Jornal ‘O Globo’ se posiciona contra revisão da Lei da Anistia

Em 1964, o jornal da família Marinho publicou um editorial apoiando o golpe militar; 50 anos depois, lança um novo texto criticando a revisão da Lei de Anistia, que classificou como 'lamentável'.

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Em 1964, o jornal da família Marinho publicou um editorial apoiando o golpe militar; 50 anos depois, lança um novo texto criticando a revisão da Lei da Anistia, proposta que classificou como ‘lamentável’

Por Redação

Em editorial divulgado nesta segunda-feira (15), o jornal O Globo reconhece o valor do trabalho feito pela Comissão Nacional da Verdade (CNV); porém, condena a revisão da Lei da Anistia. Intitulado “Ampla e Irrestrita”, o texto afirma que o objetivo da revisão da lei é uma “aplicação unilateral”, ou seja, apenas aos militares.

O editorial inicia afirmando que o trabalho da CNV tem “valor incontestável” na “consolidação do estado de direito do Brasil”. Ele ressalta também que a Comissão “rasgou o incômodo véu que procurava manter encobertos episódios obscuros da ditadura militar, inclusive apontando responsabilidades no topo da hierarquia militar e também iluminando os porões, com a identificação de agentes públicos envolvidos em tortura e outros atos condenáveis contra opositores ao regime”.

Após os elogios, o texto critica a sugestão do relatório final de revisar a Lei da Anistia. “Como já se desenhava no curso dos trabalhos da Comissão, a maioria de seus integrantes deu forma também a um preocupante equívoco, ao defender, no documento final, a revisão da Lei da Anistia. É um despropósito em relação ao qual a unanimidade passa ao largo, mas ainda assim a CV consignou no relatório. Lamentável”.

Por fim, o texto diz que a proposta não pode ser levada a sério e que busca apenas punir um lado da história. “(…) Por conveniência, o que o relatório final da CV propõe é uma aplicação unilateral da lei. Ou seja, pune-se apenas um lado da ‘guerra suja’. De qualquer modo, a presidenta Dilma teve uma reação positiva ao receber o documento, quando desoxigenou a ideia de o relatório dar margem a revanchismos. É o que se espera”.

O posicionamento d’O Globo é reafirmado 50 anos depois da publicação do editorial “Ressurge a democracia”, em que defendeu o golpe militar. Com a atitude de agora, o jornal pode contribuir para que os torturadores da ditadura fiquem impunes para sempre.

Confira o texto na íntegra, aqui.

Foto: Outras Palavras



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