México permite o assassinato de seus cidadãos com a ajuda dos EUA

Acadêmicos norte-americanos escrevem carta para Barack Obama, pedindo ao presidente que cumpra a lei norte-americana e suspenda toda assistência militar ao país vizinho por conta do envolvimento de políticos com a sistemática violação de direitos humanos no México.

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Acadêmicos norte-americanos escrevem carta para Barack Obama, pedindo ao presidente que cumpra a lei norte-americana e suspenda toda assistência militar ao país vizinho por conta do envolvimento de políticos com a sistemática violação de direitos humanos no México

Por Vinicius Gomes, com informações de Alternet

Em 2013, um relatório do departamento de estado dos EUA a respeito da situação dos direitos humanos no México reconhecia que “significantes problemas relacionados aos direitos humanos indicavam sérios abusos da polícia e das forças armadas, incluindo assassinatos extrajudiciais, abuso físico, tortura e desaparecimento”, além de apontar também que “a impunidade e a corrupção generalizadas continuam um problema sério dentro das forças de segurança e do setor judiciário”.

O governo norte-americano financia as forças de segurança do México através do “Plano México”, que inclui, entre outras, a Iniciativa Mérida, por meio da qual forneceu, desde 2008, mais de 2 bilhões de dólares ao país vizinho, dinheiro usado também para financiar o treinamento das forças armadas e da polícia mexicana. Levando-se em conta estes fatos, é possível afirmar que os EUA também são responsáveis pelas violações de direitos humanos no México, incluindo o ataque aos estudantes de Ayotzinapa e o desaparecimento de 43 deles? Considerando que, para tal, o aparato de segurança mexicano utiliza das armas, tecnologia e treinamento norte-americanos, a Casa Branca está sendo conivente com o governo de Peña Nieto, que permite o assassinato em massa em seu próprio país?

Para diversos acadêmicos norte-americanos que assinaram um pedido para o fim da assistência militar dos EUA ao México, a resposta é uma só: sim.

Segundo o texto, “o desaparecimento dos estudantes não é um incidente isolado cometido por algumas maçãs podres. Em vez disso, seu sequestro deixa claro que, do o nível local ao federal, os oficiais políticos e as forças de segurança do governo mexicano estão completamente envolvidas com gangues criminosas e cartéis de drogas internacionais. Além disso, o caso ilustra o padrão sistemático do conluio das forças de segurança com figuras criminosas para reprimir violentamente tentativas pacíficas de reformar um sistema político corrupto e desacreditado”.

Para dar base à suas exigências, lê-se que devido ao claro histórico de violações de direitos humanos no México, a administração Barack Obama é obrigada por lei a por um fim à assistência militar ao governo de Peña Nieto: “O histórico de violações aos direitos humanos no México é claro, assim como é o que exige nossas leis frente ao terrorismo patrocinado pelo Estado. Especificamente, a lei dos EUA – principalmente aquela que é chamada de “Emenda Leahy”, seção 620M(a) da Lei de Assistência Estrangeira, de 1961 – proíbe nosso governo de prover assistência militar a governos estrangeiros que violem os direitos humanos.”

Relembre o caso

No dia 26 de setembro, estudantes de uma faculdade rural em Ayotznipa rumavam de ônibus para um protesto pacífico, quando foram abordados pela polícia local, sendo em seguida atacados com armas de fogo. As autoridades de segurança mataram três estudantes e desapareceram com outros 43. De acordo com testemunhas oculares, o batalhão do exército mexicano mais próximo não apenas não fez nada a respeito, como também ameaçou os estudantes que conseguiram escapar e lhes pediram ajuda. Enquanto tudo isso acontecia, o comandante de tal batalhão estava em uma festa da qual a anfitriã era a primeira-dama da cidade onde o ataque acontecia. O prefeito e sua esposa foram acusados de terem planejado os assassinatos.

Até o momento, o paradeiro dos 43 estudantes permanece desconhecido e o governo federal tem tentado se esquivar de qualquer responsabilidade sobre este crime, declarando que “oficiais locais corruptos” entregaram os estudantes a membros de um cartel de drogas da região.



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