Quer lutar pelos direitos humanos? Escreva uma carta

Campanha da Anistia Internacional incentiva mobilização de pessoas ao redor de todo mundo para alertar sobre casos de violações de direitos.

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Campanha da Anistia Internacional incentiva mobilização de pessoas ao redor de todo o mundo para alertar sobre casos de violações de direitos

Por Redação | Foto: Anistia Internacional

Muita gente apoia causas ligadas aos direitos humanos, seja compartilhando conteúdo nas redes sociais ou se posicionando de alguma outra forma. Às vezes, entretanto, fica o sentimento de que algo a mais poderia ser feito. Com o intuito de mobilizar pessoas ao redor de todo o mundo, a Anistia Internacional lança em São Paulo, na noite desta quarta-feira (3), a Maratona de Cartas: Escreva por direitos, a maior campanha anual por direitos humanos do mundo.

Promovida desde 2003, a Maratona tem duas semanas de duração, nas quais voluntários assinam petições, escrevem cartas e planejam ações virtuais contra casos de violações de direitos. Em 2013, foram enviadas mais de 2 milhões de cartas, assinadas por pessoas de 83 países.

Depois da campanha do ano passado, foram libertados três ativistas graças à mobilização alcançada pelo projeto. Uma delas é a ativista cambojana pelo direito à moradia Yorm Bopha, presa em 2012 por protestar contra as remoções forçadas que eram realizadas em sua comunidade. Os outros dois são os russos Vladimir Akimenkov e Mikhail Kosenko, detidos também em 2012 em Moscou, acusados de participar de “distúrbios em massa” por terem se manifestado pacificamente em uma praça.

Em 2014, no Brasil, seis casos emblemáticos ganham destaque – dois nacionais e quatro estrangeiros (conheça todos aqui). Entre eles, a reparação a Sergio Silva, fotógrafo que perdeu um olho após ser atingido por um tiro de bala de borracha disparado por um policial durante protesto em São Paulo este ano; a libertação de Chelsea Manning, ex-militar norte-americana que cumpre sentença de 35 anos de prisão pelo vazamento de material confidencial do governo ao WikiLeaks; e o pagamento da devida indenização e assistência médica às vítimas do desastre de Bhopal, na Índia, que completa 30 anos hoje.

Para Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, a Maratona representa uma narrativa alternativa à hegemônica. “Trabalhamos e vivenciamos todos os dias situações de tortura, intolerância, descaso, injustiças e ataques às liberdades individuais. A Maratona de Cartas representa um dos contrapontos mais poderosos a esta realidade: a solidariedade e a mobilização cidadã em defesa dos direitos humanos de todas as pessoas”, afirma.

Além disso, a campanha passa um recado importante aos violadores de direitos humanos. “Quando pegamos casos como o de Bophal, que não são recentes, estamos também mandando a mensagem de que a Anistia Internacional não esquece. Quando há um caso de violação, de desaparecimento, vamos acompanhá-lo, vamos lutar por justiça o quanto for. É importante passar essa mensagem”, observa Renata Neder, assessora de direitos humanos da organização.



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