitura.

    http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR3.html

    http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR2.html

    http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR.html

  2. Dudu Responder

    É de rir. A Dilma quer colocar a “Katya Abrel” como Ministra da Agricultura e ainda finge que está preocupada com o meio ambiente? Vai ser a primeira presidente a desagradar tanto a direita, quanto a esquerda desse país… impressionante!

    1. André Ramos Responder

      Sinceramente, acho que a presidenta é uma fraude….um vexame!


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