Anistia Internacional vai denunciar à ONU assassinato de jovens na Bahia

"Temos muitos relatos de grupos de extermínio", afirmou o assessor de Direitos Humanos Alexandre Ciconello.

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“Temos muitos relatos de grupos de extermínio”, afirmou o assessor de Direitos Humanos Alexandre Ciconello

Por Redação

A Anistia Internacional vai denunciar à Organização das Nações Unidas (ONU) a morte e o desaparecimento de jovens na Bahia. Um grupo de pais que tiveram os seus filhos mortos procurou a Anistia nesta quinta-feira (4). Ao órgão, foram entregues relatos da participação policial, sequestros, imobilismo nos inquéritos e os muitos casos que seguem inconclusos.

Alexandre Ciconello, assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional, ouviu o relato de cinco mães e um pai. À Agência Brasil, Ciconello declarou que os jovens negros continuam a ser assassinados sem “nenhum tipo de justiça para esses parentes”.

“Há o caso do Davi Fiuza [na foto em destaque], que desapareceu há 40 dias, depois de uma abordagem da polícia, na qual há testemunhas de que ele foi sequestrado e colocado amarrado em um carro. Outras mães aqui tiveram os filhos assassinados ou desaparecidos, sem nenhum tipo de resposta efetiva do Estado”, disse Ciconello.

A mãe de Davi Fiuza, Rute Silva, relatou como o filho foi sequestrado, no dia 24 de outubro. “Às 7h30, houve uma operação policial no bairro Vila Verde e meu filho, como todo menino curioso, ficou olhando. De repente, ele foi encapuzado, teve amarrado os pés e as mãos e acabou jogado num carro descaracterizado. Havia muitas viaturas da polícia por perto, segundo as testemunhas. Desde então, procurei todos os meios legais e jurídicos, fui ao instituto Médico-Legal, nos campos de desova (de cadáveres), mas nada”, disse.

A Anistia Internacional declarou que o caso de Davi Fiuza e de outros desaparecidos serão levados à ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA).

Alexandre Ciconello também revelou que há dificuldades institucionais do governo da Bahia em se posicionar sobre o assunto. “Não são casos isolados, há uma dificuldade da corporação, da Secretaria de Segurança Pública, em agir nesses casos, principalmente quando há o envolvimento de policiais. Temos muitos relatos de grupos de extermínio. Os mecanismos de controle da atividade policial na Bahia são muito frágeis. A corregedoria acabou de arquivar o caso do Davi, com testemunhas dizendo que ele foi abordado pela Polícia Militar. É preciso haver mudanças estruturais nas duas polícias”, criticou o assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou, especialmente sobre o caso de Davi, que “todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas”. Destacou também que várias vertentes são investigadas, inclusive a participação de policiais. De acordo com a Secretaria, os policiais que estavam de plantão no dia do desaparecimento estão sendo ouvidos no inquérito. O órgão também informou que, no período de 2013 a 2014, 104 policiais foram demitidos por conta do trabalho da corregedoria.

Com informações da Agência Brasil

Foto: Divulgação



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